Capítulo 17

2059 Palavras
Uma semana depois Arthur Albertilli Toda minha rotinha voltou ao normal, trabalho em meus horários certinho, auxílio Zander em seu tempo de estágio, tudo parece muito normal e calmo, não vou mentir em dizer que não sinto ainda pouco de dor pela morte do homem que deveria ser meu pai, mas aos poucos fui aprendendo a não dar muita importância ao fato dele não estar mais aqui, ele nunca foi presente como um pai deveria ser, então devo continuar a não sentir falta dele, morto ou vivo, ele nunca esteve ao meu lado, cuidando ou me amando, ele sempre foi distante, agora é apenas um distante diferente. Término todas as minhas consultas do dia e dou por encerrado meu longo dia de trabalho, não tem nenhuma emergência para atender então apenas desligo o computador e começo a arrumar os papeis e minhas coisas em cima da mesa. Quando o ramal toca. Suspiro, rezando para que não seja algo urgente. — Oi Amanda. — Arthur, sua mãe deseja falar com você. — Me recosto sobre a cadeira, sinto meu corpo tremer, o que ela ainda quer comigo? Apesar do medo que sinto do que pode sair da sua boca, toma uma longa respiração e falo. — Deixe que ela entre, obrigado Amanda. — Tudo bem, Arthur. Acabo de arrumar todas as minhas coisas, minhas mãos estão tremulas e suadas, mas não deixo que isso me abale ou transpareça toda essa tensão em minha expressão, quando ela entra pela porta, com suas roupas chiques e de grife, mantenho minha pose seria, quase neutra. — Filho. — Diz em cumprimento enquanto se senta na cadeira em frente minha mesa. — Mãe. — A respondo, não deixando que transpareça minhas emoções, que no momento estão entre confusão e medo. — O que deseja falar comigo? — Ela não desvia seus olhos dos meus, se eu estou com uma expressão neutra, a dela está inabalável, fria. — Vim pedir para que volte para casa. — Quase chego a revirar meus olhos. — Novamente com esse assunto? Eu nunca mais vou voltar para debaixo daquele teto, não vivo pelo menos. — Falo com toda sinceridade. — Seu pai não está mais entre nós, podemos viver em harmonia se entrarmos em acordo sobre algumas questões. — Ela diz tudo isso sem ao menos pestanejar, parece que ela superou rápido a tristeza pela morte do marido. — E quais seriam esses acordos? Deixar o Zander? Não o levar a sua casa. Por favor, eu não quero viver se não for ao lado dele, então nada que me diga nesse momento pode me fazer voltar para aquela casa. — Pela primeira vez sua expressão muda, ela agora demonstra raiva. — O que viu naquele ser? Pelo amor, tem pessoas muito melhores por aí, poderíamos entrar num acordo onde eu aceitaria se você namorasse um homem de verdade, não aquilo. — Chega! — Estou quase gritando quando paro suas falas transfóbicas. — Jamais vou admitir que você fale dessa forma do Zander na minha frente, ou você para com isso ou eu vou ser obrigado a denunciar você. Zander é um homem maravilhoso, UM HOMEM, e não é o que você acha ou deixa de achar que vai mudar isso. Vá embora se não tem nada melhor para me falar, esqueça que eu existo, assim como fez durante todo o tempo que eu estive naquela casa, aproveite que não tem ninguém para quem voltar e despejar suas falas nojentas e aproveite todo seu dinheiro com suas roupas e passeios chiques. Me esquece, assim como eu pretendo esquecer que você um dia fez parte da minha vida. — Eu sou sua mãe, Arthur, não tem como tirar da sua vida assim. — Sua voz transborda raiva, ela se levanta e espalma sua mão sobre minha mesa, batendo com força. — Exijo respeito. — Você nunca me respeitou, nunca respeitou quem eu sou, quem eu amo, nunca respeitou as coisas que gosto, como pode exigir algo de mim que nunca me deu? — Sua expressão é de choque. — Por favor, vamos