Chega

1164 Palavras

Entro no carro sem olhar pra trás. Não tem cena dramática, não tem despedida, não tem última troca de olhares. A porta se fecha com um som seco, definitivo, e aquele estalo ecoa dentro de mim como um ponto final. Giro a chave, o motor responde quase de imediato, como se também estivesse pronto pra ir embora daquele lugar, daquela história, daquela mulher. Ângela fica pra trás. E, pela primeira vez desde que a conheci, eu não sinto remorso. Não sinto culpa. Não sinto vontade de voltar correndo. Não sinto aquele impulso de tentar entender mais uma vez. Ela que se vire com o Dom dela. Seja lá quem for. Seja lá o que “mercadorias” significa. Seja lá que tipo de vida paralela ela resolveu levar enquanto dizia me amar, enquanto dormia ao meu lado, enquanto fazia planos de futuro como se t

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