016

1082 Palavras
Helena: — Tudo bem, senhora? — Entra Zoe preocupada. — Sim, pode ficar tranquila. — O que ele queria? — O de sempre, tentar me comprar, mostrar que tem poder, que é maior que eu e minha empresa. — Ele não se cansa… — revira os olhos. — Você o convidou? — Sim — diz constrangida — infelizmente, ele é quem mais investe na gente. — Mesmo me atacando da forma que faz? — Sim. No fundo, ele gosta da senhora, ou de se sentir melhor que a senhora. — Imagino que ache que nunca seremos como ele. — Engano dele, se pensa assim, em menos de um ano, estaremos no mesmo patamar que ele ou até maior. — Quem diz isso? — As estatísticas. — Então estamos indo bem. — Não se preocupe com ele e claro, deixe uma câmera gravando a reação dele, quando sentir e ver sua nova fragrância. Sorrio. Zoe era uma das primeiras nessa empresa, começou na produção e, em menos de 9 meses, ela passou a ser minha secretária, sempre foi boa e eficiente no trabalho, nunca me abandonou, sempre acreditou nesse projeto e nessa família. ------------ Trabalho mais e depois vou para casa, estava cansada de mais, só queria comer algo gostoso e cama. Chego, dou boa noite ao Gean que limpava a mesa de centro e vou para meu quarto. Olho aquela cama macia e confortável, sinto meu corpo me puxar para ela, mas eu precisava de um banho. Vou para o banheiro, tiro a roupa, entro na banheira vazia, ligo a torneira e fecho os olhos, enquanto enchia. — Helena! — ouço o chamado, mas permaneço da mesma forma — posso entrar? O silêncio paira e eu me sinto muito feliz pelos minutos de paz. Bom, segundos, pois logo o Gean fala. — Como foi seu dia? — Cansativo… só quero um banho e descansar um pouco. — Posso entrar? — Se me deixar dormir, pode, se não, vai embora. Ouço seu sorriso divertido e logo o sinto adentrar na banheira. Assim que já se encontra ali, o mesmo massageia meu corpo, não era nada erótico, só bom e carinhoso. — Não quero sexo… — digo baixinho. — Sempre quero, mas sei dar a uma mulher o que ela merece e precisa, mesmo sendo contrário à minha vontade. Queria abrir os olhos e olhá-lo, mas estava tão cansada que só dou um meio sorriso de aprovação e deixo ele continuar com a massagem. Terminamos o banho, nos vestimos e ele foi buscar algo para eu comer. O mesmo demora muito, até que volta com um prato de comida pegando fogo, ele põe a bandeja em cima de mim e me observa. Eu olhava sem entender que prato era aquele, parecia ser a comida do almoço, toda misturada e esquentada. — Não como isso. — Vai comer, precisa se alimentar. — Me parece uma gororoba — digo sinceramente. — Achei que você era mais humilde que eu — gargalha leve. — Olha a cara disso, Gean, eu não irei comer. — Vai sim e vai ver que “isso” tem gosto de infância. — Não pode me obrigar — falo firme, levantando um pouco o rosto. O mesmo pega a bandeja e põe na mesinha do lado, pega uma porção de comida com a colher, assopra por diversas vezes e começa a simular um voo. — O avião quer pousar — diz com um lindo sorriso que me derrete toda — abre o aeroporto. — Não sou criança. — Vai deixar o avião cair? — Para com isso… Então, abre o aeroporto para o avião pousar. Abro a boca para que me deixasse em paz, o mesmo traz a colher até mim, que como. Mastigo por alguns minutos e estava gostosa, embora a aparência não fosse nada atrativa. Engulo. — Gostou? — Não é r**m. — Então vamos comer tudo. O mesmo enche a colher novamente e se prepara para fazer o mesmo, porém, eu seguro sua mão, dando a entender que eu podia comer sozinha. E é isso que faço, como a comida toda e sozinha. Ele leva o prato para a cozinha, enquanto escovo os dentes, depois me deito novamente. — Vou dormir aqui, tá bom? — Sim. E seu quarto, como está indo à reforma? — Não sei, eles não me deixam entrar e, quando está aqui, nós vemos tudo, menos isso. — Entendi. Ele se senta na beirada, segura meus pés em cima de suas coxas e logo massageia-os, um de cada vez. — Não sabia que era massagista — falo, sentindo meu corpo relaxar. — Não sou, mas quando era pequeno, minha mãe mandava eu fazer massagem em seus pés e costas, ela trabalhava muito e sempre chegava com ambos os lugares doendo. — Sente ou sentiu saudades do seu pai? Senti muito na minha infância, mas com o passar do tempo e vendo o sofrimento da minha mãe, percebi que não havia espaço para alguém que nos abandonou, não tinha como o querer depois de todo m*l e sofrimento que ele causou a nós, assim que nos abandonou. — Achei que entendeu sobre o abandono. — Entendi… mas também não posso justificar e matar seus erros, ele errou e isso resultou em muito sofrimento e dor, mas entendo que foi a única coisa que ele pôde fazer na época, naquele momento. — Se tivesse a oportunidade de o encontrar hoje em dia, iria querer? — Não. — Nem para saber como é? — Nem para isso. — Recuperar o tempo perdido, então? — Não. — Se eu quisesse o conhecer, para saber sobre sua vida na época em que sua mãe te gerou? — Você pode fazer o que quiser, só não me incluindo na sua descoberta, estou de acordo. — Então vou procurar por ele. — Ok — diz desanimado. — Me cederia seu DNA? — Estou aqui pelo trabalho, se precisar de DNA, então pode pegar cabelo, sangue, sêmen. — Vou ver isso com calma… tudo anda muito corrido, muito trabalho. Falo e fecho os olhos, lembrando do macchiato que bebi mais cedo, estava mais gostoso que o normal, dava vontade até de lamber os beiços só de lembrar. Após minutos, percebi estar dormindo, pois o Gean parou de massagear meus pés e, após estantes, se deitou ao meu lado, puxando a coberta de baixo de mim e beijando meu rosto. — Descansa, dorme bem. Sinto um beijo molhado em minha testa e logo durmo.
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