03

2229 Palavras
Christopher  Saímos do nosso prédio e fomos direto para o centro, para o parque que estava um tanto quanto cheio, já que era um sábado. As pessoas faziam piqueniques, brincavam com seus cachorros, as crianças corriam por todos os lados e eu também observei alguns casais que pareciam muito apaixonados.  — Olha só aquele casal. — Dulce sussurrou para mim.  Observei o casal que se beijava e só se separava para competir sobre quem amava mais o outro. Dulce riu como quem vai fazer uma maldade e eu a olhei com repreensão. Ela apenas deu de ombros e apressou o passo até chegar perto do casal, então deixou sua garrafa de água cair no chão bem nos pés do homem.  — Opa! — Dulce exclamou. — Sou tão distraída. — ao dizer isso, ela deu as costas ao homem e abaixou para pegar a garrafa, mostrando toda a exuberância de sua b***a.  E é claro que o cara deu uma boa encarada maliciosa, recebendo um bom tapa de sua namorada. Os dois começaram a discutir e a expressão no rosto do homem era de quem havia sido pego fazendo algo muito errado. Dulce voltou a aproximar-se de mim rindo com satisfação.  — Você é péssima! — neguei com a cabeça em desaprovação. — Eu só estava me divertindo. — deu de ombros.  — Não pode brigar comigo por causa daquela p*****a! — ouvi o homem proferir de longe, referindo-se à Dulce.  — Ei! — fiquei na frente de Dulce em uma posição protetora. — Fala isso de novo e eu quebro os seus dentes!  — Ah, cara, qual é? Você viu que ela se jogou pra cima de mim intencionalmente! — ele retrucou.  — A garrafa dela caiu e ela pegou. Apenas isso. — dei de ombros. — Não pode falar assim sobre nenhuma mulher, muito menos se você não a conhece!  — Isso não muda o fato de que ela é uma pu... — ele parou de falar quando me viu fechar o punho com força.  — Você se arrisca demais. — cerrei os dentes. Ele pareceu baixar a guarda e deu um passo para trás. — Vamos, Dul. — comecei a caminhar e Dulce veio logo atrás.  — Ele não ama você, querida, sai dessa! — ela gritou uma última vez para o casal, o que gerou o início de outra discussão alta. — Isso foi divertido! — riu.  — Não faz mais isso. — falei sério.  — Não seja chato! — revirou os olhos.  Ela começou a correr saltitante, cantarolando feliz da vida. O dia de Dulce não começava bem se ela não estragasse o dia de outra pessoa. Ela não era má, de fato, só achava divertido criar discórdia. Não estou dizendo que isso era correto, ela não queria acabar com a vida de ninguém ou destruir outras pessoas, só semeava algumas brigas, geralmente entre pessoas não tão próximas a nós e como no caso mais recente, entre estranhos.  Nós entramos num lugar do parque mais rodeado de árvores, uma pista apenas para corredores e ciclistas. Estava vazio, apesar do resto do parque estar cheio. Dulce parou de caminhar e aproximou-se de uma das árvores.  — É como um muro, ninguém vê quem está aqui. — falou observando em volta.  — E daí? — franzi a testa.  — Adorei o jeito como me defendeu, foi tão másculo. — ela se aproximou, obrigando-me a encostar no tronco da árvore. — Isso me excitou muito. — sua voz soou incrivelmente sexy.  — É mesmo? — sorri de canto.  — É...  Nós nos beijamos ali, da maneira mais intensa possível. A abracei contra mim com força, fazendo nossas línguas praticamente brigarem para ocupar a liderança nos movimentos daquele beijo violento. Dulce passou sua mão por meu abdômen e de repente, parou com ela em cima do meu p*u.  — Ei, ei! — eu ri nervosamente, a afastando de mim. — Estamos num parque público.  — Não tem ninguém nessa parte, só nós.  — Mas pode aparecer alguém a qualquer momento.  — Relaxa, vai ser rápido. — começou a beijar o meu pescoço, tornando a me enlouquecer e quando me viu amolecer novamente, tornou a tocar a minha ereção.  — Podemos ser presos por atentado ao pudor. — falei um pouco baixo, rindo de leve.  — Eu posso me arriscar. — sorriu.  