Pré-visualização gratuita Capítulo 1
O teste caiu da minha mão antes mesmo que eu pudesse pensar.
O pequeno objeto branco bateu contra o chão frio do banheiro com um som seco, quase insignificante… mas alto o suficiente para ecoar dentro da minha cabeça.
Meu coração disparava.
Rápido demais.
Forte demais.
Eu não queria olhar.
Não podia olhar.
Mas olhei.
E lá estavam.
Duas linhas.
Nítidas.
Cruéis.
Irreversíveis.
— Não… — minha voz saiu falha, quase inaudível. — Não, isso não pode…
Minhas pernas enfraqueceram, e eu precisei me apoiar na pia para não cair. Meu reflexo no espelho parecia distante, como se não fosse eu ali.
Pálida.
Assustada.
Perdida.
Grávida.
A palavra ecoou dentro de mim como um tiro.
Grávida.
Meu estômago revirou violentamente, e por um segundo achei que fosse vomitar. Fechei os olhos com força, tentando negar, tentando voltar alguns minutos no tempo… tentando fazer aquilo desaparecer.
Mas não desapareceu.
Porque no fundo… eu já sabia.
Sabia desde os primeiros enjoos.
Desde o atraso.
Desde a sensação estranha no meu próprio corpo.
Eu só não queria admitir.
Porque admitir significava encarar a verdade.
E a verdade era muito pior do que qualquer medo.
Lentamente, minha mente começou a juntar as peças.
E só existia uma possibilidade.
Uma única noite.
Um único erro.
Um único homem.
— Não… — repeti, agora mais fraco, como se isso pudesse mudar alguma coisa.
Mas não mudava.
Porque eu sabia exatamente de quem era.
O ar pareceu faltar.
Meu peito apertou, e por um instante achei que fosse desmaiar.
Ele.
Não podia ser dele.
De todas as pessoas do mundo… não podia ser dele.
Mas era.
Meu corpo lembrava.
Minha mente lembrava.
Cada detalhe daquela noite maldita.
Cada segundo.
Cada toque.
— Você deveria ir embora.
Minha própria voz ecoou na minha cabeça, puxando a lembrança de volta como uma lâmina.
Eu estava parada perto da porta, os dedos trêmulos, tentando manter alguma distância.
Mas ele não saiu.
Alessio Caruso não era o tipo de homem que recuava.
Ele deu um passo na minha direção.
Depois outro.
Lento.
Seguro.
Como se tivesse todo o controle da situação.
Como se soubesse exatamente o que estava fazendo comigo.
— Se você realmente quisesse isso — a voz dele saiu baixa, perigosa — já teria aberto a porta.
Meu coração disparou.
Eu deveria ter feito isso.
Deveria ter ido embora.
Deveria ter mantido distância.
Mas não consegui.
Porque havia algo nele.
Algo errado.
Algo perigoso.
Algo que me puxava… mesmo contra a minha vontade.
— Eu te odeio — eu disse, tentando me convencer mais do que a ele.
Um leve sorriso apareceu nos lábios dele.
Frio.
Provocador.
— Eu sei.
E então ele chegou perto demais.
Tão perto que eu podia sentir o calor do corpo dele.
O cheiro.
A presença.
— Mas isso não está te impedindo agora, está?
Minha respiração falhou.
E naquele momento…
Eu perdi.
Perdi o controle.
Perdi o bom senso.
Perdi tudo.
Abri os olhos com força, voltando ao presente.
O banheiro parecia menor.
Mais sufocante.
Mais real.
— Droga… — levei a mão à boca, tentando conter o desespero que crescia dentro de mim.
Aquilo não podia estar acontecendo.
Não comigo.
Não com ele.
Alessio Caruso.
O homem que destruiu a minha família.
O homem que tirou tudo de mim.
O homem que eu deveria odiar acima de qualquer coisa.
E agora…
Eu estava carregando um filho dele.
Uma risada nervosa escapou dos meus lábios, completamente sem humor.
Aquilo era uma piada c***l.
Uma ironia doentia.
Ou talvez… um castigo.
Minhas mãos começaram a tremer.
O que eu ia fazer?
Como eu ia esconder isso?
Porque uma coisa era certa:
Ele não podia descobrir.
Nunca.
Alessio não era o tipo de homem que aceitava surpresas.
Ele controlava tudo.
Sabia de tudo.
E quando algo saía do controle…
Ele resolvia.
Do jeito dele.
Meu coração apertou com força.
Se ele descobrisse…
Fechei os olhos, tentando afastar o pensamento.
Não.
Eu não podia deixar isso acontecer.
Eu não ia deixar.
Respirei fundo, tentando recuperar o mínimo de controle.
Precisava pensar.
Precisava agir.
Precisava sair dali.
Mas antes de qualquer coisa…
Olhei novamente para o teste no chão.
As duas linhas ainda estavam lá.
Firmes.
Inquestionáveis.
E, pela primeira vez, uma verdade me atingiu com força total.
Isso não ia desaparecer.
Isso era real.
Levei a mão lentamente até o ventre, como se aquilo pudesse mudar alguma coisa.
Mas não mudou.
Nada mudava.
Porque, no fundo…
Eu já sabia.
Minha voz saiu em um sussurro quebrado:
— Não pode ser dele…
Mas até eu sabia que era mentira.