O carro deslizou pela avenida iluminada pelo amarelo dos postes, o ar fresco da noite entrando pelas janelas levemente abertas. O motor ronronava baixo, constante, enquanto minhas mãos firmes no volante seguiam o trajeto até a casa da Ângela. O silêncio dentro do carro não era pesado, pelo contrário — era confortável, preenchido apenas pelo som suave da estrada e pelos pensamentos que os dois carregávamos. Ela estava ao meu lado, olhando para a paisagem noturna, mas de vez em quando lançando olhares discretos na minha direção, como se quisesse medir o que eu pensava, ou talvez preparar-se para perguntar algo. — Gabriel… — começou ela, hesitante, a voz baixa, quase um sussurro que competia com o ronco do motor. — Se um dia… um padre se apaixonar por uma mulher… como funciona? Tipo… o que e

