Capítulo 18

2228 Palavras
Zander Pepper Estou nos corredores do hospital, já auxiliei Arthur no que ele precisou pela manhã e à tarde fiquei designado a emergência, nos últimos dias tem sido bem corridos no hospital, mas tenho tirado tudo muito bem, vejo que realmente nasci para o trabalho, não gosto de ver pessoas machucadas ou doentes, mas é bom toda essa correria e ser responsável pelos cuidados de alguém. Acabo de fazer um pequeno curativo num cara que teve uma pequena queda de moto, logo ele é liberado e é minha hora de uma pausa para um lanche, penso em ir à cafeteria do hospital para um café forte, e é isso que vou em busca quando vejo uma pequena comoção pelo corredor que estou passando, que é perto da entrada. — O que aconteceu? — Pergunto a um dos enfermeiros que passava em direção contrária da comoção. — Estou indo preparar as salas de cirurgia, houve um acidente de carro, um caminhão bateu com tudo na frente do carro, houve mais uns três carros na batida, pelos menos umas seis pessoas feridas, a pessoa do primeiro carro está em risco, teve várias paradas cardíacas durante o caminho na ambulância. — Meu Deus que tragedia, estão precisando de ajuda? — Algumas pessoas com ferimentos leves, é bom dar uma olhada e limpar as feridas. — Ok, vou ver o que posso fazer. Ele sai em direção as alas cirúrgicas, ando por entre algumas pessoas que se juntaram para ver o acidente, vou em direção a toda comoção das ambulâncias quando uma maca vem em minha direção, parece ser um homem, ele está com a cabeça virada em minha direção, só posso ver seus cabelos e seu corpo todo ensanguentado, me sobe um arrepio tão grande que sinto falta de ar, paro ali no meio do corredor, meus olhos vidrados naquele corpo, quando a maca passa ao meu lado, meu peito parece a ponto de sair pela minha boca, minhas pernas nem as sinto mais, elas estão trêmulas, o grito de pavor fica preso em minha garganta. Não posso acreditar no que meus olhos estão vendo, não posso acreditar que isso seja real. — Paulinho. — Minha voz finalmente sai, juntos com as lágrimas que queima em meus olhos. Vejo seu corpo sendo levado e vou atrás, seu rosto está pálido quando chego perto, seguro sua mão e ela está fria. Quase não consigo enxergar nada com as lágrimas embaçando minha visão. — Irmão. Não por favor, que isso seja mentira. — Zander, você o conhece? — Um dos enfermeiros que empurra a maca me pergunta, eu m*l posso ver seu rosto para dizer de quem se trata, meus olhos estão fixos no meu Paulinho. — Ele é meu amigo, meu irmão. — O choro vem mais forte. — Meu Deus como isso foi acontecer? Paulinho, Paulo. — Estou tão desnorteado que quero gritar quando mãos tentam me afastar do meu irmão. — Eu não posso deixá-lo, não posso, ele precisa de mim. — Por favor Zander, precisamos levar ele para a sala de cirurgia. — As mãos me puxam com mais força e a maca é levada pelas portas e eu fico para trás, com alguém me contendo de chegar até o Paulo. — NÃO. PAULO, PAULINHO. POR FAVOR. POR FAVOR DEUS, NÃO LEVA ELE, NÃO LEVA. Sou virado e abraçado com força, meus gritos e choro sendo contido pelo meu rosto que está no peito de alguém, é como se tivessem tirado meu coração do peito, é uma sensação angustiante, queima, me deixa a ponto de enlouquecer. Se eu perder meu irmão como poderei seguir com minha vida? O que vou fazer sem ele? Quando apenas meus soluços são ouvidos, sou afastado do peitoral da pessoa que me continha, conseguindo ver melhor vejo que é Alberto, um dos donos do hospital que é amigo de Arthur. — Está melhor Zander? — Quero chorar novamente, mas apenas aceno com a cabeça e desvio meus olhos dos seus, devo estar todo vermelho e com os olhos inchados, não uma boa aparecia para ficar de frente com um dos donos do local onde trabalho. — Tudo bem, eu entendo sua dor, tenha certeza de que aqueles médicos lá dentro fará o possível para que seu amigo saia dessa bem. — Obrigado. — Minha voz sai estranha e rouca. Minha cabeça está um caos completo, não sei a quem me agarra, a quem implorar para que Paulo saia dessa com vida, sua situação