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2223 Palavras
Dulce Nós voltamos para casa no dia seguinte depois do almoço. A família de Christopher me fez prometer que voltaria e eu me mostrei bem animada com a chance de poder vê-los de novo. Aquele fim de semana passou rápido, mas me fez um bem grandioso e eu guardaria aquelas doces sensações dentro de mim.  Eu dormi no carro por toda a viagem e quando chegamos, eu m*l me preocupei em descansar. Tinha que me arrumar para aquela noite. Thomas me mandou uma mensagem para avisar do horário em que me buscaria e disse que no lugar para onde íamos, não eram permitidos celulares, portanto, eu deveria deixar o meu em casa.  Christopher ficou em seu apartamento, dormindo a tarde inteira. Já eu, tive um verdadeiro dia de beleza e fiquei pronta dez minutos antes do horário marcado. Meus cabelos estavam soltos em ondas volumosas, meu olhos marcados com um delineado delicado e meus lábios bem vermelhos, quase vinhos.  Optei por usar um vestido preto básico, colado ao corpo. Fácil de vestir e fácil de tirar. Nos meus pés, um salto alto preto. Complementei usando brincos dourados, um colar que combinava com eles e uma pulseira fina em meu pulso.  Thomas mandou uma mensagem dizendo já estar na portaria e eu fui até a porta pronta para sair. Assim que abri, dei de cara com Christopher, vestindo um pijama e com a cara ainda um pouco amassada, como se tivesse acabado de acordar.  — Vai sair? — perguntou com estranheza.  — Vou. — falei apenas.  — Achei que iria querer descansar depois da viagem.  — Pois é, eu não estou tão cansada. — sorri sem jeito.  — Eu ia te chamar para jantar, mas... — olhou-me de cima a baixo, parecendo esquecer do que dizia, me comendo com os olhos. — Uau...  — Estou linda, eu sei. — sorri.  — Vai sair com alguma amiga? — arqueou a sobrancelha.  — Um amigo. — desviei o olhar.  — Ah... — ele recuou um pouco, baixando os seus ombros, claramente desanimado. — Vou parar de fazer perguntas. — forçou um sorriso. — Divirta-se.  — Obrigada. — nos olhamos desconfortavelmente uma última vez, antes de ele assentir e voltar para o seu apartamento.  Suspirei pesado, como se segurasse o meu fôlego por horas e enfim tranquei a minha porta e fui até o elevador. Eu sabia que agora Christopher estaria sozinho, lamentando-se por não poder fazer nada enquanto eu estivesse tendo um encontro com outro homem. Pela primeira vez, eu senti um peso em meu peito ao pensar nisso. Sempre achei que não deveria me importar, afinal, eu não era responsável por seus sentimentos, mas agora eu me senti mesmo muito m*l.  Quando as portas do elevador se abriram, eu voltei para a realidade, sacudi minha cabeça para me concentrar e caminhei até a portaria, onde Thomas me aguardava. Ele sorriu ao me ver, lançou-me um olhar de desejo sobre o meu corpo e ofereceu-me o seu braço, começando a me guiar até o seu carro.  — Para onde vamos? — perguntei quando ele começou a dirigir.  — Não seja impaciente, querida. — olhou-me de canto. — Está muito bonita. Vai fazer sucesso hoje.  — Como assim? — franzi a testa.  — Não se preocupe, não vou deixar ninguém tocar em você além de mim. Sou bem possessivo. — sorriu cinicamente.  — Por que mais alguém tocaria em mim? — comecei a me assustar.  — Paciência. — limitou-se a dizer apenas isso.  Eu queria fazer dezenas de perguntas, mas vendo que ele não me responderia direito, eu achei melhor esperar para ver o que me aguardava. Thomas dirigiu até um bairro chique, cheio de mansões mais afastadas do centro da cidade. Foi até os portões da mansão mais isolada, de onde eu podia ver uma fila de carros que entrava no local.  — É algum tipo de clube? — perguntei ao notar que um dos motoristas entregava uma espécie de convite preto para um dos porteiros.  — Sim e é bem exclusivo. É frequentado apenas por sócios e aqueles que receberem um convite oficial de um deles. Só vai ver gente da mais alta sociedade lá dentro.  — Ok, isso não parece tão m*l.  — Eu simplesmente adoro esse lugar. — ele riu, mas sua risada saiu um tanto quanto maldosa.  Na entrada, ele deu apenas seu nome e nos deixaram passar. Logo, deduzi que Thomas era um sócio. Ele estacionou numa vaga que parecia ter sido reservada para ele e depois, com meu braço agarrado ao seu, me guiou até a entrada, que era guardada por dois guardas enormes, que mais pareciam duas muralhas.  