E os seus dedos brincalhões entraram no meu short, depois na minha cueca, onde ela usou sua mão para me masturbar. Ela me olhava com desejo o que só me fazia querer mais. Se ainda não tivesse um último fio de juízo em mim, eu rasgaria as roupas dela e transaria com ela ali mesmo.  De repente, Dulce abaixou e eu não acreditei quando ela abocanhou o meu p*u e começou um boquete na pista de corrida de um parque muito frequentado da cidade. Talvez eu fosse passar a minha noite numa cadeia, mas pelo menos eu gozaria num lugar inusitado e essa seria uma boa história para se contar.  Segurei seus cabelos e a induzi a ir num ritmo perfeito para mim. Era incrível como a cada oral, ela parecia ficar cada vez melhor. Essa mulher era cheia de surpresas.  Ouvimos passos de alguém se aproximando, então Dulce ajeitou as minhas roupas e ficou de pé rapidamente, me abraçando em seguida, como se fôssemos apenas um casal de namorados que não estava fazendo nada ilegal.  Um corredor passou por nós sem desviar o seu olhar da direção em que ele ia. Nós suspiramos aliviados e começamos a rir da situação. Eu com certeza estava rindo de nervoso, mas sabia que Dulce estava achando tudo muito divertido.  — Você tem que parar de me corromper! — eu disse.  — Acho que boquete aqui é uma má ideia.  — Ah, você acha? — ironizei. — No meio do trânsito não foi o suficiente? — ela deu de ombros.  — Vamos apostar uma corrida?  — Valendo o que?  — Se eu vencer, você me faz um oral quando chegarmos em casa. Se você vencer, eu termino o que comecei aqui. — piscou.  — Até sairmos da pista?  — Ok. — ela saiu correndo antes de mim.  — Ei, não vale! — corri atrás.  — Vê se não deixa a língua seca, você vai precisar dela! — Digo o mesmo! — gritei ao passar por ela. — Filho da p**a! — ela resmungou e eu gargalhei.  Chegamos até o final da pista de corrida e eu me virei para ela, afim de comemorar a minha vitória, mas notei que Dulce já havia parado a muitos metros de mim. Ela estava com as mãos nos joelhos, respirava fundo e quando tentou ficar ereta, cambaleou como se estivesse tonta.  — Dulce! — corri até ela e passei seu braço por cima dos meus ombros para que se apoiasse em mim. — O que foi? O que está sentindo?  — Eu só... só preciso respirar. — colocou a mão sobre a testa.  Nos sentamos em um dos bancos e ela começou a beber a água de sua garrafa. Estava pálida e ainda com um olhar meio vago, claramente sentindo um m*l estar terrível. Eu não parava de olhá-la com preocupação e depois de ficarmos tempo demais em silêncio, ela soltou um suspiro e me encarou.  — Estou bem, não foi nada. — ela disse.  — Não foi nada? Você quase desmaiou! Será que... não...  — Que? — franziu a testa.  — Será que alguma camisinha que usamos veio furada? — arregalei os olhos e ela me olhou com tédio.  — Por que toda vez que uma mulher passa m*l as pessoas deduzem que ela está grávida? Eu sou um ser humano, eu posso ficar tonta por qualquer outro motivo! — declarou um tanto quanto brava.  — Eu só quero entender o que aconteceu. — levantei as mãos em rendição. — Tomou mesmo café da manhã? — a olhei com desconfiança.  — Sim, agora a gente pode ir? — ficou de pé.  — Melhor ficar um pouco mais sentada.  — Christopher, eu não tenho paciência para essas frescuras, ok? Eu quero ir para casa.  — Como é essa dieta que você está fazendo?  — É sério? — ficou indignada. — Eu já disse que quero ir para casa!  — E eu fiz uma pergunta!  — Minha dieta é normal, eu como de tudo, mas apenas o suficiente para me manter com energia e saúde, sem exageros. Satisfeito? Podemos ir?  — Que tal irmos até uma cafeteria? Não acho que tenha comido o suficiente no café da manhã. — fiquei de pé. — Você ficou tonta, precisa repor suas energias com pelo menos um suco.  — Não tô afim. — me olhou com desdém.  — Mas...  — Não vai rolar! — foi firme.  — Que teimosia! — bufei.  — Pois é! — sorriu com sarcasmo.  Começamos a caminhar em silêncio para retornar ao nosso prédio. Apesar de estarmos nos ignorando, eu ainda a observava para ter certeza de que estava bem mesmo e que não iria passar m*l novamente.  