acabar de uma vez por todas com isso, vá embora da minha vida, me deixe pela primeira vez na vida ser feliz. — Meus olhos não aguentam mais segurar as lágrimas, meu peito queima com a dor. — Apenas uma vez seja a minha mãe e respeite a minha vontade. — Vejo que ela tenta segurar seu próprio choro. — Seja minha mãe ao menos uma vez e respeito minha decisão de não ter você mais em minha vida. Vá embora. Por favor. — Meu peito se aperta nesse momento, mas não posso mais viver desse jeito, não posso manter pessoas assim na minha vida, mesmo que essas pessoas seja minha própria mãe. Após um aceno de cabeça que parecia conformado ela levantou da cadeira e foi embora, me sentei sobre a minha e respirei aliviado por não ela não ter feito um escândalo ou ter tentando me forçar ainda mais a voltar para casa e viver sobre suas regras que apenas tiravam o pior e mim, nunca mais pretendo ser aquele Arthur que vivia com medo e apenas balançava a cabeça concordando com tudo que me era dito, hoje pretendo ter minha voz ativa, nunca mais me esconderei sobre a sombra do meu pai. Zander Pepper Como cheguei cedo e antes do Arthur, fui para minha casa, tomei um banho e ia começar a fazer nossa janta. As últimas semanas foram bem movimentadas, Arthur muitas vezes se encontrava cabisbaixo pelos cantos de casa, uma hora ele parecia ter aprendido a lidar com a morte do pai, mas no segundo seguinte ele parecia fragilizado e quase a ponto de desabar, foram semanas conturbadas, uma enxurrada de informações e notícias ruins, hoje peço e oro com tudo de mim para que finalmente a sonhada paz se faça presente em nossas vidas, nem vou muito tocar no assunto, vai que eu atraia mais coisas ruins, que isso não aconteça. Para manter meu bom humor e esperanças por dias melhores, ligo meu celular no último volume numa lista de reprodução aleatória das músicas que mais gosto e vou para a cozinha, enquanto canto com minha voz nada afinada eu sigo preparando o jantar e um bolo de cenoura de sobremesa, Arthur não é muito fã, mas come por causa da cauda de chocolate, então como eu amo o bolo eu faço e o forço a comer, mas aqui vivemos em uma democracia, ele também me obriga a comer panquecas de café da manhã quando ele faz. Sorrio, lembrando dos nossos momentos juntos, temos ficado tanto tempo juntos que nem mesmo sei mais onde é minha casa, já que vivemos pulando de um apartamento para o outro, as vezes faltamos nos matar porque cada um quer uma coisa do seu jeito, mas falar a verdade? Não me vejo mais longe dele, quero compartilhar cada momento com ele, ter ele ao meu lado, cuidando de mim assim como eu cuido dele, não tem mais como negar, eu amo demais ele, cada coisa que ele faz por mim, cada sorriso, a evolução dele como ser humano, tudo isso me fez gostar dele e querer estar ao seu lado, Arthur foi muito censurado durante toda a sua vida, ele nunca pode sem quem ele realmente é, e o homem que ele me mostra ser hoje é espetacular, hoje ele tem suas próprias opiniões, nunca se cala diante algo errado, me protege com tudo que ele tem, eu não preciso de um herói que irá tomar todas as minhas dores, eu precisava de um Arthur, ele me deixa dividir minha dor com ele e sempre recebo um abraço quentinho e acalmador de coração, como se não apaixonar por homem assim? Acho que pensei tanto nele que meu celular dá uma pausa na música que estava tocando e um outro toque começa olhando a tela vejo que é ele me ligando. — Oi. — Atendendo, meu sorriso não pode ser disfarçado. — Oi meu amor, ligando para dizer que logo estou em casa, só tive que resolver umas coisas de última hora, mas logo eu chego. — Está bom, até que achei que demorou mais do que o previsto quando me disse mais cedo. Mas tudo bem, estou