Pantera narrando Acordei com o peso da decisão no peito, mas sem dúvida. Ayla ainda dormia, um braço estendido sobre o Lucas, os dois formando um só vulto sob o cobertor. Cena que corta a respiração. Cena que vale qualquer guerra. Sai na ponta dos pés pra laje. O morro amanhecia cinza, o ar carregado do cheiro de chuva que não viera. A poeira do ontem tinha assentado, mas a memória do baque na avenida ainda ecoava nas paredes. Tinha que limpar essa página também. Tudo. De cima a baixo. Liguei pro Magrin. — Bão? — Firme, chefe. O povo tá quieto. O assunto… resolveu lá embaixo. — Não é mais assunto. É passado. Agora é outro serviço. — Pode falar. Fiquei olhando pro barraco da mãe do Lucas, lá no meio do beco, porta sempre entreaberta como uma boca sem dentes. — A mãe do pivete. Tá

