A Verdade Vem

1069 Palavras

Continuo dirigindo. O carro avança pela estrada quase sozinho, como se já soubesse o caminho, enquanto eu sigo num estado estranho, meio anestesiado, meio à flor da pele. As mãos ainda firmes no volante, mas o coração… o coração parece espalhado pelo asfalto, pedaço por pedaço, ficando pra trás a cada quilômetro. O céu começa a clarear devagar. Aquela transição lenta da noite pro dia sempre me pegou. Nem escuro, nem claro. Um meio-termo incômodo, indefinido. Exatamente como eu estou agora. Respiro fundo. O choro já secou, mas deixou um peso atrás dos olhos, um cansaço profundo, antigo. Sinto como se tivesse vivido dez anos em poucas semanas. Amor, renúncia, medo, esperança, desilusão. Tudo embolado, tudo jogado dentro de mim sem ordem nenhuma. — O que eu faço agora? — pergunto em voz

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