Helena:
Receber um abraço e uma palavra de orgulho da minha mãe me deixou eufórica interiormente, mas também triste, pois passei a vida toda sem um apoio ou palavras que mostrassem seu orgulho em relação a mim.
— Helena — ouço o chamado e olho na direção da voz.
— Oi?
— Tudo bem?
— Sim, falo em dúvida.
Nem eu sabia realmente se estava bem.
— Está quieta, olhando absorta para um lugar fixo, quase não escuta nada.
— Acho que fiquei surpresa demais com o elogio da minha mãe… esperei tanto por isso, que achei que nunca iria chegar — olho para o prato posto em minha frente. Mas enfim, chegou e eu não reagi como esperado.
— Se orgulhe, enfim ela viu seus esforços.
— Disse isso porque estou namorando e, não devido a tudo que sou, conquistei e fiz por eles.
— Quando os pais falam que estão orgulhosos, eles juntam tudo e dizem uma única vez. Não costumam dizer tanto, mas são sinceros quando dizem. E lembrando, não falam só de uma coisa, mas de todas, de toda a vida.
Penso um pouco em sua fala, suspiro.
— Não quero ser assim…
— Como?
— Como meus pais. Como todos os pais. Quero que meu bebê saiba desde sempre que sinto orgulho dele, que trouxe alegria para minha vida e completou um vazio que havia no meu coração.
— Uma coisa que entendi desde novo, e não é te julgando, mas nossos pais só fazem o que podem fazer naquele momento, eles dão o melhor deles, mesmo que seja pouco em nossa visão, mesmo que não seja o suficiente.
— Seu pai te abandonou, esse foi o melhor dele?
— Infelizmente, foi o que podia fazer naquele momento, com o que sabia e tendo sido ensinado.
— Isso não entra em minha cabeça — digo indignada.
— Você é inteligente, logo vai entender isso e claro, o que não gostou, vai melhorar com nosso bebê.
— Meu.
Ele sorri e dá de ombros, então jantamos, eu mais calmo e consciente no que fazia e ele faminto como um leão.
__Dia seguinte.__
Acordo disposta e já vou tomar um banho gelado, hoje era dia de trabalho e os últimos preparativos para a grande recepção, que demorou, mas minha secretária conseguiu organizar tudo.
Me arrumo e logo desço para tomar café.
— Bom dia, Deyse!-digo animada.
— Bom dia, senhora. Acordou animada.
— Sim — sorri.
— Sente-se, já vou servir-lhe.
A mesma me serve e sai.
— Bom dia — chega Gean, bocejando e com o rosto amassado.
— Bom dia. Dormiu bem?
— Sim, e você?
— Bem.
— Está muito animada, o que houve de ontem para hoje?
Pensei em tudo que disse e também que não posso controlar as pessoas e seus atos, então só esqueci da minha frustração de não ter recebido antes.
— Disse ser uma mulher inteligente — diz orgulhoso e se senta à mesa.
Sorrio.
Tomamos o café, calados, logo após fui escovar os dentes e depois desci as escadas, além de caminhar em direção à porta.
— Para onde vai?
— Trabalhar.
— Posso ir?
— Não.
— Por favor…
Hoje não.
O mesmo fica emburrado no sofá.
Saio de casa e caminho até meu automóvel, que já se encontrava com o motorista, dou as coordenadas e, após minutos, estávamos na minha grande empresa.
Agradeço e logo saio do veículo, caminho até o elevador, entro no mesmo, aperto o botão e em pouco tempo estava chegando no meu andar.
Plimm
A porta se abre.
Saio e caminho até minha sala, mas antes cumprimento minha secretária, que assim que me viu, sorriu orgulhosa de seu desempenho.
— Bom dia, Zoe!
— Bom dia, senhora, tudo bem?
— Sim, e você?
— Muito bem.
— Ótimo. Bom trabalho.
— Obrigada — Sorri feliz.
Entro em minha sala e me acomodo em seguida.
Trabalho por longos minutos, faço pagamentos, converso com grandes marcas, investidores, até que minha porta foi aberta bruscamente.
Olha na direção e lá estava um homem alto e loiro, eu o conhecia bem, era um dos homens que chamamos de pretendentes. O mesmo sempre se candidatou ao cargo de meu namorado, mas eu o achava egocêntrico demais, além de me causar asco.
Atrás dele se encontrava uma Zoe assustada e esbaforida.
— Bom dia, Maria Helena — diz ele.
— Senhora, desculpe… eu tentei o impedir e avisá-la primeiro de sua presença.
— Tudo bem, Zoe, obrigada.
Sorrio amena, ela se afasta cuidadosamente e o homem adentra o recinto, me olhando galanteador.
— Bom dia, Nero. O que o trouxe até aqui?
— Recebi um convite de sua empresa, parece que Farzar Company vai dar uma recepção, apresentação de um produto novo.
— Sim.
— Duvido que seja tão bom quanto o “Ruller”.
— Todos os meus produtos são bons.
— Não é o que seus críticos estão falando/especulando por aí.
— O que veio fazer aqui, Nero?
— Vim oferecer meu apoio e até mais coisas se precisar.
— Tipo?
— Compra de aliados, compra dos jornais, matérias falando bem de você e sua empresa… claro que posso dar muito mais, porém, nesse momento, é o que precisa para fazer sucesso.
— Não precisa disso, confio no meu trabalho, nos meus produtos.
— Por que não me quer? Não quer minha ajuda — diz irritado, espalmando as mãos na mesa com força.
— Porque sei que consigo, independente do que dizem, eu dei meu melhor. Sem contar que não gosto de usar as pessoas para conseguir coisas, muito menos subornar alguém.
— Devia ouvir meus conselhos, construí tudo que tenho em menos de dois anos, sei o que é bom fazer para crescer.
— Eu não preciso disso, cresço com consistência.
— Vai se arrepender de não escutar meus conselhos, de me rejeitar.
— Obrigada pela visita — digo para entender que não o quero mais aqui.
— Vai ser um fracasso.
— Espero ansiosamente por sua presença, quero que coma bastante, beba bastante e tenha o prazer de sentir o cheiro da minha nova fragrância e, melhor ainda, possuir meu novo produto, que vai esgotar tão rápido, mesmo na 5° remessa.
O mesmo saiu batendo a porta e agora sim eu podia respirar, só que agora, surgiu a dúvida em minha mente, se daria certo ou não.