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1034 Palavras
Helena: — Ela é a Maria Helena, mãe, a moça que me deu a oportunidade de trabalho e está ajudando a senhora. — Aquela que acha que você é um mercenário? — Ela não acha isso-diz sútil. — Obrigada por tudo que fez por mim, mas quero que me tirem daqui e me levem para um hospital público. Não quero ser comprada também. — Mãe! — repreende ele. — Gean, vou te esperar lá fora. Saio da sala e vou para a recepção tomar um café, além de respirar e tentar relevar a raiva que essa senhora sentia por mim, mesmo sem me conhecer. *-----------_------------_------------_------------_-----------* Gean: Assim que ela sai, sinto o clima pesado e olho para ela com um olhar desaprovador. — Não me olhe assim — diz séria. — Ela só quer te ajudar e a senhora a trata assim? — Eu não quero ajuda dessa mulher. Não ver como ela nos esnoba, como mostra que tem e não temos. Devia sentir asco dela, por esfregar em nossa cara o que não podemos e largar tudo dela por aí. — Ela não esfregou nada em nosso rosto, nos sentimos assim por vergonha da nossa situação e orgulho bobo. Maria Helena, só quer nos ajudar, então aceita, por favor. — Não sou comprável e manipulável, Gean. — Sabia que ficou dias desacordada? — O médico disse. — Acha que no hospital público a senhora iria sobreviver? — A mesma se cala — Não, eles iam fingir que tentaram te ajudar, iriam te deixar morrer. — Melhor do que me submeter a essa safadeza que você chama de oportunidade de trabalho. — Assim que a senhora melhorar, pode ir para casa, vou solicitar para a Helena permitir que um veículo a leve. Me viro para ir embora. — Vai abandonar sua mãe por causa dessa mulher? — A senhora se abandonou, a senhora me afastou e continua fazendo isso. Não preciso que a ame, só que tente tratá-la bem, ela só quer nosso bem, se quisesse nosso m*l, ela não te traria e pagaria suas despesas. Só… pensa nisso. Saio da sala, fecho a porta e respiro fundo. Por que era tão difícil parar de ser orgulhosa? Percebo que minha pergunta vai ficar sem resposta, então procuro a Maria. Ando por minutos, até que a encontro tomando café. — Tudo bem? — Questiono ao me aproximar. — Sim. — Me desculpa por ela… minha mãe é um pouco orgulhosa, quer sempre se virar sozinha e esperar que as coisas venham até nós, com calma e paciência, de preferência em forma de esmola — acaba soando irritado. — Está tudo bem. Não sabemos os motivos dela ser assim, pode ser traumas, proteção, ou só falta de conhecer o seu “Eu” superior. — O que é isso? — O “Eu” superior? Ah, ele é tudo, está em todos, fez a todos, fez a tudo. Ele é aquela imagem perfeita de nós, enquanto somos o rabisco, ele é a obra perfeita. — O que seria? — Um ser transcendental, alguém superior a nós, porém, como nós em alguns aspectos. Nessa projeção, chamamos de Deus, o Criador. — Não acredito em um criador. — Tudo é perfeito demais para ser feito do nada, tudo foi minuciosamente planejado, para dizermos que só passou a existir do nada. — Não sabia que era religiosa. — Não sou, só não sou ignorante para abolir do meu conhecimento a existência de algo maior. — Vamos caminhar? — Sim. Saímos do hospital, fomos andando e conversando até a casa dos pais dela. Assim que chegamos, ela foi até a porta e bateu algumas vezes. Em poucos segundos, uma mulher alta e forte abriu a mesma. — Bom dia, senhora, entra. — Obrigada — Sorri. — Bom dia — falo educado. — Bom dia. Podem entrar, eles se encontram no jardim. — Tá bom, obrigada. Ela foi caminhando na frente e eu a seguindo, andamos por um longo corredor até chegarmos a uma porta que estava aberta, saímos por ela e chegamos a um jardim bem cuidado, com flores viçosas e gramado verdejante, além de bem aparado. Tinham duas cadeiras de balanço apoiadas na parede, havia dois idosos, cada um em sua cadeira, pelo visto os donos não queriam balançar. — Bom dia, pai, mãe. — A mesma se aproxima, beijando a testa de um por vez. — Bom dia, filha. — Bom dia, meu amor. — Pega uma cadeira para sentar Maria. — Não, mãe, obrigada. Vim só ver e saber como estavam, logo volto para casa. — Não vai nos apresentar, rapaz? — Mãe, pai, esse é o Gean, meu namorado. — O quê? Todos fazem cara de surpresa e ela fica constrangida. Em minutos, a empregada traz uma cadeira para mim, que logo sou entrevistado. Agora sei a quem Maria Helena puxou esse jeito de resolver tudo, entrevistando e dando ordens. — Onde nasceu? — questiona a mãe feliz. — Na periferia. — Tão rica e escolheu um lascado para namorar? — diz o pai. — Pai! — a mesma repreende. — Ele seria um ótimo marido, para não deixar a Maria com o nariz em pé. — Ela merecia o melhor — diz baixo, mas ainda pude ouvir. — Com toda certeza, ela merece o melhor e eu vou me tornar o melhor para ela. Sorrio para ela e a mesma sorri. Após muitos questionamentos, lanche caseiro, aprovação da mãe e desaprovação do pai, nós saímos da casa, caminhamos até o portão, mas antes de o alcançar, a mãe dela chama. — Helena! — Senhora? A mesma se vira e olha para a mãe, que caminha até nós e a abraça forte. — Estou orgulhosa de você. Beija sua testa, a solta, se vira e vai para casa, entrando e fechando a porta atrás de si. Helena m*l respirava, não movia nem um músculo e muito menos piscava. — Tudo bem? — Sim — diz paralisada. — Vamos para casa? — Sim… Então caminhamos para casa, ela continuou calada, parecia anestesiada e, por mais que me preocupasse, acho que tinha a ver com a mãe dela. Talvez receber esse ato de carinho a deixou em êxtase.
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