Kayne respirou fundo pensando no que fazer naquele momento, percebeu que o cheiro do amigo estava cada vez mais forte, até mesmo para ele que também era um ômega. Aquele vestiário estava sendo preenchido por feromônios e isso poderia ser um desastre, principalmente considerando a concentração de feromônios na aula de educação física.
— Eu vou te levar pra casa. Você veio com seu cavalo? — perguntou já sentindo-se apavorado.
Hunter olhou para o amigo e por educação estava pronto para responder “não precisa, está tudo bem.”. Mas suas ideias mudaram ao olhar para Kayne. Lá estavam os olhos de seu amigo de anos, um olhar de verdadeira preocupação. Em sua frente estava estendida a mão dele e não poderia recusar isso.
Não estava aceitando meramente ser ajudado em um momento difícil, estava aceitando se aproximar de Kayne, estava aceitando ter um motivo para conversarem novamente, uma desculpa para puxar assunto futuramente.
— Obrigado. — respondeu enfim, pegando segurando a mão do amigo e levantando do banco. — Meu corpo… está tendo reações.
— Sei. Eu sei como é. — respondeu constrangido, mostrando que aquilo já lhe havia acontecido.
Então as informações, a preocupação passaram a fazer sentido na cabeça de Hunter, ele já havia tido uma experiência.
— E quem ajudou você? Roman? — perguntou enquanto caminhavam para a saída dos fundos da escola, em direção ao local em que os cavalos costumavam ficar presos.
— Sim. — Kayne levou algum tempo para seguir com a frase, como se estivesse em uma discussão interna sobre o que dizer e fazer. — Charles vai ajudar você, então verá como é. Seu corpo vai seguir sozinho a procura do que ele precisa. — engoliu em seco, envergonhado.
Hunter apenas balançou a cabeça em concordância, seguindo o amigo até chegar em Abissal, aquele momento sendo o puro contraste do que foi a última noite em que estiveram juntos, a noite que arruinou a sua amizade. Kayne subiu em Abissal e deu a mão para Hunter subir atrás dele, começando a galopar em direção ao palácio.
— Meu Deus, que péssima ideia ir andar a cavalo nesse momento. — Hunter disse, tentando conter suas reações, mas não conseguindo evitar abraçar o amigo, contorcendo seu próprio corpo.
— O movimento, eu sei. Mas pensa que vamos bem rápido. — riu, dando o comando para Abissal ir rápido até chegarem em frente ao palácio. — Madame! Madame! — Kayne gritou em frente ao ligar.
— O que foi? — a mulher saiu pela porta dos fundos secando as mãos molhadas da louça em seu avental.
— Ajude ele, eu vou atrás do alfa. Coloque-o no banho para abaixar a febre. — pediu, ajudando o amigo a descer o cavalo.
A governanta não demorou a entender o que Kayne queria dizer.
— Pode deixar, vou ajudar o príncipe. — concordou.
Kayne balançou a cabeça e foi com Abissal atrás de Charles, o procurando pelas pequenas ruas do reino, até o encontrar junto com outros trabalhadores, recolhendo esterco dos cavalos, tirando-os das ruas.
— Charles! Precisamos conversar. — o alfa franziu o cenho, ao ver o Davis cavalgando em Abissal, achou ainda mais estranho quando ele desceu do cavalo e se aproximou.
— Aconteceu alguma coisa com Hunter?
— Sim, levei ele pra casa… com febre. — a sua forma de falar denotava que estava se referindo a outra coisa e Charles logo entendeu.
Não precisava de muitas pistas para saber do que se tratava, ainda mais por conta do cheiro do namorado que estava gradualmente mais forte dia após dia daquela semana.
— E você quer que eu vá pra casa resolver?
— Óbvio, ele vai fazer isso sozinho?
— Eu estou aqui porque o rei me colocou aqui. Ele já está me punido. O que acha que ele vai pensar sobre eu sair mais cedo do trabalho e ir ajudar o filho dele nessas circunstâncias… especiais. — olhou para Kayne com uma careta.
— Isso dói, sabia? Você deveria se importar mais.
— Infelizmente vamos ter que aguentar nossas penitências como bons transgressores. Eu tentei sair do quarto dele mais cedo essa manhã e ele não deixou, agora não estou livre pra voltar. Nossas escolhas têm consequências e Hunter sabe disso mais do que ninguém, Kayne. Ele sofre pela escolha que fez naquela noite e por ter perdido você.
O Davis ficou em silêncio por alguns momentos, absorvendo a informação. Levou alguns longos segundos encarando Charles antes de responder.
