Gabriela Narrando O baile era exatamente a mistura de tudo que eu imaginei no caminho até ali. Música alta demais, grave batendo no peito, gente demais, corpos se esbarrando sem pedir desculpa, fumaça no ar, luzes coloridas piscando tão rápido que parecia bagunçar até os pensamentos. Era outro mundo. Um mundo que não tinha nada a ver comigo. Ou pelo menos era o que eu queria acreditar. A Maya, por outro lado, parecia ter nascido naquele ambiente. Ela dançava com uma desenvoltura absurda, o corpo acompanhando a batida como se fosse extensão da música. Cada movimento dela era seguro, solto, confiante. A roupa vermelha colava no corpo dela de um jeito quase hipnótico, chamando atenção sem esforço nenhum. Todo mundo olhava. E ela nem parecia perceber. Eu já era o oposto completo. Me senti

