O ESPETÁCULO DO PODER
A festa não era uma celebração, era um aviso, a mansão Capón havia sido transformada em um palco cuidadosamente calculado para exibir domínio absoluto.
Luzes baixas tingiam o ambiente de dourado e sombras profundas, criando um contraste quase ritualístico, velas negras se espalhavam pelos salões, refletindo em lustres de cristal antigo. Arranjos de rosas escuras, vinho, negras, rubras, exalavam um perfume intenso, quase sufocante.
Tudo ali gritava riqueza, mas também ameaça.
Homens de ternos impecáveis ocupavam o espaço como predadores elegantes. Aliados antigos, inimigos tolerados, famílias que aprenderam, ao longo dos anos, que sobreviver significava estar do lado certo da mesa e, naquela noite, a mesa era de Eros Capón.
Taças de cristal circulavam carregadas com champanhe francês raríssimo, garrafas que custavam mais do que muitos daqueles homens haviam ganhado em uma vida inteira antes de entrarem para o jogo. O líquido dourado borbulhava lento, como se até ele soubesse que aquela noite não era de alegria, mas de exibição.
Todos falavam, todos observavam, e todos entendiam, Carlos Dante estava ali, não como convidado de honra, mas como prova.
Ele permanecia ao lado de uma coluna, o rosto sério demais, os ombros rígidos, as mãos cerradas atrás do corpo. Vestia um terno caro, mas nada ali conseguia esconder o homem quebrado por dentro.
Cada cumprimento recebido era uma facada silenciosa, cada olhar lançado em sua direção carregava curiosidade, julgamento e algo pior, satisfação alheia.
Ele caiu, diziam os olhares, Capón venceu.
Eros Capón entrou como se a casa respirasse com ele, o burburinho diminuiu instantaneamente.
Ele surgiu pelo topo da escadaria principal, vestindo um terno n***o sob medida, o tecido absorvendo a luz ao invés de refleti-la, cicatriz cortando o rosto parecia ainda mais c***l sob o jogo de sombras. O olho azul observava tudo com precisão calculada, o esquerdo, esbranquiçado, tornava seu olhar ainda mais perturbador, quase sobrenatural.
Em seu braço estava Amália, alta, postura impecável, cabelos escuros presos de forma elegante, um vestido longo de cetim profundo abraçando-lhe o corpo com arrogância. O vermelho fechado da peça parecia sangue seco. Amália não sorria. Não precisava. Ela conhecia aquele lugar. Aquela posição sempre fora dela.
Amiga de infância, amante, confidente, a mulher que todos esperavam ver ao lado dele… como esposa.
Eros caminhava com ela lentamente, a mão firme em sua cintura, o gesto intencional, calculado para ser visto. Para ser interpretado.
Amália sentia-se em casa.
E gostava disso.
— Eles estão todos aqui — murmurou ela, em espanhol baixo — do jeito que você queria.
— Exatamente — respondeu Eros, sem desviar o olhar da multidão.
Então, a música mudou, e Olivia entrou, osalão pareceu perder o ar.
Ela vinha ao lado do pai, o braço dele tremendo levemente sob o dela. Usava um vestido claro, de corte clássico, tecido fluido que contrastava violentamente com o ambiente escuro. A simplicidade fazia dela um ponto de luz indesejado no meio da sombra.
O cabelo caía solto pelos ombros. As bochechas levemente coradas. O queixo erguido.
E os olhos, um verde profundo, o outro azul claro.
Anormais, hipnotizantes, lindos pra c*****o.
Amália sentiu o estômago revirar.
Eros também viu.
Por um segundo breve demais para ser notado por qualquer outro, algo atravessou seu olhar. Não arrependimento. Não desejo.
Algo mais incômodo.
Ele apertou a cintura de Amália com mais força, não por desejar aquilo, mas para humilhar, pra todos saberemos ali, que ele.mandava em tudo, que Eros venceu e sua vida era dele, a dos dois.
Olivia viu o gesto, viu o sorriso frio dele, viu a mulher em seu braço, e sentiu o impacto como um soco silencioso, mas não desviou o olhar, não ali, não naquela noite.
