— Vincenzo, deixa que eu dirijo para você, você não está legal para dirigir
— Relaxa Ulysses, eu estou bem!
— Então deixa eu ir com você.
— Não precisa, eu quero ficar sozinho. — Falo e logo em seguida dou partida no carro sem olhar para trás. A única coisa que eu quero fazer agora é gritar, colocar tudo que estou sentindo para fora. Por que eu tive que ter um pai como ele? Por que fez isso comigo, vovô? — Penso enquanto piso no acelerador cada vez mais, fazendo o vento frio bater no meu rosto. E chegando ao meu destino, a praia, desço do carro, tiro meus sapatos e comecei a andar sentindo a água bater em meus pés, enquanto aos poucos eu fui me acalmando. Sinto meu celular vibrar e vejo que era uma mensagem de Safira e resolvo ignorar. Ando até um quiosque que tinha lá perto e peço algumas bebidas, sempre é bom encher a cara para esquecer os problemas.
Já tinha passado não sei quantas horas, que eu estava aqui sentado bebendo, até que alguém apareceu ao meu lado.
— Oi moreno, posso sentar-me com você? — ela pergunta e eu levanto meus olhos em sua direção e vejo uma mulher loira com uma saída de praia transparente.
— Sim, fique à vontade. — dou mais um gole na minha bebida e ela pede uma para o rapaz que estava atendendo.
— Me chamo Valentina, qual o seu nome?
— Vincenzo.
— É um nome muito bonito, pena que você parece estar triste, está tudo bem?
— No momento eu só quero ficar sozinho.
— Problemas familiares ou amorosos?— ela pergunta me ignorando
— Os dois
— Me conte o que aconteceu, quem sabe eu não posso te ajudar. — Ela fala e eu olho para ela e não sei como ou porque, mas começamos a conversar e descobri que Valentina é uma ótima pessoa, ela me contou que é de Salvador, mas se mudou para são Paulo recentemente por causa do trabalho. Ela é médica e disse que viveu sozinha com a mãe desde os dois anos de idade e que seu pai as abandonou, eu contei também um pouco do que estava passando e bebemos mais, até que já estava bem tarde e eu tinha que voltar para casa.
— Foi um prazer te conhecer Valentina, mas agora eu preciso ir.— retiro o dinheiro da minha carteira e deixo em cima da mesa para pagar a conta e me levanto tombando pro lado, quase caindo e isso me fez ter uma crise de risos.
— Cuidado, assim você pode se machucar, deixa eu te levar até seu carro. — Ela fala colocando um dos meus braços em meus ombros e segura minha cintura com o outro braço. — Você está muito bêbado, cara
— Estou não, eu estou ótimo, cadê a Ayla? Eu quero a Ayla, eu preciso vê-la hoje.— digo
— Tudo bem, você vai vê-la, agora senta aí e me entrega o seu celular, você não tem condições nenhuma de dirigir esse carro.
— Não vou dar não, você quer me roubar. — Falo um pouco alto
— Tava bom demais para ser verdade. — Valentina fala pegando o aparelho no bolso da minha calça e digitou algo.
— Não é o Vincenzo, eu me chamo Valentina e como o seu número foi a última pessoa que ele falou no telefone , eu liguei para dizer que ele está aqui no carro na praia e não tem condições de dirigir, ele está muito bêbado e eu não sei onde ele mora.
— Tudo bem. Obrigado por avisar e me manda o endereço certinho por mensagem que eu chego aí em cinco minutos.
— Certo.
— Pronto, já….— Minha vista ficou completamente um escura e eu não escutei mais nada.
Acordo com uma dor absurda de cabeça, e assim que abro os olhos vejo que estou em casa, como foi que eu cheguei aqui?— falo olhando ao redor e vejo Ulysses sentado no sofá mexendo no celular.
— Que horas são? Como vim parar aqui? — perguntei ao meu amigo que me olhou com repreensão e eu coloco minhas mãos na cabeça quando ele fala alto.
— O que deu em você cara? Como pode beber tanto assim em um local público? Se esqueceu de quem você é?
— Você pode falar mais baixo, por favor? Minha cabeça parece que vai explodir. — Digo enquanto ando para a cozinha e coloco um pouco de água no copo e bebo logo em seguida junto com um analgésico. — Desculpa Ulysses, mas eu só queria esquecer tudo que aconteceu...Eu fiz algo de errado ontem? — Perguntei vendo que eram sete horas da manhã.
— Eu apenas te encontrei na cama com uma tal de Valentina. — Escuto meu amigo dizer e nessa hora eu quase tive um ataque cardíaco. Não, não, isso não pode ter acontecido.
— Você está brincando comigo, não é? - Pergunto desesperado, se fosse a alguns meses atrás eu não estaria ligando para isso, mas agora é diferente, eu estou diferente.
— Olha aqui se não acredita em mim. – Ele me entrega seu celular aberto em um site de fofocas com algumas fotos minhas e a notícia embaixo do jornal notícias topz.
O ceo Vincenzo Smith foi visto ontem à tarde em um quiosque com uma mulher, e já a noite eles saíram abraçados para o carro . Será que dessa vez Vincenzo está tendo um romance com essa mulher desconhecida? Mais informações em breve.
Termino de ler e caio sentado no sofá, e minhas memórias aparecem do dia anterior, dos momentos da minha interação com Valentina. Mas só lembro de termos conversado, como o Ulysses pode ter nos pegos na cama? Sendo que no carro ela disse que alguém ia me buscar depois que falou ao telefone.
— Você precisa tirar essa notícia do ar, Ulysses, urgentemente. Não aconteceu nada entre mim e a Valentina. A gente só conversou, eu sei que estava muito bêbado, mas não drogado para ter ido para cama com ela. — Falo enquanto pego minha carteira e camisa e ando até a porta.
— Ei, para onde você vai, cara? — Ulysses fala gargalhando
— Do que você está rindo, i****a? Eu vou atrás da Ayla, preciso contar pra ela que essa notícia é falsa. Eu não fiquei com ninguém, a única pessoa que quero é ela. Envia o link para mim por favor, eu tenho que mostrar pra ela antes que alguém faça alguma montagem maldosa.