— Isso não é sobre mim e ele. Mas sobre você e ele. E você deveria ajudar ele agora. Ele precisa.
— Eu vou ajudar, não tenha dúvidas disso. — deu um pequeno sorriso malicioso. — Mas eu não posso. Agora você sabe o porquê o rei me odeia tanto. Não posso brincar com fogo ou vou acabar queimado.
Kayne revirou os olhos.
— Tá, faz o que quiser. Eu fiz a minha parte. — O ômega subiu em Abissal novamente. — Avisa o Hunter que vou deixar ele no estábulo.
Charles concordou.
— Obrigado, Kayne. Você foi um bom amigo.
O Davis concordou, balançando sua cabeça em afirmação e voltando com o cavalo para o estábulo.
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Hunter tomou um banho morno para baixar a temperatura de seu corpo, tentando evitar se tocar e deixar aquelas sensações ainda mais ardentes.
Saiu do banho e secou seu corpo, logo depois vestindo apenas seu quimono de cetim. O príncipe jogou-se sobre sua própria cama, abraçando o travesseiro usado por Charles contra seu próprio corpo, sentindo o cheiro do alfa impregnado na fronha.
Queria que ele largasse tudo e viesse correndo assim que Kayne o chamasse, mas conhecia bem demais o namorado e sabia que isso iria demorar, por mais que Charles sempre dissesse que lutaria contra o rei para ficarem juntos, ele nunca se demonstrou valente o bastante. Talvez um pouco rebelde, aceitando ter um caso às escondidas e fazendo aquilo que o rei ordenou que não fosse feito, como um filho adolescente, mas nada direto, nenhum confronto. Para o Parker era sinal de respeito, para Hunter era uma tremenda covardia.
Apertou ainda mais forte o travesseiro contra o peito, esfregando-se nele apenas um pouco, inalando o cheiro da alfa apenas um pouco.
Talvez fosse culpa sua. Se tivesse deixado Charles sair do quarto antes do dia amanhecer, talvez ele estivesse de volta antes do anoitecer. As ações geram consequências e precisava lidar com elas.
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Hunter se revirou o dia inteiro e logo a noite chegou, trazendo com ela ainda mais ansiedade. Quando mais ansioso e necessitado se sentia, mais devagar o tempo passava.
Hunter ouviu os sinos da cidade tocando, dando início ao toque de recolher e percebeu que já era tarde, Charles já devia estar em casa e simplesmente não subiu até seu quarto. Ficou um momento se questionando qual seria a razão disso, mas não perdeu muito tempo com divagações.
Seu corpo estava quente e parecia se contorcer em anseio. Levantou da sua cama e amarrou a corda de seu quimono, saindo do quarto e descendo as tão costumeiras escadas até o quarto de Charles, ainda que dessa vez sem nítida alegria, com certa dificuldade.
Nem precisou abrir a porta para saber que o alfa estava em casa, do último lance de escadas já dava para sentir seu cheiro, o que pareceu dar forças para as pernas de Hunter percorrerem aquele caminho e enfim estar com ele.
O príncipe abriu a porta rapidamente, vendo Parker nu em frente à escrivaninha do quarto, segurando na ponta do móvel com força, como se quisesse se prender a ele.
A visão deixou Hunter levemente chocado, entendeu o que queriam dizer sobre como era fácil saber quando um alfa do fogo nascia.
As veias de Charles estavam saltadas e o laranja fluorescente corria por debaixo da pele, como se fosse lava.
— Por que não foi até mim? Sabe como estou me sentindo? — perguntou um tanto ofegante, fechando a porta e se escorando nela.
— Fique longe de mim. — Charles rosnou.
— Por quê? Charles, eu preciso. — pediu manhoso.
— Eu não estou conseguindo me conter. Seu cheiro me deixa desnorteado e se eu for até o fim com você, vou te machucar. Você precisa achar outro alfa, ficar perto de mim não é seguro.
— Você não pode me machucar, sabe que eu tenho o dom da cura também, não vai me machucar.
Charles suspirou, olhando em direção ao namorado, mostrando que seus olhos haviam sido substituídos pelas chamas.
— Está muito difícil, Hunter. Desde a hora que eu cheguei em casa… estou sentindo seu cheiro de longe… é tão bom e eu tenho tanta vontade… — Charles tentou se conter, fechando os olhos com força novamente. — Eu vou machucar você, vou irromper numa tempestade de fogo se chegar mais perto de mim, por favor… vá embora.
