Paz dos escombros

1547 Palavras

Ayla narrando O Lucas finalmente dormiu. Um sono agitado, cheio de suspiros trêmulos. Ele não viu nada, mas as crianças do morro têm antenas para o terror. Sente no ar, na respiração dos adultos, no silêncio que desce antes da tempestade. Passei os dedos pelos cabelos úmidos da testa dele, sentindo o coração acelerado aos poucos sossegar contra o meu braço. Do lado de fora, o morro está quieto. Uma quietude estranha, de velório. Não tem funk, não tem vozerio, nem o barulho costumeiro das TVs. É como se todos estivessem escutando o eco do que aconteceu na praça… e depois, lá embaixo, na avenida. Eu não vi. Mas ouvi. Ouvi o guinado dos pneus que não era de rotina. Ouvi o baque surdo que cortou a noite. E depois, o silêncio mais absoluto. Mais assustador que qualquer gritaria. Meu próprio

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