Narrado por Christian
Hoje era o aniversário da mulher que mudou minha vida. Desde o momento em que Anastácia entrou no hospital psiquiátrico, quebrada pela dor, eu soube que ela era diferente. Não só pela profundidade com que sentia, mas pela luz que ainda havia nela — mesmo escondida sob o luto.
E agora... ela brilhava.
Acordei cedo. Mais cedo que o costume, inclusive. Preparei o café da manhã com calma: morangos frescos, croissants quentinhos, flores no centro da bandeja. Subi devagar até o quarto onde ela dormia.
Assim que entrei, a luz suave da manhã tocava o rosto dela. Dormia com os cabelos espalhados pelo travesseiro, o rosto sereno.
— Bom dia, minha princesa. Feliz aniversário — sussurrei, depositando um beijo em sua testa.
Ela sorriu antes mesmo de abrir os olhos.
— Isso é real? Ou ainda estou sonhando?
— Totalmente real. E só começou.
Ela se sentou na cama, surpresa ao ver a bandeja. Os olhos se encheram de lágrimas.
— Christian, isso é tão lindo...
— E é só o começo. Hoje você vai ter um dia inteiro para ser mimada. Quero que você se sinta como merece: especial, amada e completamente cuidada.
Ela me olhou com aquele olhar que dizia tudo sem dizer nada. O tipo de olhar que atravessa a alma.
— Com você... eu já me sinto assim todos os dias.
O spa ficava numa pousada no alto da serra. Reservei o dia inteiro para ela: massagem, banho aromático, cabelo, unhas, maquiagem. Escolhi um vestido que sabia que ela amaria, e o entreguei no camarim após a sessão de cuidados.
Quando ela saiu da sala, transformada, meu coração quase parou.
O vestido lilás realçava sua pele. O cabelo solto em ondas suaves. Os olhos brilhando com emoção.
— Você tá... maravilhosa — sussurrei, completamente rendido.
— É a primeira vez, desde a morte do Lucas, que me sinto... viva de verdade — ela disse, tocando meu rosto.
Segurei sua mão e a beijei com carinho.
— E eu vou lembrar você todos os dias disso. Do quanto você está viva, linda, inteira... e minha.
Seguimos para um restaurante reservado só para nós dois. Música suave, velas acesas, vinho branco, vista para o lago. Era perfeito.
Ou deveria ser.
No meio da tarde, enquanto andávamos de mãos dadas por um pequeno jardim ao lado do restaurante, tudo desabou.
— Anastácia?
A voz veio como uma pedra na tranquilidade do dia. Quando virei, vi uma mulher com os cabelos claros, bem arrumada, ao lado de um senhor de terno escuro. O olhar deles congelado, julgador, gélido.
— Larissa... pai — Anastácia murmurou, dando um passo para trás.
Fiquei ao lado dela imediatamente, a protegendo com o corpo, sentindo seu desconforto crescer.
— Então é verdade — disse a irmã. — Você está viva. E bem. Fazendo... passeios românticos?
O pai cruzou os braços.
— Depois de toda a vergonha que nos fez passar, você tem coragem de aparecer em público? Fingindo normalidade?
Minha mandíbula travou.
— Desculpa, mas não é hora pra isso — falei, tentando manter a compostura. — Hoje é o aniversário dela.
— Não nos interessa — respondeu o pai com frieza. — Ela fez a escolha dela quando decidiu enlouquecer e nos envergonhar.
Larissa olhou para Anastácia com desprezo.
— Você deveria estar em tratamento. E não... com um homem. Como se tivesse uma vida normal.
Anastácia estremeceu. Vi seu rosto perder a cor.
— Eu... só queria um dia de paz — ela sussurrou, recuando.
— Você merece voltar pro manicômio sua louca.— Larissa fala avançando em Anastácia e eu seguro sua mão.
— Não se atreva a tocar nela.— falei com raiva.
— Me solta seu maluco, está me machucando.— ela choramingou e eu nem liguei
— Christian, para, larga ela e vamos embora.— Anastácia fala segurando meu braço e por ela eu solto a cobra da irmã dela e ela me abraça.
— Tudo bem, vamos embora — falei, segurando sua mão com firmeza. — Agora. — falei antes que eu perdesse a cabeça denovo.
Voltamos ao carro em silêncio. No caminho, vi as lágrimas descerem sem que ela as limpasse. Seus olhos, que até há pouco estavam cheios de vida, agora pareciam opacos de novo.
— Eles queriam que eu tivesse morrido — ela disse, de repente. — Não é? Eu enlouqueci, estraguei a reputação da família. Era melhor se eu tivesse morrido com o Lucas.
— Não. Anastácia, não. — encostei o carro no acostamento e virei de frente pra ela. — Eles não te merecem. Você é maravilhosa, corajosa, verdadeira. O problema nunca foi você. É a frieza deles. A vergonha deles. A falta de amor deles.
Ela respirou fundo, tentando conter o choro.
— Por que me dói tanto, Christian? Por que ainda espero que eles me vejam?
— Porque você é feita de amor — sussurrei, encostando minha testa na dela. — Mas você não precisa mais implorar por isso. Você tem a mim. E eu... te vejo. Por inteira.
Quando chegamos em casa, ela parecia mais calma. Eu preparei um jantar leve, deixei que ela tomasse um banho demorado. E então, subi com uma única rosa vermelha nas mãos.
— Vem aqui — murmurei, estendendo a mão pra ela. — Me dá a honra de terminar esse dia como você merece?
Ela assentiu, com os olhos marejados e o coração entregue.
A leveza do momento seguinte só pode ser descrita por um silêncio carregado de intenção.
Levei-a até o quarto, iluminado apenas por velas. Coloquei a rosa sobre o travesseiro e a envolvi com os braços.
Beijei seu ombro com delicadeza. Depois o pescoço. A pele dela era quente, trêmula. Cada toque meu parecia derreter uma camada de dor antiga.
— Quero que hoje você se sinta desejada, inteira, amada — sussurrei em seu ouvido.
Ela passou os braços em volta do meu pescoço, puxando-me para mais perto.
— Eu confio em você — ela disse. — Estou pronta. Pra tudo.
A resposta dela me atravessou. Era mais que consentimento. Era entrega.
Beijei-a com paixão. Lenta, profunda, sincera. Nossos corpos começaram a se encaixar com uma i********e que só nasce do amor e da cura.
Desabotoei lentamente o vestido dela, revelando sua pele, suas curvas, sua história. Ela fez o mesmo comigo, os dedos trêmulos de emoção.
Deitamos juntos, pele com pele, coração com coração.
O toque foi gentil, depois intenso. A primeira vez que nossos corpos se uniram foi um encontro de almas, não apenas de desejo. Era como se cada carícia dissesse “você está viva” e “você é amada”.
Ela arqueou o corpo sob o meu, os olhos presos nos meus. Eu a penetrei com suavidade, sentindo-a me acolher com um gemido abafado, um sussurro de prazer que me deixou completamente rendido.
Movimentos lentos no início, depois mais intensos. O quarto se encheu dos nossos sons, nossos beijos, nossas mãos explorando o que o tempo e a dor haviam guardado.
Até que chegamos ao clímax juntos.
— Feliz aniversário, meu amor — sussurrei, ainda dentro dela, sentindo seu coração disparado contra o meu.
— Foi o melhor presente da minha vida — ela respondeu, entre lágrimas e sorrisos.
Nos abraçamos ali, despidos de tudo, menos daquilo que realmente importava.
Amor.
E fé num recomeço que, finalmente, era real.