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1065 Palavras
Helena: Receber um abraço e uma palavra de orgulho da minha mãe me deixou eufórica interiormente, mas também triste, pois passei a vida toda sem um apoio ou palavras que mostrassem seu orgulho em relação a mim. — Helena — ouço o chamado e olho na direção da voz. — Oi? — Tudo bem? — Sim, falo em dúvida. Nem eu sabia realmente se estava bem. — Está quieta, olhando absorta para um lugar fixo, quase não escuta nada. — Acho que fiquei surpresa demais com o elogio da minha mãe… esperei tanto por isso, que achei que nunca iria chegar — olho para o prato posto em minha frente. Mas enfim, chegou e eu não reagi como esperado. — Se orgulhe, enfim ela viu seus esforços. — Disse isso porque estou namorando e, não devido a tudo que sou, conquistei e fiz por eles. — Quando os pais falam que estão orgulhosos, eles juntam tudo e dizem uma única vez. Não costumam dizer tanto, mas são sinceros quando dizem. E lembrando, não falam só de uma coisa, mas de todas, de toda a vida. Penso um pouco em sua fala, suspiro. — Não quero ser assim… — Como? — Como meus pais. Como todos os pais. Quero que meu bebê saiba desde sempre que sinto orgulho dele, que trouxe alegria para minha vida e completou um vazio que havia no meu coração. — Uma coisa que entendi desde novo, e não é te julgando, mas nossos pais só fazem o que podem fazer naquele momento, eles dão o melhor deles, mesmo que seja pouco em nossa visão, mesmo que não seja o suficiente. — Seu pai te abandonou, esse foi o melhor dele? — Infelizmente, foi o que podia fazer naquele momento, com o que sabia e tendo sido ensinado. — Isso não entra em minha cabeça — digo indignada. — Você é inteligente, logo vai entender isso e claro, o que não gostou, vai melhorar com nosso bebê. — Meu. Ele sorri e dá de ombros, então jantamos, eu mais calmo e consciente no que fazia e ele faminto como um leão. __Dia seguinte.__ Acordo disposta e já vou tomar um banho gelado, hoje era dia de trabalho e os últimos preparativos para a grande recepção, que demorou, mas minha secretária conseguiu organizar tudo. Me arrumo e logo desço para tomar café. — Bom dia, Deyse!-digo animada. — Bom dia, senhora. Acordou animada. — Sim — sorri. — Sente-se, já vou servir-lhe. A mesma me serve e sai. — Bom dia — chega Gean, bocejando e com o rosto amassado. — Bom dia. Dormiu bem? — Sim, e você? — Bem. — Está muito animada, o que houve de ontem para hoje? Pensei em tudo que disse e também que não posso controlar as pessoas e seus atos, então só esqueci da minha frustração de não ter recebido antes. — Disse ser uma mulher inteligente — diz orgulhoso e se senta à mesa. Sorrio. Tomamos o café, calados, logo após fui escovar os dentes e depois desci as escadas, além de caminhar em direção à porta. — Para onde vai? — Trabalhar. — Posso ir? — Não. — Por favor… Hoje não. O mesmo fica emburrado no sofá. Saio de casa e caminho até meu automóvel, que já se encontrava com o motorista, dou as coordenadas e, após minutos, estávamos na minha grande empresa. Agradeço e logo saio do veículo, caminho até o elevador, entro no mesmo, aperto o botão e em pouco tempo estava chegando no meu andar. Plimm A porta se abre. Saio e caminho até minha sala, mas antes cumprimento minha secretária, que assim que me viu, sorriu orgulhosa de seu desempenho. — Bom dia, Zoe! — Bom dia, senhora, tudo bem? — Sim, e você? — Muito bem. — Ótimo. Bom trabalho. — Obrigada — Sorri feliz. Entro em minha sala e me acomodo em seguida. Trabalho por longos minutos, faço pagamentos, converso com grandes marcas, investidores, até que minha porta foi aberta bruscamente. Olha na direção e lá estava um homem alto e loiro, eu o conhecia bem, era um dos homens que chamamos de pretendentes. O mesmo sempre se candidatou ao cargo de meu namorado, mas eu o achava egocêntrico demais, além de me causar asco. Atrás dele se encontrava uma Zoe assustada e esbaforida. — Bom dia, Maria Helena — diz ele. — Senhora, desculpe… eu tentei o impedir e avisá-la primeiro de sua presença. — Tudo bem, Zoe, obrigada. Sorrio amena, ela se afasta cuidadosamente e o homem adentra o recinto, me olhando galanteador. — Bom dia, Nero. O que o trouxe até aqui? — Recebi um convite de sua empresa, parece que Farzar Company vai dar uma recepção, apresentação de um produto novo. — Sim. — Duvido que seja tão bom quanto o “Ruller”. — Todos os meus produtos são bons. — Não é o que seus críticos estão falando/especulando por aí. — O que veio fazer aqui, Nero? — Vim oferecer meu apoio e até mais coisas se precisar. — Tipo? — Compra de aliados, compra dos jornais, matérias falando bem de você e sua empresa… claro que posso dar muito mais, porém, nesse momento, é o que precisa para fazer sucesso. — Não precisa disso, confio no meu trabalho, nos meus produtos. — Por que não me quer? Não quer minha ajuda — diz irritado, espalmando as mãos na mesa com força. — Porque sei que consigo, independente do que dizem, eu dei meu melhor. Sem contar que não gosto de usar as pessoas para conseguir coisas, muito menos subornar alguém. — Devia ouvir meus conselhos, construí tudo que tenho em menos de dois anos, sei o que é bom fazer para crescer. — Eu não preciso disso, cresço com consistência. — Vai se arrepender de não escutar meus conselhos, de me rejeitar. — Obrigada pela visita — digo para entender que não o quero mais aqui. — Vai ser um fracasso. — Espero ansiosamente por sua presença, quero que coma bastante, beba bastante e tenha o prazer de sentir o cheiro da minha nova fragrância e, melhor ainda, possuir meu novo produto, que vai esgotar tão rápido, mesmo na 5° remessa. O mesmo saiu batendo a porta e agora sim eu podia respirar, só que agora, surgiu a dúvida em minha mente, se daria certo ou não.
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