preparando o jantar, venha direto para meu apartamento. — Está bom amor. Até daqui a pouco. A ligação é encerrada e volto ao preparo de tudo, minutos depois a mesa está arrumada, coloquei uma vela para dar um clima mais romântico, depois da semana que passamos merecemos um momento só entre nós dois, um jantar a dois pode ser o começo. Me sirvo de uma taça de vinho, afinal eu posso relaxar pelo resto da noite de hoje, estou no meu segundo gole quando a porta é aberta e por ela passa Arthur, assim que nossos olhos se encontram é impossível não sorrir um para o outro, deixo a taça de vinho sobre a mesa e ando ao encontro dele, que deixa a mochila sobre o sofá e agarra minha cintura quando estou próximo o suficiente, nem parece que nos vimos a horas atrás no hospital. — Oi meu amor. — Ele diz, deixando um beijo bem gostoso em minha boca, sua língua explora tudo com lentidão, me deixando com as pernas bambas em seus braços. — Oi. Terminou tudo bem? — Ele te uma expressão de raiva misturado com dor, o que me deixa em alerta. — Foi tudo bem. — Tem certeza? Você não fez uma cara boa quando eu perguntei. — Ele suspira em derrota e me puxa para sofá, me fazendo sentar em seu colo. — Apenas minha mãe que apareceu no hospital. — Não sei o que pensar disso, talvez a morte do marido a tenha feito enxergar o modo horrível a qual tratavam o próprio filho? — O que ela queria? — Me tirar do sério, eu sinceramente não sei o que se passa na cabeça dessas pessoas, ela me propôs algo horrível. É tão difícil assim aceitar o diferente dela? Eu não sei realmente por que é tão difícil de aceitar e respeitar. — Ele parece muito cansado de repente, muito diferente do homem que sorriu para mim quando entrou pela porta, isso está sugando toda a sua energia. — Para algumas pessoas, é difícil compreender o que para ela é diferente, de outro mundo, talvez seja pela criação que teve, ou apenas maldade em seu coração, eu não saberia dizer com exatidão, só temos que fechar nossos corações para as palavras maldosas e abrir nossa boca, seja denunciando ou apenas colocando a pessoa em seu lugar, devemos lutar pelos nossos direitos, afinal somos todos humanos e vivemos em uma sociedade onde existem regras, que devemos cobrar para serem cumpridas. — As vezes cansa, as vezes só queria uma vida sem luta por respeito ou pela minha própria existência. — Sorrio triste e começo uma massagem em seus ombros, ele fecha os olhos e deita a cabeça no encosto do sofá. — Eu sei. — Sinto um leve aperto no peito, sonho com uma sociedade justa e sem preconceito, mas agora só temos isso em nossos sonhos, mas isso não quer dizer que devemos desistir. — Eu estarei ao seu lado toda vez que você se sentir cansado, estarei ao seu lado lutando contigo. — Ele abre os olhos e fixa os mesmos sobre mim, seu olhar de admiração me deixa com as bochechas vermelhas. — Eu te amo. Você é a pessoa mais incrível que tive o prazer de conhecer. — Sorrio, suas palavras aquecendo meu coração. — Eu também te amo. — Falo, aproximando meu rosto do seu e deixando um beijo casto sobre seus lábios. Aperto suas bochechas entre minhas mãos e sorrio largo para ele, beijo o biquinho fofo que se forma em seus lábios com minha ação. — Vamos jantar, deixe esses assuntos sérios para depois. Seu sorriso volta a ser relaxado. — Vamos. Nos levantamos e seguimos para a mesa, temos um jantar tranquilo e recheado de perguntas, falamos um do outro nos conhecendo ainda mais, cada pequeno detalhe que ele me conta sobre sua vida e seus gostos me deixam fascinado pelo homem que ele é hoje. É tão bom ter alguém com quem compartilhar pequenos momentos assim, que na verdade são momentos mágicos e inesquecíveis.
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