Gean:
Se antes eu já admirava ela, depois de hoje eu estava apaixonado. A todo momento que podia, encarava seu lindo rosto e pensava na sensação gostosa que ela causou no meu m****o.
Que mulher incrível!
Estávamos lanchando, eu comia pausadamente e encarava seus cabelos que pareciam ter saído de alguma propaganda de shampoo.
— Amanhã, nosso dia será corrido.
— Aonde iremos?
— Malhar, fazer uma visita ao médico, fazer a lista de tudo que precisa comer nesses dois a três meses e trabalhar nossa mente.
— Não vai trabalhar?
— Não preciso estar lá todos os dias.
— Entendi.
Terminamos de comer, ela foi para seu quarto, eu escovo os dentes e depois fui dormir no sofá como de costume, que era aconchegante, mas não melhor que a cama dela, que eu poderia grudar em seu corpo quente, cheiroso e mácio.
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Helena:
No dia seguinte, acordo disposta, vou ao banheiro, faço o matinal e saio secando o rosto.
Depois vou tomar café.
Como calmamente, às vezes respondia a algumas mensagens e via o Gean balançar a cabeça negativamente.
Depois do café, fui me arrumar para ir para a academia, coloco uma roupa justa no corpo, porém que estica, prendo meu cabelo em um r**o de cavalo e calço o sapato.
Logo desço. Gean estava arrumado e sentado no sofá, assim que ouviu meus passos, se levanta, me olha e logo me segue.
Fomos até meu automóvel, destranco, entro na parte do motorista e ele no carona e assim fomos.
Ele foi o caminho todo quieto e eu fiquei confusa, pois ontem ele não queria que eu ficasse distante após nosso contato físico, mas ele estava distante.
Chegamos, estacionei, saímos do veículo, tranco o mesmo e entramos no prédio. Adentramos no andar da academia, falo com a recepcionista e fizemos a ficha dele e logo fomos malhar, ele sendo guiado por um Personal.
Após uma hora, terminamos e fomos beber água. Ele tinha as bochechas vermelhas, quase o mesmo tanto que as minhas.
— Tudo bem? — questiono sem o olhar.
— Sim, só cansado.
— E por que está distante, me ignorando?
— Não estou… — diz simples.
— Sabe que está.
— Jamais iria te ignorar. Estou, sim, pensando muito, às vezes me perco em pensamentos, vontades e verdades.
— Pensa sobre sua mãe?
— Acredita que, pela primeira vez, eu não estou pensando e preocupado com ela?
— O que houve então?
— Estou pensando em você, na gente, nas possibilidades e chances.
— De quê?
— Ser o grande amor da sua vida.
— Disse para não me apaixonar.
— E continuo irredutível quanto a isso, mas às vezes quero ser seu grande amor, quero ser pelo menos metade do que é, para poder ser sua família, sua casa, seu companheiro, amante, amigo.
— Você me deixa confusa a todo momento — falo baixo, me sentindo tão fútil por não o entender.
Ele acaricia meu rosto e tira uma pequena mecha de cabelo que estava na frente dos olhos, pondo-a atrás da orelha.
— Esquece tudo que falo ou penso, não quero que fique confusa e tente me entender. Eu também não sei o que realmente quero.
— Qual seu maior sonho?
— Ter uma família estruturada, que pode dar o melhor lar e educação para um filho. Minha mãe sempre foi o amor da minha vida, deu a vida por mim diversas vezes, sou imensamente grato, mas não quero que os meus passem por isso. Quero ter família, mas quero ter uma boa condição para construir essa família.
— Pessoas são felizes, dão boa educação para os filhos, mesmo sem ter muito.
— Sei tudo que passei e não desejo nem para meu pior inimigo, de tão r**m que é viver na pobreza.
— Você vai sair disso… já saiu — digo para o motivar.
— Quanto mais quero, mais parece difícil, pesado, impossível.
— Tudo é possível e você vai conseguir, vamos mudar essa mente.
Sorrio.
Fomos para a clínica do médico que o avaliou. Assim que chegamos, dei nossos nomes, disse o que queria. Esperamos na recepção por bastante tempo, até que fomos chamados.
Entramos na sala do médico, já dando bom dia. O mesmo nos atendeu muito bem, deu uma lista de alimentos para o Gean, recomendou exercícios físicos e muita água.
Logo foi agendado o retorno daqui a um mês, para ver como estava indo sua evolução.
Depois, fomos até o hospital ver a mãe dele, que mesmo não acordando, passou a mexer os dedos e isso era um avanço.
Logo fomos para casa, tomamos banho e fizemos um lanche e, por fim, afastei os móveis da sala e forrei um tapete para meditarmos.
— O que vamos fazer? — pergunta curioso
— Meditar — me sento e cruzo as pernas.
— Quê?
— Mudar a mente, lembra?
— Isso é bobeira — diz cético.
— Não precisa acreditar, só fazer.
Ele revira os olhos, então se senta no tapete assim como eu.
Coloco uma música calma na TV, ele me olha com a sobrancelha arqueada e eu sorrio.
— Você vai fechar os olhos, pode deixar vir os pensamentos, mas não os alimente, deixe-os vir e ir. Não se julgue, não me julgue, só não pensa em nada.
— Sabe que não tem como não pensar em nada, não é?
— Se não conseguir ficar sem pensar, pense na sua casa dos sonhos, como se fosse uma projeção. Pense em sua casa, sua família feliz, seus planos e objetivos dando certo, seu carro, animais de estimação. Mas lembre-se, não se julgue, não olhe negativo para seus sonhos.
— Fácil você falar isso, olha sua mansão, sua conta bancária.
— Nem sempre foi assim e antes de eu ter tudo isso, eu sonhava com cada uma dessas coisas e cada detalhe delas. Sonhava nas meditações, antes de dormir, bebendo água, apanhando do meu pai bêbado, ou ouvindo seus xingamentos. Nada me impediu de sonhar, pois eu sentia que meus sonhos eram reais, que eu merecia cada um deles, que era possível eu ter tudo que queria.
Vejo seus olhos marejarem, então ele os fecha e não fala mais nada.
Também fecho meus olhos e começamos a meditar, ficamos assim por no mínimo 5 minutos, porque logo o Gean se aproxima, sentando ao meu lado e respirando pesado.
— O que houve, não conseguiu imaginar?
— Consegui.
— Então, continua.
— Seu pai te batia? — questiona com pesar.
— Nada muito terrível.
— Ele é alcoólatra?
— Era, consegui ajudá-lo a sair do vício.
— Imagino que seja horrível.
— É péssimo, mas sobrevivi.
Levanto para fugir do assunto.
— Tudo bem, se não quiser falar, no fundo, eu sempre senti que em você havia uma tristeza escondida, mas pode não ser essa do pai. Só saiba que estou aqui para te ajudar, mesmo que seja só para ouvir.
Encaro o mesmo, logo após balanço a cabeça positivamente e vou para meu quarto, talvez dormir um pouco, ou chorar.