A rotina, quando se repete, costuma trazer uma falsa sensação de controle. Como se cada passo já estivesse previsto, como se o dia não pudesse escapar do trilho conhecido. Eu sempre acreditei nisso. Talvez por conforto. Talvez por medo do que acontece quando algo foge do roteiro. Acordei antes do despertador, como sempre. O céu ainda estava escuro, um azul profundo que antecede o amanhecer. O silêncio da casa era quebrado apenas pelo som distante de algum carro passando na rua. Rezei ainda sentado, olhos fechados, mãos apoiadas sobre os joelhos. Não pedi nada específico. Apenas agradeci. Pela vida. Pela saúde. Pela constância. E, em silêncio, pedi discernimento — aquela palavra que os padres usam tanto porque sabem que, sem ela, a vocação vira peso. A missa da manhã transcorreu como de