não era nada favorável, mas peço por um milagre, que ele viva, apenas isso, que ele fique vivo. — Vou deixar você aqui, está dispensado até seu amigo ter melhora, vou falar deixar tudo pronto para que apenas volte depois de alguns dias. — Quero chorar agora pela gentileza desse homem, estou em fragalhos mesmo. — Muito obrigada mesmo, eu não saberia como continuar com ele nessa situação. — Fique bem. — Ele diz e se vai, me deixando ali sozinho, sigo a passos rápidos para a sala de espera e apenas retiro meu jaleco e fico ali, sentado, esperando, a ficha dela já havia sido feita já que a carteira estava com ele, só me resta sentar-se aqui e esperar por notícias. Não sei quantas horas haviam se passado, sentei e me levantei na cadeira da sala de espera mais vezes do que posso contar, quando já estava para entrar em desespero e pirar vejo alguém parar em minha frente, seu cheiro e sentir sua presença me faz abaixar a cabeça e chorar novamente, mas então Arthur me toma em seus braços e me aperta com toda sua força. — Estou aqui meu amor. Pode colocar tudo para fora. — As lágrimas saem sem que alguma barreira possa impedir. — Vai ficar tudo bem, vai ficar tudo bem. — Ele é minha única família além de você e mamãe, como vou sobreviver a isso? Como posso viver sem ele? Eu não vou conseguir. — Amor, eu vou estar ao seu lado, para tudo, vou te ajudar em tudo, ele vai ficar, tenha um pouco de fé, não pense assim, não pensei na hipótese de ficar sem ele, pense que ele vai voltar para os seus braços. Apenas me mantenho ali, dentro do seu abraço, como se nada de r**m pudesse me atingir, passamos longos minutos assim, eu recebendo todo o carinho que ele tem para me dar enquanto aos poucos meu coração vai se acalmando. Alguns minutos depois que estou mais calmo, Arthur vai em busca de um café para mim, o líquido está quente e bem-vindo, a todo momento tento não tirar da minha cabeça pensamentos positivos, de que Paulinho vai ficar bem e voltará para nós o mais rápido possível. Estava com os olhos fixos na parede branca a minha frente, enquanto a mão de Arthur não largava a minha quando vi uma movimentação e alguém parando em nossa frente. Diogo tinha seus olhos vermelhos e parecia respirar com dificuldade, notei que sua mão tremia. — O que aconteceu? O que aconteceu com Paulo? — Me levanto soltando a mãos de Arthur e tentando manter a calma. — Houve um acidente, um caminhão, ele era o carro mais próximo. Está em cirurgia agora. — Ele parece perdido, coloca as mãos sobre a cabeça e se senta na cadeira ao meu lado, eu volto a sentar novamente. — Ele vai ficar bem, não vai? — Sua pergunta é quase um sussurro. — Eu não sei. — Lhe respondo baixinho. — Mas vamos torcer, rezar, para que tudo der certo e ele volte bem. — Ele acena com a cabeça, mas parece estar longe, seus olhos estão opacos e parecem sem vida, sem esperança. — Estou com medo. Não posso perder ele assim. Tínhamos planos juntos, ele não pode ir embora sem que realize todos eles ao meu lado. Estou com medo de que ele me deixe. Eu acho que não vou aguentar, desde que o conheci minha vida gira em torno dele, tudo é por ele e com ele. Como posso viver se a razão de minha existência não estiver aqui? Como posso? — Suas mãos continuam a tremer e seu pé bate insistente sobre o chão branco do hospital. — Vamos... Minha fala é interrompida com a movimentação na sala de espera, levanto meus olhos e vejo o médico responsável pelo Paulo em nossa frente, pela expressão dele, parece cansado, não é para menos, passou horas naquela sala, só quero notícias boas sobre meu irmão, quero acreditar que essa expressão é apenas pelo cansaço e não por más notícias. — Oi, sou o médico responsável por Paulo Perrone, deve ser os familiares dele? — Sim, sou o namorado. — Diogo se pronúncia. — O hospital ligou para mim, sou eu que consto para ligações de emergência. — O médico suspira, eu já esbarrei com ele algumas vezes pelo hospital, todos falam dele muito bem, que ele é um bom cirurgião. — Então doutor, correu tudo bem? — Sua expressão me deixa desnorteado. Não pode