F2 Já tinha uma semana que tinha acontecido aquela merda lá na boca. Depois daquele dia, nem eu nem o Predador trocamos mais nenhuma palavra. Nem mensagem, nem rádio, nem recado por ninguém. Nada. E isso era estranho. Porque a gente nunca ficou sem se falar. Podia brigar, podia discutir, podia sair na mão se fosse preciso, mas ficar sem se falar desse jeito, como dois desconhecidos, nunca tinha acontecido. Minha rotina agora era outra. Eu ficava na loja da Samira ajudando ela, resolvendo coisa de fornecedor, estoque, essas coisas. Depois ia levar a Ceci na escola, buscava ela, ficava com elas em casa. Isso ocupava a cabeça um pouco mas não era meu ritmo. Meu ritmo era a rua. Era o morro. Era rádio chiando. Era resolver problema. Era estratégia. Era mapa na mesa. Era olhar ponto alto e

