Fernando ficou parado olhando pra ele deitado na cama. Os dois não se falavam há dias, talvez mais de uma semana, e agora estavam ali de novo, no mesmo quarto, como se o tempo tivesse voltado pra trás. — Ele perdeu muito sangue? — Fernando perguntou. — Não — respondi. — Foi de raspão mesmo, mas abriu bastante a pele. Ele precisa ficar quieto, senão abre de novo. Fernando soltou um suspiro e passou a mão na cabeça. — Esse cara não sabe o que é ficar quieto. Eu olhei pra ele. — A operação foi muito r**m? Fernando deu uma risada sem humor nenhum. — Foi um inferno. Subiram por três lados. Se a gente não tivesse segurado lá embaixo, eles teriam entrado rasgando o morro todo. Eu senti um arrepio só de imaginar. — E você? Você tá bem? — perguntei. — Tô — ele respondeu. — Só cansado. E

