Eu chego ao orfanato ainda com o céu trocando de cor, aquele azul pálido que anuncia o dia, mas não promete alegria. O portão range do mesmo jeito de sempre quando empurro, e o som ecoa dentro de mim como um chamado antigo. O cheiro de terra molhada, misturado com flores simples do jardim, me acalma por alguns segundos — só alguns. Meu coração ainda está apertado, latejando num ritmo estranho, como se tivesse passado a noite inteira correndo atrás de algo que não consegui alcançar. Caminho devagar pelo corredor externo, ouvindo vozes infantis ao longe, risadas tímidas, passos pequenos. Há uma paz aqui que não existe em nenhum outro lugar. Uma paz que eu conheci bem quando vestia a batina e acreditava que todas as respostas estavam organizadas em prateleiras invisíveis dentro de mim. Hoje,

