Eu fiquei ali na sacada por um tempo que eu já nem sabia medir. O vento frio da madrugada batia no meu rosto, bagunçava meu cabelo, entrava por baixo da camiseta, mas eu m*l sentia. Meu corpo estava presente, mas a minha mente estava presa naquela ligação, naquela voz, naquela frase que não parava de ecoar dentro de mim. “Você tem que me obedecer quando eu chamo.” Obedecer. A palavra grudava nos meus pensamentos como algo sujo, errado, incompatível com a mulher que dormia a poucos metros de mim. Ângela, que ria alto, que me chamava de exagerado quando eu falava de pecado, que dizia querer uma vida simples comigo. Aquela voz não combinava com ela. Não combinava com nada do que ela dizia ser. Eu ainda segurava o celular na mão quando ele vibrou de novo. Dessa vez não foi chamada. Foi

