— Uma reunião com a Victória Spirit, uma conferência com o CEO da empresa Embelleze, um almoço com o senhor Lourenço e na parte da tarde somente a visita ao orfanato Raio de Luz.
— Certo, obrigada. Mais alguma coisa?
— O senhor Alexandre está esperando você na sala dele!
— Você sabe para que seja?
— Não! Ele só falou que era urgente.
— Certo. Obrigada por avisar Myrian.
— Com licença. — Ela saiu da minha sala e eu fico pensando no que papai quer, para me chamar logo cedo, pensei que depois do que aconteceu lá em casa ele ia passar um bom tempo sem falar comigo, mas pelo visto me enganei. Levanto-me de onde estava sentada e saio da minha sala e ando até a do meu pai que ficava no último andar.
Chegando lá bati na porta e logo escuto um “entre”. Faço como ordenado e vejo ele sentado na cadeira com vários papéis espalhados em cima da mesa e do sofá também, e ele sentado na mesa concentrado no visor do computador.
— Mandou me chamar, papai?
— Sim, sente-se. Eu já falo com você, deixa só eu terminar de assinar esses documentos aqui.
—Ok. — Respondo apenas isso, e enquanto espero dou uma boa olhada pela sala e vejo um documento no chão com um nome que me chamou atenção, me abaixo e pego. Começo a ler e percebo que se trata de um contrato entre duas famílias, mas o que me chamou mais atenção foi o nome de Paulo que estava ali, e como não tinha tempo de ler com mais atenção, eu guardei no meu bolso para ver do que se trata na minha sala.
— Pronto, podemos falar agora. — Avisa ele
— Sou toda ouvidos, papai.
— Então, eu chamei você aqui para termos uma conversa civilizada.
— Como assim? Não estou entendendo.
— Eu quero dizer que já que você saiu de casa, quer tomar conta do seu próprio nariz, deixando o povo falar da nossa família. — Ele revira os olhos e eu faço o mesmo, mas com motivos diferentes.
— Se o senhor quer uma conversa civilizada, então continue falando o que o senhor quer, pois estou cheia de coisas para fazer.
— Eu estive conversando com um amigo meu e como você saiu de casa recentemente e poucas pessoas sabem disso, ele me propôs uma coisa e eu aceitei.
— O que?
— Isso é assunto para outra hora. O que eu quero mesmo é que você compareça no evento na empresa em Salvador esse fim de mês, estou te avisando agora para quando chegar o dia você não ter desculpas. — Quando ia responder alguém bateu na porta e resolvi sair da sala e Fábio, secretário do meu pai, passou.
Volto para minha sala com uma pulga atrás da orelha. Achei bem estranho aquela conversa que o papai teve. Ele poderia muito bem fazer o tal convite pelo telefone, mas foi até bom também eu ter ido até lá porque achei esse papel que tenho que ver do que se trata. Coloco ele na gaveta da minha mesa e ligo o computador e começo a fazer o meu trabalho. No horário marcado vou para sala de reunião onde encontro Victoria Spirit, assim como eu ela é uma CEO no ramo de produtos de beleza, e o intuito dessa reunião é buscar parceria para a construção da minha empresa. E, depois de longas horas conversando, ficamos de marcar outra reunião para acertarmos as porcentagens, já que nessa estávamos focadas apenas nos produtos, vendo quais são os melhores que chamam mais atenção para um início de vendas.
Volto para minha sala, logo depois faço a conferência e já no meu horário de almoço sigo para o restaurante marcado para me encontrar com Lourenço. O caminho até lá não é longo, por isso fui andando mesmo. Chegando lá, sou recepcionada e sigo até a mesa onde a gerente do restaurante me indicou.
— Bom dia! Você que é o Sr. Lourenço Magalhães?
— Sim, e você é a senhorita Campos, estou certo? — Ele fala com um sorriso no rosto e estende a mão para que eu o comprimente.
— Sim, sou eu. Desculpa se te deixei esperando muito. — Falo me sentando na cadeira
— Não esperei muito, eu acabei de chegar.
— Que bom. – Ele faz sinal para um garçom que vem nos atender e nos entrega o cardápio.
— Eu vou querer a sugestão do chefe e uma garrafa de vinho tinto. – Responde Lourenço. — E você, senhorita Campos?
— Eu também.
— Certo, já trago os pedidos de vocês. — O garçom fala e sai da nossa mesa, nos deixando sozinho
— Então, senhorita Campos, você realmente é a filha do Alexandre? — Ele me pergunta com um olhar intenso.
— Sim, eu sou uma das filhas dele. Você pode me chamar somente de Ayla por favor, assim me sinto mais confortável.
— Certo, como você preferir. Ele está de parabéns, a genética é incrível. — Ele fala sorrindo em minha direção.
— Obrigada! Agora voltando ao assunto, de onde você conhece o meu pai?
— Bom, nós éramos amigos.
— Não são mais?
— Não! A gente teve uma pequena discussão por causa do nosso trabalho, depois disso ficamos nos falando, mas não era mais a mesma coisa.
— Qual trabalho vocês faziam juntos?
— Aí, pequena Ayla, é outra história. Eu não posso falar isso assim abertamente. Aqui não é o lugar apropriado para isso, mas posso te mostrar se você quiser. — Ele pisca o olho em minha direção e eu desconfio do que ele está falando. Quando eu ia responder nosso pedido chegou.
— Eu não quero conhecer, apenas quero saber.... Me fale como o meu pai conhece o Paulo? Acho que é por isso que você está aqui, não é?
— Sim. Eles se conhecem do colégio, os dois estudaram juntos, nós três éramos “os reis” do colégio. Depois que crescemos cada um começou a pensar diferente e tomar rumos diferentes, porém trabalhávamos no mesmo lugar, e daí eu discuti com o seu pai e saí. Deixei os dois no comando. O que eu tenho para te dizer é que as empresas do seu pai são de fachada, ele não é 100% um empresário.