Quando nos afastamos mais, um corredor passou por nós e assim que eu notei quem era, amaldiçoei o momento em que saí da cama e resolvi vir aqui. Ele também nos notou e abriu um sorriso galanteador para a Dulce, aproximando-se de nós.  — Dulce! Christopher! — ele até podia ter cumprimentado os dois, mas fez isso olhando apenas para ela.  — Oi, Tom! — Dulce foi simpática. — Se exercitando?  — Eu tenho que manter a forma. — se gabou.  — E aí, Thomas. — acenei com a cabeça, mantendo uma expressão séria. — Já terminaram de correr? Que tal comermos algo numa cafeteria aqui perto? — ele sugeriu.  — Não, foi m*l, eu e Dulce já estávamos indo para casa. — respondi. — Imagina, Christopher! — Dulce sorriu. — Eu estava mesmo morrendo de vontade de beber um suco de laranja. — ela enroscou seu braço no dele e eu a olhei incrédulo. — Você vem? — perguntou para mim.  — Tá. — falei.  Fui os acompanhando pelo caminho enquanto os dois conversavam animadamente, como se eu nem estivesse ali. Isso me incomodou muito e não apenas por eu estar com ciúmes, eu também estava bravo com ela por resolver me tratar com indiferença por um motivo i*****l. Qual o problema de eu me preocupar com sua saúde? Não era um motivo para ficar brava.  Já na cafeteria, eu continuei por fora da conversa, como uma plateia silenciosa. Dulce de fato pediu apenas um suco de laranja e mesmo eu sugerindo que ela comesse uns biscoitos de nata, ela disse que estaria satisfeita apenas com o que pediu.  — Bom, eu preciso ir agora. — Thomas disse ficando de pé.  — Mas já? — Dulce lamentou.  — A gente pode marcar de fazer algo juntos depois. — ele disse de forma sugestiva.  — Eu vou adorar. — Dulce respondeu.  Ele a cumprimentou com um beijo no rosto e despediu-se de mim com um aceno de cabeça e um sorriso um tanto quanto forçado. Assim que nos vemos sozinhos, eu encarei Dulce com minha expressão mais séria.  — Eu agradeceria se você não flertasse com ele na minha frente. — falei.  — Não fique com ciúmes, playboys não fazem o meu tipo.  — Então o que foi tudo isso?  — A mãe de Thomas trabalha na Victoria Secrets e esse ano está responsável pelo recrutamento de novas angels. Pensei em me aproximar do Thomas pra que talvez ele possa me mencionar para a mãe dele.  — E se ele quiser que você transe com ele?  — Eu vou tentar fazer com que ele pense que terá isso, mas não terá. — riu. — E se eu tiver que fazer, e daí? — deu de ombros. — Uma noite por toda a minha carreira. Até que sairá barato.  — Você é inacreditável... — desviei o olhar irritado. — Quando vai entender que eu não sou sua? — tornei a olhar para ela. — Eu não pertenço a ninguém, Christopher. Posso fazer o que eu quiser. — Você age como se todas as coisas ruins que você faz fossem normais.  — O que eu faço de tão r**m? — franziu a testa. — Eu cuido de mim mesma, penso em mim em primeiro lugar e pronto. As pessoas chamam isso de egocentrismo, eu chamo de amor próprio. Eu jamais colocaria as necessidades de outra pessoa acima das minhas e isso não é ser egoísta, é me proteger.  — Eu não disse que você era egoísta, você deduziu que eu penso isso talvez porque você mesma pense assim.  — Não jogue as minhas palavras contra mim, isso não vai dar certo.  — Ok. Transe com o Thomas por interesse, faça o que quiser! — levantei da mesa e comecei a caminhar em direção à saída.  O pior de tudo era que eu esperei que ela viesse atrás de mim, mas não veio. Eu sabia que não adiantava eu reclamar de seus comportamentos e que talvez eu nem tivesse o direito de opinar sobre a vida dela e as escolhas que ela faz, mas que culpa eu tinha de me apaixonar pela mulher errada?  E por mais que eu tentasse me fazer entender que dormir com ela não me fazia bem, eu não conseguia parar. Dulce era importante para mim de uma forma que eu jamais seria para ela.
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