— Eu sou feito pra você. Temos uma ligação eterna, Charles, não importa quão forte seja o seu dom, eu posso suportar. — o príncipe mordeu o lábio inferior e retirou o quimono, deixando o tecido escorregar pelos seus ombros, revelando sua nudez.
— Por favor, eu não quero te machucar, por favor. — o alfa pedia de olhos fechados, como se estivesse rogando uma prece.
Hunter se aproximou mais do alfa, tocando o corpo nu dele, sentindo-se melhor apenas de estar na presença do namorado. A mão subiu com suavidade pelo pescoço até parar na bochecha dele.
— Olha pra mim, você não vai me machucar, eu sou feito pra você. Você pode me tomar, porque eu sou só seu. — pediu baixinho, fazendo o Parker o olhar.
E ainda que Charles não fizesse, era tarde demais de todo modo, o garoto estava tão próximo de si que não conseguiria resistir por mais de um segundo antes de tomar os lábios dele em um beijo.
Mas a cena que viu o deixou um tanto curioso, já que o corpo de Hunter naquele momento era semelhante ao seu, entretanto seus olhos eram tomados da luz branca assim como suas veias, sua aura. Como se mesmo em meio a todo caos, ainda houvesse um equilíbrio para eles.
Os lábios se encontraram com fervor e brutalidade. Charles segurou na cintura do namorado e o colocou sobre a escrivaninha, abrindo suas pernas e não esperando um segundo a mais para estar dentro do seu ômega. Estava tentando ser tão forte o mantendo longe, mas muito antes de estar tomado pelo desejo do cio, Hunter já tinha a habilidade de lhe tirar do sério.
Exatamente como sabia que seria, não pode conter a explosão de seu dom, suas mãos que estavam em chamas, segurando com força a pele macia do príncipe que, coberta pelo poder de sua luz, não podia ser ferida. Como se o dom de Hunter criasse a película necessária para não ser machucado, mas deixar de sentir cada toque do alfa.
O garoto não poupou seus gemidos, agarrando forte no corpo do alfa, movimentando seu corpo junto ao dele para ser preenchido, para sentir aquele prazer inenarrável.
Os beijos brutos eram cortados pelos gemidos e pelo balançar dos corpos, ainda que Hunter, mordendo o lábio inferior do namorado, não o deixasse ficar mais que dois milímetros de distância.
— Eu deveria ter sido fodido assim o dia inteiro, p***a! — gemeu, apertando as pernas no quadril do Parker, que investia com força em seu interior, o mantendo preso dentro de si um pouco mais antes da próxima investida. — É disso que eu precisava, Charlie. De você assim…
— Assim como? — perguntou baixo, ofegante, sua testa junto a dele enquanto o quadril movia-se para frente e para trás com mais calma.
— Assim, dentro de mim. Me fodendo gostoso. — respondeu, beijando o namorado novamente.
O Parker sorriu, apoiando suas mãos no móvel de madeira e investindo mais forte no interior do namorado, retirando-se rapidamente quando sentiu que ia gozar, sujando o chão do quarto.
Hunter gozou junto dele, olhando para o namorado com um sorriso brincalhão nos lábios. O peito subia e descia rápido, ofegante.
— Precisamos ter cuidado. Muito cuidado.
Charles concordou, se afastando um pouco do namorado e vendo as mãos marcadas em brasa no móvel, negou com a cabeça.
— Ainda bem que treinamos bastante para ter esse autocontrole. — riu, inspirando e soltando forte o ar para controlar a respiração.
Seu dom já estava sob controle, assim como Hunter, fora de perigo… por enquanto.
— Sim, mas vamos fazer sem tanta emoção da segunda vez e usar proteção, não quero ter nenhum herdeiro agora. — sorriu, descendo do móvel e olhando seu corpo no espelho que havia no quarto do namorado, vendo que as únicas marcas em seu corpo eram dos dedos de seu namorado agarrando sua cintura.
— Isso, vamos fazer isso. Quando vai ser a segunda vez? — não era sua intenção, mas pareceu um pouco ansioso para continuar.
— Que pergunta boba. — Hunter riu, subindo na cama no namorado e engatinhando sobre ela, ficando de quatro. — Vai ser agora, Charlie. E daqui a pouco e amanhã e depois também. Não pense que eu vou poupar você só porque nossa primeira vez não está sendo no meu cio.
O Parker balançou a cabeça diversas vezes em concordância, como se estivesse absorvendo a informação.
— Tá. Isso é… isso… maravilhoso. — concordou animado, indo para a cama com o namorado.
E por mais que ainda tivesse medo das punições do rei com a descoberta daqueles atos, não havia quem pudesse lhe tirar dentre as pernas de Hunter.