Helena:
Dia seguinte, fizemos o mesmo de ontem, eu estava calada e pensativa, queria ficar um pouco na minha.
Fico olhando pela janela, o dia estava nublado e eu gostava de dias assim.
— Tudo bem?
Diz ele, se aproximando e sentando ao meu lado com um pote de pipoca, e a cozinheira pôs na mesa de centro uma bandeja com dois copos de chocolate quente.
— Sim, e você?
— Queria assistir a um filme com você…
— Não quer mais?
— Quero.
— Então vamos assistir.
Pego o controle, aperto e as cortinas da janela de trás da TV se fecham. Em seguida, pego o do aparelho televisor, ligo a mesma e ponho em um aplicativo de streaming.
— Pode escolher — entrego o controle em sua mão.
Ele segura e mexe por longos minutos.
— Pode conversar quando quiser, sabe disso — diz gentil.
— O que quer de mim? Saber que minha vida não é perfeita e fácil, como acha que é?
— Quero te ajudar, te dar carinho e mesmo que não resolva, vou dizer que está tudo bem, que estou do seu lado.
— Por que se importaria com meus problemas, comigo? — encaro seu rosto, meus olhos marejaram, eu segurava as lágrimas para não parecer fraca.
O mesmo sorri largo e lindo, além de acariciar meu rosto.
— Você se importa comigo, mesmo sem ter obrigação ou dizer que é devido à nossa ligação no trabalho.
— É diferente.
— Não é. Assim como cuida de tudo e todos, também merece ser cuidada, ouvida, mimada. Não precisa ser forte o tempo todo, não somos fortes o tempo todo.
Assim que ele diz isso, as lágrimas caem inconsoláveis, ele põe o pote na mesa e logo me abraça, além de passar a mão no meu braço, às vezes acariciava meus cabelos.
— Você é incrível — diz gentil.
— Não sou forte o suficiente.
— Você é a mulher da minha vida — fala baixo.
— O quê? — questiono confusa, já parando um pouco o choro.
— Se eu pudesse escolher alguém para amar, com certeza seria parecida com você. Campeã, solidária, forte, linda, sexy… você é incrível.
— Sinto falta de coisas, não me sinto completa, parece que falta algo em mim… mas tenho tudo, como pode faltar alguma coisa?
— Acha que um filho é o que falta?
— Também…
— Você quer uma família?
— Não, eu sou melhor sozinha.
— Se quer uma família, por que diz que não?
— Um filho é o suficiente.
— O que fizeram com você?
— Não quero falar disso…
— Tudo bem — ele me abraça forte —, seja lá o que fizeram com você, eu vou te mostrar que o amor existe, é real e nos trata bem, nos faz sonhar e ser mais felizes… você não precisa ter receio, não mais, não comigo.
— Disse para eu não te amar.
— Mas quero que entenda que existe amor, que vou te amar e mostrar todos os dias o quanto amo e que você não vai mais julgar todos como iguais.
— Não se esforce tanto, homens são incapazes de amar.
— Pelo visto, você é incapaz de colocar o orgulho de parte — sorri divertido —, não vou te prometer nada… só me dá espaço para poder fazer, combinado?
— Mais espaço?
— Mais — Sorri novamente.
Em seguida, distribui beijos por meu rosto e boca.
Logo após, ele escolheu um filme de sua preferência, era de comédia e foi uma boa escolha. Rimos muito e acabamos dormindo ali no sofá, agarrados, ele na ponta me esquentando.
__Dia_seguinte__
Acordo e espreguiço, Gean não estava mais do meu lado. Coitado, passou a noite toda em pouco espaço e quase caiu diversas vezes.
— Bom dia, linda — diz e beija meu rosto.
— Bom dia, acordou cedo…
— Você gosta de espaço — sorri lindo.
— Me desculpa, quase te fiz cair.
— Não se preocupe…
Ele levanta e vai em direção à cozinha, me sento e estico as costas. Foi confortável dormir nos braços dele, mas não é nada confortável dormir no sofá.
— Imagino que esteja com fome — o mesmo se aproxima com uma bandeja nas mãos.
Ele se senta ao meu lado, depois coloca a bandeja em cima das minhas pernas.
— Não precisava, eu podia ir até a mesa.
— Para de estragar o momento — diz rindo.
Reviro os olhos entediada, depois como calmamente sob sua supervisão.
— Não vai comer? — questiono, o olhando de relance.
— Comi um pouco já.
— Entendi.
— O que acha de caminharmos um pouco, ao invés de ir à academia?
— Achei bom. Em qual horário pretende ir?
— Em que horário estará disponível?
— Tenho que olhar na minha agenda… — penso por estantes — Tenho que ir ver meus pais, ir ao hospital, saber se sua mãe está melhor, analisar algumas coisas da empresa pelo computador…
— Que tal irmos até o hospital, ver minha mãe? De lá vamos caminhando até a casa dos seus pais e depois voltamos para casa, para trabalhar?
— Por mim, tudo bem.
Terminou de comer, depois ele leva a bandeja para a cozinha, enquanto vou tomar um banho, escovar os dentes.
Após o banho, vou até o closet, procuro uma roupa e logo me visto.
Logo estou pronta e já desço as escadas, encontrando o Gean arrumado. O mesmo vestia uma bermuda leve, uma camisa sem manga, um boné e calçava um tênis.
— Pronta? — questiona, me olhando de cima a baixo.
— Sim. Não está bom?
— Está ótimo — sorri e dá de ombros.
Caminhamos até o veículo, dou as instruções para o motorista e o mesmo logo nos leva até nosso local de destino.
Em pouco tempo chegamos, saímos do automóvel e entramos no hospital, indo para a recepção. Conversamos com a recepcionista e logo ela permite nossa ida e entrada no quarto.
Caminhamos até o quarto em que estava a mãe dele, deixo que o mesmo abra a porta e entre primeiro.
— Mãe! — exclama e eu corro para ver o que estava acontecendo.
Entro no quarto, dando de cara com a mãe dele sentada na cama, a mesma comia calmamente, mas abre um belo sorriso ao ver seu filho.
— Meu menino — sua voz sai rouca.
— Que bom que está bem, fiquei com tanto medo.
Ele corre até a mesma, a abraça forte e eu sorrio com o carinho/amor dele por ela.
— Quem é ela? — questiona rude, me olhando.