ser... — Sinto muito, fizemos tudo ao nosso alcance, ele não resistiu... Já não escuto mais nada ao meu redor, sinto como seu meu coração tivesse sido arrancado a força de dentro de mim, procuro pelo ar e não o encontro, é tão doloroso, ele estava comigo a alguns dias, e hoje, ele apenas não existe mais, não vou poder ligar, não vou mais ver seu sorriso, ouvir sua voz rouca pela ligação, não vou ter mais seu abraço, como pode alguém apenas deixar de existir assim? Nunca tinha sentido essa dor, ela dilacera, vai te corroendo de dentro para fora até que você não passe apenas de uma casca sem vida. Me tiraram algo tão importante, tão especial, me tiraram um pedaço de mim, me tiraram momentos lindos que poderíamos ter vivido no futuro, ele não vai saber se um dia irei me casar, se irei ter filhos, tiraram tudo isso dele também. Como pode? Por quê? Por que Deus tinha que levar ele? Eu só o queria ao meu lado, continuar presenciando seus sorrisos, suas piadas, ter seus abraços, suas palavras de conforto, ou apenas seu silêncio reconfortante enquanto acariciava meus cabelos durante um filme de romance que víamos juntos. Cada momento que passamos juntos vem como uma enxurrada sobre mim, por que se tornou difícil continuar respirando? Talvez seja porque um dos responsáveis de me manter respirando não está mais aqui. Escuto vozes alteradas e choro ao longe, alguém chama por mim, mas não sou capaz de focar minha visão, parece que fui engolido por uma escuridão que parece não ter fim. Arthur Allbertilli Ver meu namorado nessa situação e me sentir inútil me corta a alma, não posso fazer nada para diminuir sua dor ou pelo menos para o acalmar, seus olhos parecem distantes e se não fosse pelas lágrimas que caem de seus olhos eu diria que ele tinha simplesmente deixado seu corpo, tento me manter forte e passar meu amor e apoio para ele, mas por mais que eu o chame ele parece não me ouvir. — Amor, por favor, volta, eu sei que está doendo, mas não me deixe aqui assim. Por mais que eu tente ele parece ter entrado em estado de choque, chamo e nada, ao contrário dele, Diogo parecia desolado, teve que seu sedado, pois parecia que a qualquer momento iria surtar, não parava de gritar o nome de Paulo, ajoelhado e puxando os cabelos com certa força, foi preciso três enfermeiros para contê-lo e levá-lo sedado. De mãos atadas sem saber o que fazer, apenas abraço meu amor com força, sentindo suas lágrimas molharem minha camisa, quando sinto seu corpo pesar sobre o meu, tento olhar para seu rosto mas logo noto que ele desmaiou, decido que é melhor manter ele sobre vigilância, chamo por uma enfermeira que logo prepara um quarto para ele, administro um sedativo no soro e acho melhor manter ele dormindo por algumas horas, ele está exausto e esperar notícias, logo precisa descansar para encarar tudo isso. Quando em fim ele está acomodado e respirando com calma, me sento na poltrona ao lado da cama e me permito chorar, Paulo era uma grande pessoa, não o conhecia como o meu amor o fazia, mas tinha certeza que com o tempo seriamos ótimos amigos, sempre alegre, lembro-me do nosso primeiro encontro na porta de minha casa e sua maneira alegre de lidar com tudo, era e continua sendo um ótimo amigo, vou sentir falta dele, então imagino como meu amor deve ter se sentindo, perder alguém assim nos machuca muito, nos deixa sem chão. Enxugo minhas lágrimas e olho para o rosto sereno do meu amor, seu eu pudesse faria toda essa dor não existir, evitaria qualquer coisa que o deixasse desse modo, seus olhos sem vida me deixaram com um sentimento de ser incapaz, eu queria tanto poder fazer algo para que meu amor não passasse por isso. Mas o que estiver ao meu alcance irei fazer, darei todo meu amor ao meu namorado, estarei ao seu lado sempre, não deixarei que ele caia, irei ser o seu chão se preciso for. Eu o amo tanto, não quero que isso seja mais doloroso do que já é, não posso mudar nenhum desses acontecimentos, mas posso estar ao lado dele, segurando sua mão e dando todo meu apoio e amor.
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