Maria narrando Meu nome é Maria das Dores Almeida, mas ninguém nunca teve coragem de me chamar de Das Dores. Sempre fui só Maria, e disso eu me orgulho. Nome simples, de mulher que carrega o mundo no braço, mas que não se curva pra ele. Tenho 47 anos, mas o povo vive dizendo que pareço menos. Não por vaidade, que eu nunca tive tempo pra isso, mas porque a vida me forçou a ser dura, e mulher dura não enruga, racha. Meus olhos são castanhos escuros, daquele tipo que o povo diz que lê a alma e aponta defeito. E é verdade: eu sempre enxerguei além do que me mostravam. Meu cabelo, crespo e volumoso, eu mantenho preso num coque firme, porque ele é igual a mim: se soltar demais, ocupa espaço que o mundo não tá preparado pra dar. Minha pele é morena, queimada de sol e de luta, e meu corpo… bom,

