Gean:
Fiquei muito triste com o que houve com minha mãe, mas melhorei ao saber que a Helena estava nos dando apoio financeiro. Um dia eu pagaria tudo para ela, mas agora eu só aceito minha pequenez.
Depois que chegamos em casa, comemos algo e depois cada um foi tomar banho para dormir. Após o banho, vou para o quarto dela e, como meu corpo está frio, abraço o seu para me esquentar. Ela parecia dormir, então não iria se importar.
Abraço-a e fico sentindo seu cheiro bom, e não sei se é a falta de sexo, a presença dela ou seu cheiro, mas eu ficava ereto sempre.
Então ela acorda e eu consigo chupar sua genitália, que era gostosa, macia e molhada. Ela pode dizer que não, mas sente o mesmo que eu.
Depois de tudo, não houve penetração, mas pude tocar seu corpo e começar o processo de engravidá-la, claro que quero que demore a engravidar, mas preciso mostrar que faço tudo pelo trabalho.
No dia seguinte, acordo no sofá com a mesma me encarando, então vieram os piores pensamentos, mas ela diz serena que estava tudo bem.
Tomamos café e me arrumei para ir em sua empresa, estava doido para conhecer sua grande conquista e aprender a crescer assim como/com ela.
Entramos no veículo e logo o motorista dirigiu. O caminho todo, eu olhava maravilhado para as ruas e os grandes arranha-céus, as pessoas andavam apressadas.
— Já procurou emprego por aqui? — questiona, me olhando.
— Não, não sou como eles — digo, me referindo a todos que andavam apressados.
— Por que não?
— Não pude completar meus estudos, nem fazer nada relevante, sou um Zé-ninguém em todos os aspectos.
— Perdeu a chance de ter uma boa oportunidade ou ganhar um salário melhor.
— Me diga, você me contrataria sabendo que eu não tenho nem um tipo de formação?
— Te contratei.
— Quero dizer para algo grande, de prestígio.
— Infelizmente não.
— Sei que não, como todos não contratariam, todo setor precisa de alguém apto para fazer o trabalho, ou que saiba fazer um pouco e se aperfeiçoe. Eu não sei fazer muita coisa, aprendo rápido, mas não tenho estudo e isso tira minha credibilidade. Não julgo as grandes empresas, talvez eu ganhasse a função de limpar os banheiros, ou salas, mas isso não seria nada bom para mim. Sair de casa muito cedo, limpar uma grande empresa, chegar em casa tardiamente e ganhar um salário mediano, além de ter que gastar a maioria em passagens até o trabalho/casa.
O assunto morreu e seguimos o caminho em silêncio. Após alguns minutos, chegamos a uma grande empresa, o motorista para no estacionamento, nós dois saímos e caminhamos até o elevador.
— Vem trabalhar todos os dias? — questiono para espantar o silêncio assustador.
— Não, venho ocasionalmente.
Ela apertou o número do andar e logo estávamos subindo, mas paramos no 10° andar para alguns funcionários entrarem.
— Bom dia, dona Helena — dizem juntos.
— Bom dia — diz ela sorrindo.
— Bom dia — Falo baixo e eles me olham, porém, logo me ignoram.
Depois, eles descem e logo é nossa vez.
Passamos por um pequeno corredor com várias portas de vidro e pessoas trabalhando, depois passamos por sua secretária e uma pequena sala de espera e no fim tinha uma grande porta de madeira.
— Bom dia, senhora — diz a moça da recepção.
— Bom dia, Zoe. Leva para mim dois cafés, por favor.
— Sim, senhora.
Entramos na sala e logo a porta é fechada.
— Sua empresa é linda e muito grande! — digo entusiasmado.
— Você ainda não viu nada — sorri orgulhosa.
— Faz o que todo dia (que vem)?
— Assino papéis, crio novos produtos, estratégias, faço reuniões, colho dúvidas e dicas, reviso o caixa/gastos/lucro, vejo as filiais e todo o lucro que nos dá, reviso sempre nosso capital de giro… essas coisas.
— Bastante coisa. Como encaixaria um bebê em todo esse trabalho?
— Tenho dinheiro e empregadas, consigo conciliar trabalho e filho.
— Entendi.
Minutos depois, a secretaria abre a porta, se aproxima e logo nos serve o café, e então coloca uma planilha em frente à Helena.
— Preparei toda a recepção, vê se a senhora gosta.
— Tá bom, obrigada, Zoe, vou dar uma olhada.
A mesma se retira e a Helena começa a ler a planilha.
— Vai chegar alguém? — questiono, olhando para a porta.
— Não, por quê?
— Ela falou de recepção — a mesma sorri como se sorrisse para uma criança.
— Recepção é uma pequena festa que daremos, para apresentar nosso novo produto e vender pela primeira vez.
— Que legal… todos podem entrar?
— Não, o lançamento é voltado mais para investidores, pessoas da elite e empresários de todos os nichos.
— Por quê?
— Porque eu vendo em valor cheio, quando sai para as massas, eles vão em “promoção”.
— Entendi. E qual é seu novo produto?
— Um perfume que fala muito de mim, cada detalhe reflete minha infância e a imagem dele mostra como sou hoje. Por isso, eu amo esse perfume, ele é minha biografia.
— Sua família é podre de rica, não é?
— Não. Venho de família pobre, mas nunca nos faltou nada, tínhamos o suficiente… todavia, nunca pus em mente que tudo que tínhamos era o suficiente para mim.
— Como cresceu tanto?
— Fiz duas coisas importantes, me conhecer de verdade e procurar meus talentos, depois os pus em prática.
Quebrei a cara diversas vezes, mas continuei. Recebi “não” para alguns empregos, mas não desisti. Tudo que me propus a fazer, me esforcei para aprender e fui dando meu melhor. Quando digo que “venci” com trabalho, quero dizer que não foi só o físico, foi o mental, espiritual.
— Consigo ser pelo menos parecido com você?
— Pode ser até melhor, só basta correr atrás, se permitir errar e acertar, não desistir por nada de seus sonhos e se comprometer a aprender mais e se aperfeiçoar mais.
— Eu quero!
— Então vou te ajudar — sorri.
Ela trabalhou mais e, após seu expediente, fomos ver como minha mãe estava.
A mesma ainda não acordou, eu estava ficando atordoado, inúmeras coisas passavam em minha mente, como se eu fosse culpado pelo que estava acontecendo.
— Tudo bem? — questiona ela, segurando dois copos de café.
— Tudo.
— Certeza? — Estende uma mão e eu pego o copo.
— O de sempre… ela não acorda, estou preocupado, passa em minha mente que não devia ter deixado sozinha, se eu não fosse negligente com minha mãe, ela não estaria tão m*l assim.
— Não é sua culpa.
— Como não, Helena? Ela não acorda por culpa minha, se eu estivesse em casa, não a deixaria trabalhar tanto e ficar sem comer.
— Se ficasse lá, ela não teria recursos, agora ela tem. Sei que é difícil ver sua mãe nessa situação, mas ela está sendo cuidada e te garanto que eles sempre fazem o melhor.
— Você me acha ganancioso?
— Você me acha infeliz?
— Não.
— Você não é ganancioso, só quer melhorar, como eu quis um dia e consegui. Você também vai conseguir.
A mesma pisca para mim e minha mão apoia sobre a sua, que estava apoiada em seu joelho, mas a mesma tira a mão, como se as minhas estivessem em chamas.
— Vamos? — questiona já levantando.
— Sim.
A seguir, fomos para casa.