Helena:
— Tudo bem, senhora? — Entra Zoe preocupada.
— Sim, pode ficar tranquila.
— O que ele queria?
— O de sempre, tentar me comprar, mostrar que tem poder, que é maior que eu e minha empresa.
— Ele não se cansa… — revira os olhos.
— Você o convidou?
— Sim — diz constrangida — infelizmente, ele é quem mais investe na gente.
— Mesmo me atacando da forma que faz?
— Sim. No fundo, ele gosta da senhora, ou de se sentir melhor que a senhora.
— Imagino que ache que nunca seremos como ele.
— Engano dele, se pensa assim, em menos de um ano, estaremos no mesmo patamar que ele ou até maior.
— Quem diz isso?
— As estatísticas.
— Então estamos indo bem.
— Não se preocupe com ele e claro, deixe uma câmera gravando a reação dele, quando sentir e ver sua nova fragrância.
Sorrio. Zoe era uma das primeiras nessa empresa, começou na produção e, em menos de 9 meses, ela passou a ser minha secretária, sempre foi boa e eficiente no trabalho, nunca me abandonou, sempre acreditou nesse projeto e nessa família.
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Trabalho mais e depois vou para casa, estava cansada de mais, só queria comer algo gostoso e cama.
Chego, dou boa noite ao Gean que limpava a mesa de centro e vou para meu quarto. Olho aquela cama macia e confortável, sinto meu corpo me puxar para ela, mas eu precisava de um banho.
Vou para o banheiro, tiro a roupa, entro na banheira vazia, ligo a torneira e fecho os olhos, enquanto enchia.
— Helena! — ouço o chamado, mas permaneço da mesma forma — posso entrar?
O silêncio paira e eu me sinto muito feliz pelos minutos de paz.
Bom, segundos, pois logo o Gean fala.
— Como foi seu dia?
— Cansativo… só quero um banho e descansar um pouco.
— Posso entrar?
— Se me deixar dormir, pode, se não, vai embora.
Ouço seu sorriso divertido e logo o sinto adentrar na banheira. Assim que já se encontra ali, o mesmo massageia meu corpo, não era nada erótico, só bom e carinhoso.
— Não quero sexo… — digo baixinho.
— Sempre quero, mas sei dar a uma mulher o que ela merece e precisa, mesmo sendo contrário à minha vontade.
Queria abrir os olhos e olhá-lo, mas estava tão cansada que só dou um meio sorriso de aprovação e deixo ele continuar com a massagem.
Terminamos o banho, nos vestimos e ele foi buscar algo para eu comer.
O mesmo demora muito, até que volta com um prato de comida pegando fogo, ele põe a bandeja em cima de mim e me observa.
Eu olhava sem entender que prato era aquele, parecia ser a comida do almoço, toda misturada e esquentada.
— Não como isso.
— Vai comer, precisa se alimentar.
— Me parece uma gororoba — digo sinceramente.
— Achei que você era mais humilde que eu — gargalha leve.
— Olha a cara disso, Gean, eu não irei comer.
— Vai sim e vai ver que “isso” tem gosto de infância.
— Não pode me obrigar — falo firme, levantando um pouco o rosto.
O mesmo pega a bandeja e põe na mesinha do lado, pega uma porção de comida com a colher, assopra por diversas vezes e começa a simular um voo.
— O avião quer pousar — diz com um lindo sorriso que me derrete toda — abre o aeroporto.
— Não sou criança.
— Vai deixar o avião cair?
— Para com isso…
Então, abre o aeroporto para o avião pousar.
Abro a boca para que me deixasse em paz, o mesmo traz a colher até mim, que como.
Mastigo por alguns minutos e estava gostosa, embora a aparência não fosse nada atrativa.
Engulo.
— Gostou?
— Não é r**m.
— Então vamos comer tudo.
O mesmo enche a colher novamente e se prepara para fazer o mesmo, porém, eu seguro sua mão, dando a entender que eu podia comer sozinha.
E é isso que faço, como a comida toda e sozinha. Ele leva o prato para a cozinha, enquanto escovo os dentes, depois me deito novamente.
— Vou dormir aqui, tá bom?
— Sim. E seu quarto, como está indo à reforma?
— Não sei, eles não me deixam entrar e, quando está aqui, nós vemos tudo, menos isso.
— Entendi.
Ele se senta na beirada, segura meus pés em cima de suas coxas e logo massageia-os, um de cada vez.
— Não sabia que era massagista — falo, sentindo meu corpo relaxar.
— Não sou, mas quando era pequeno, minha mãe mandava eu fazer massagem em seus pés e costas, ela trabalhava muito e sempre chegava com ambos os lugares doendo.
— Sente ou sentiu saudades do seu pai?
Senti muito na minha infância, mas com o passar do tempo e vendo o sofrimento da minha mãe, percebi que não havia espaço para alguém que nos abandonou, não tinha como o querer depois de todo m*l e sofrimento que ele causou a nós, assim que nos abandonou.
— Achei que entendeu sobre o abandono.
— Entendi… mas também não posso justificar e matar seus erros, ele errou e isso resultou em muito sofrimento e dor, mas entendo que foi a única coisa que ele pôde fazer na época, naquele momento.
— Se tivesse a oportunidade de o encontrar hoje em dia, iria querer?
— Não.
— Nem para saber como é?
— Nem para isso.
— Recuperar o tempo perdido, então?
— Não.
— Se eu quisesse o conhecer, para saber sobre sua vida na época em que sua mãe te gerou?
— Você pode fazer o que quiser, só não me incluindo na sua descoberta, estou de acordo.
— Então vou procurar por ele.
— Ok — diz desanimado.
— Me cederia seu DNA?
— Estou aqui pelo trabalho, se precisar de DNA, então pode pegar cabelo, sangue, sêmen.
— Vou ver isso com calma… tudo anda muito corrido, muito trabalho.
Falo e fecho os olhos, lembrando do macchiato que bebi mais cedo, estava mais gostoso que o normal, dava vontade até de lamber os beiços só de lembrar.
Após minutos, percebi estar dormindo, pois o Gean parou de massagear meus pés e, após estantes, se deitou ao meu lado, puxando a coberta de baixo de mim e beijando meu rosto.
— Descansa, dorme bem.
Sinto um beijo molhado em minha testa e logo durmo.