Carlos Dante inclinou-se levemente.
— Você não precisa ficar — murmurou — isso tudo é…
— Eu preciso você me colocou aqui.— Olivia respondeu — e vou ficar de pé.
Eles avançaram, os convidados observavam com interesse renovado. A peça principal estava completa.
Quando o mestre de cerimônias anunciou o noivado, sua voz ecoou clara demais.
— Celebramos hoje a união entre Eros Capón e Olivia Dante.
A palavra união soou como uma piada c***l.
Eros não soltou Amália, os aplausos vieram, contidos, calculados. Champanhe foi servido novamente. Brindes murmurados. Sorrisos falsos.
Olivia respirou fundo, caminhou.
Cada passo era um desafio.
Parou diante deles.
Diante dele.
— Acho — disse, com a voz suave demais para o que carregava — que já ficou tempo demais com meu noivo, senhora.
O salão congelou, Amália piscou, surpresa.
— Senhora? — repetiu, incrédula.
Olivia inclinou a cabeça, fingindo pensar.
— Perdão — continuou, os lábios se curvando em um sorriso doce — prefere que eu te chame de idosa?
O choque virou fúria, o rosto de Amália endureceu.
— Você tem ideia com quem está falando? — sibilou.
— Tenho — Olivia respondeu, calma — e continuo achando que está ocupando um lugar que não é seu.
Amália riu, um som cortante.
— Você é só uma menina — disse — uma obrigação.
— E você — Olivia respondeu — é só um erro prolongado.
O silêncio era absoluto, Eros observava, sem interferir, sem afastar Amália, sem defender Olivia, testando.
Amália apertou o braço dele, buscando apoio, ele não se moveu, isso foi suficiente.
— Aproveite a festa — disse Amália, soltando-o com raiva controlada — enquanto pode.
Ela se afastou, os saltos ecoando duros no mármore.
Olivia manteve o sorriso até ela desaparecer.
Só então virou-se para Eros.
— Se você quer jogar — disse, baixo — aprenda uma coisa, eu não ajoelho.
O olhar dele se estreitou.
— Você vai aprender — respondeu — o custo disso.
Ela sustentou o olhar.
— E você vai aprender — retrucou — que Olivia Dante não é moeda fraca
.
Ele não sorriu.
Mas algo dentro dele se moveu, Olivia se coloca ao seu lado, segura em seu braço, suave.
Aquele.simples toque faz Eros queimar, p***a, ela estava jogando, e uma.menina não ia jogar com Eros Capón sem sair queimada, ela está disposta a descumprir uma das regras então que seja.
— Minha noiva quer ser apresentada como tal?
— O mínimo, se estou nesta situação, que seja.
Eros que nunca foi de toque, era algo que nunca gostou desde a infância, mesmo Amália aquela que sempre conviveu, que treinaram juntos, que conviveu a vida toda, não gostava que encostasse demais. Mesmo quando decidiu serem amantes, era necessidade fisiológica, ele queria f***r as vezes, ela tambem, nada mais depois.
Estava se segurando para não afastar Amália de seu braço, mas essa garota estava próxima demais e Eros não entendia porque seu corpo queria mais.
Eros caminhava com Olivia, todos nós salão acompanhavam eles, sendo aproximou de seu pai, Juan Capón. Que olha para a garota com aversão.
Aquela menina era uma Dante, uma maldita que por ele morreria queimada.
— Papá, está é minha noiva, Olivia D...
— Não precisa dizer o sobrenome, essa imundície de sobrenome nao é pronunciado na minha casa.
Olivia arregala os olhos, ela engole seco, eu gosto de ver isso.
— Muito prazer sr. Capón. — ela diz suave erguendo o queixo.
— Prazer? Vindo de um Dante? Só se estivesse morto.
— Bom, não posso te dar esse prazer, mas um sobrenome proibido de ser pronunciado em seu lar, ja foi dito, então ja é um bom começo.
Ela diz atrevida, Eros não consegue desviar os olhos, que garota abusada, pensava, perdido em pensamentos.