Passamos por um corredor bem chique, largo e grande, por onde vários outros casais também entravam. Isso era o mais estranho: todo mundo ali tinha um par. Não vi ninguém sozinho.  — É uma regra entrar com acompanhante? — eu ri, em tom de brincadeira.  — Sim. — parei de rir com a sua resposta. — Ninguém deve correr o risco de ficar sozinho num lugar como esse.  — E por que não?  Quando enfim entramos no salão principal, eu fiquei levemente chocada. Vi algumas pessoas em gaiolas, algumas nuas, outras usando roupas de látex preto e outras com roupas que cobriam tudo, menos suas partes íntimas. Essas pessoas eram tocadas de forma invasiva por qualquer um que passasse, mas eles pareciam não se incomodar com isso. Ao contrário, sentiam prazer com cada gesto s****l vindo de estranhos. Observei também algumas pessoas usando coleiras, andando atrás da pessoa que as puxava, como cães. Eram casais de todos os tipos, héteros, homossexuais, lésbicas... vi até uma mulher trazendo outras duas em coleiras.  Nos sofás, acontecia de tudo que fosse mais bizarro. Um homem estava chupando os pés de uma mulher enquanto ela lhe deferia xingamentos e palavras humilhantes, o chutando vez ou outra. Embrulhou-me o estômago ver o prazer nos olhos dele.  Observei uma espécie de altar com vários assentos, onde algumas pessoas observavam o resto da festa, enquanto tinham um ou dois submissos sentados aos seus pés, tendo suas cabeças acariciadas como bichinhos de estimação.  — Que p***a é essa? — eu exclamei arfante.  — Já ouviu falar de s************o? — Thomas perguntou e eu o encarei incrédula. — A relação entre um dominar e um submisso? Um lorde e um escravo? Bem, acho que eu não preciso explicar. — ele acenou com a cabeça em direção a tudo o que acontecia em volta.  — Me trouxe para um clube de s************o? — fiquei boquiaberta. — Caramba, você é esquisito mesmo!  — Essa nem é a melhor parte. Vem, vamos ver as apresentações nas masmorras. — segurou minha mão e começou a me puxar para um corredor que ficava do outro lado do salão.  — Apresentações? Masmorras?  Thomas não disse nada, apenas continuou andando e assim que entramos no corredor mais escuro, iluminado por luzes vermelhas, eu vi diversas salas com portas abertas, onde várias coisas inacreditáveis aconteciam.  Vi uma mulher numa jaula, completamente nua. As pessoas entravam, a xingavam, cuspiam nela e até batiam. Alguns entravam apenas para olhar. Eu deveria me preocupar? Talvez, se ela não estivesse gemendo feito louca, masturbando-se e excitando-se com tudo aquilo.  Em outra sala, um homem estava acorrentado de costas nu, sendo chicoteado por uma mulher que não tinha nenhuma dó dele, enquanto algumas pessoas assistiam atentamente.  — Algumas pessoas gostam de jogar, outras vêm só para assistir. — Thomas ia dizendo. — Aqui. Vamos ver esse.  Entramos numa sala que parecia mesmo um calabouço medieval. Nos juntamos às pessoas que assistiam ao homem vestindo uma capa escura, que dava chicotadas entre as pernas e uma mulher, enquanto ela estava amarrada numa espécie de cruz que formava um X. Ao invés de dor, eu identificava prazer no olhar dela, que agradecia sorrindo à cada golpe dado em sua i********e.  Aquele homem a amarrou de todos os jeitos possíveis, usando vários instrumentos que eu nem saberia descrever. Enfiou vibradores na v****a e no ânus dela, enquanto mandava ela chupa-lo. As pessoas que assistiam pareciam excitadas, pedindo para participar daquilo. Tudo o que eu sentia era pavor e uma vontade incontrolável de sair correndo dali.  Depois que o dominador gozou, soltou a sua submissa que atirou-se de joelhos no chão e beijou-lhe os pés, agradecendo por toda a sessão.  Eu e Thomas voltamos para o salão principal e sentamos no bar. Eu continuei em silêncio desde que saímos de lá. Estava super séria e não conseguia organizar meus pensamentos por mais que tentasse.  — Existem os quartos privados. Tudo depende da preferência do dominador.  — Essas pessoas não se machucam? Eu ouvi aquela mulher pedir para parar várias vezes. — Todos os submissos possuem uma palavra segura. O dominador só para quando a palavra é dita. Se aquela moça não disse a palavra dela, era porque não queria que parasse de verdade. — sorriu.  — Tudo bem, eu não sou uma pessoa preconceituosa, nada contra quem gosta disso, cada um cuida da própria vida, mas caramba... tem que ter pulso firme.  — Claro. — assentiu.  — E você é o que? Dominador ou submisso?  — Dominador. Não possuo nenhuma submissa fixa, não gosto de nenhum tipo de relacionamento e essas coisas são levadas muito a sério, acredite.  — Poxa, eu bem que queria te encher de porrada. — ironizei com um fundo de verdade e ele deu risada.  — Enfim, eu estava falando dos quartos privados. Você não está acostumada, então vamos fazer isso sem plateia.  — Espera... você quer que eu... — neguei com a cabeça e ri de nervoso. — Só pode estar brincando!  — Uma noite, Dulce. — ficou sério. — Quer ser uma Angel, não quer? — fiquei quieta. — Vou mandar prepararem o melhor quarto privado para nós. Não saia daqui, volto em alguns minutos com a sua coleira. — piscou para mim, terminou sua bebida num só gole e enfim afastou-se para dentro das masmorras.  — Ai, Thomas... — indaguei comigo mesma. — Você é mesmo um filho da p**a.  Virei meu drink de vodka, fiquei de pé e comecei a caminhar em direção à saída. Nem morta eu seria submissa daquele homem e naquelas condições tão extremas. Só de pensar nisso, uma agonia crescia em mim, deixando-me ofegante, tornando difícil respirar. Ver aquelas pessoas praticando esses atos enquanto eu passava por elas não ajudava em nada a conter a minha ansiedade.  Quando finalmente saí, estava um pouco atordoada, nervosa demais e louca para me afastar desse clube o mais rápido possível. Caramba, eu gostava muito de sexo, as pessoas até se impressionavam com toda a minha liberdade s****l, mas isso? Isso não era como uma palmadinha na b***a, isso era bem sombrio.  Caminhei até a rua que estava vazia, fazendo com que a minha expectativa em pegar um táxi sumisse por completo. Como ir embora dali se eu estava tão longe de casa? Agora o meu nervosismo aumentou. Respirar era uma tarefa difícil e manter as pernas quietas era mais difícil ainda.  Sem meu celular, a única alternativa era ligar para alguém pelo orelhão. E infelizmente o único número que eu sabia de cor era o de Christopher. Encostei-me contra a cabine telefônica e esperei.  — Alô? — ele atendeu.  — Christopher... — minha voz saiu mais trêmula do que eu gostaria.  — Dulce? Está tudo bem? O que aconteceu?  — Por favor... vem me buscar.  — Claro, eu vou! Me fala o endereço, vou agora mesmo! — ele ficou tão preocupado que nem pensou em me questionar antes de vir me buscar.  Meus olhos se encheram de lágrimas ao notar como ele era precioso e o quanto eu não conseguia ser metade da pessoa incrível que ele era. Olha só onde eu vim me meter só porque um playboyzinho me chamou de gorda! Por que essa pressão estética tinha que mexer tão violentamente comigo ao ponto de eu colocar o meu corpo em risco?  Com a voz embargada e trêmula, eu consegui passar o endereço para ele e fiquei ali, na calçada daquela mansão, apenas esperando, torcendo para que Thomas se conformasse com a minha fuga e não viesse atrás de mim. Juro que se o visse na minha frente quebraria seus dentes.  Depois de quase uma hora, vi o carro de Christopher aproximar-se e fiquei de pé. Ele saiu do carro e correu até mim, segurou meus braços e analisou meu rosto com preocupação.  — Você está bem? — perguntou aflito.  — Me leva pra casa, por favor. — falei com desânimo.  — Vamos.  Ele me abraçou de lado e me acompanhou até me colocar dentro de seu carro, depois deu a volta e entrou, começando a dirigir. Eu não conseguia encara-lo, estava com vergonha de tudo o que assisti e principalmente de ter feito algo que o magoaria. Por mais que Thomas não tivesse tocado em mim, eu provavelmente permitiria que ele me tocasse se seus termos não fossem tão peculiares.  O pior de tudo era saber que eu precisei ficar de cara com algo que ultrapassava totalmente os meus limites para perceber o quão errado era eu ter cogitado me vender por uma vaga numa agência de modelos. Só uma vez na vida eu gostaria de saber o que era amor próprio. Talvez assim eu começasse a pensar com a razão e ser menos impulsiva.
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