Madrugada

1063 Palavras

A madrugada tinha um silêncio diferente. Não era aquele silêncio confortável de quando a gente dorme em paz. Era um silêncio denso, pesado, quase atento demais. Como se o quarto inteiro estivesse segurando a respiração junto comigo. Ângela dormia ao meu lado, de barriga para cima, o braço jogado por cima do travesseiro, o rosto relaxado, bonito até demais para aquele momento. A respiração dela era lenta, profunda, totalmente entregue ao sono. Aquela imagem contrastava de um jeito quase c***l com o turbilhão que estava acontecendo dentro de mim. Eu estava acordado havia tempo demais. De olhos abertos. Pensando. Repassando cada detalhe do dia. Cada ligação recusada. Cada mudança sutil no olhar dela. Cada silêncio estranho que eu tinha fingido não notar. Foi então que o celular vibr

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