Capitulo Dois

1719 Palavras
Capítulo Dois - Grace. O tempo que passei aqui em Seattle, foi bom. Fiz amigos novos e verdadeiros. Minha tia Eva estava sendo uma mãe pra mim. Cuidava de mim e Liza muito bem e nunca quis nada em troca. Hoje estou voltando para Cincinnati e irei fazer minha loja de artes com minhas pinturas e com o dinheiro que ganhei no meu trabalho aqui. Dois anos se passaram desde o dia em que o cara que eu gostava...bem....Mas enfim, dois anos se passaram desde aquela humilhação. Agora não sou mais aquela Sophia que morreria por ele. Eu mudei. —Minha linda, saiba que se precisava de alguma coisa, me ligue sem pensar duas vezes. Isso é uma ordem, Sophia Grace — Tia Eva dizia. Estávamos em frente ao meu carro prontas para partir —Tia Eva, pode deixar, ligarei sim. Obrigada pelos conselhos e por nos receber tão bem — sorri e lhe abraçei — Virei sempre aqui lhe visitar, pode ter certeza. —Tchau, tia Eva — Liza a abraça e deposita um beijo em sua bochecha Pegamos a estrada para Cincinnati, era bem longe da cidade de Tia Eva.   Eu estava morrendo de saudades de Anthony e Helena. ______ — Finalmente, mãe. Eu já estava cansada — Liza diz saindo do carro e carregando suas malas para o nosso apartamento. O porteiro me ajudou com as outras. Subi e deixei as malas na sala. O apartamento continuou com a mobília que deixei. Estava organizado e bonito, com as paredes pintadas de um tom neutro deixando tudo confortável. Os últimos moradores fizeram um bom trabalho —Você deve estar cansada, meu amor. Mamãe também está — Pego a toalha e vou para o banheiro com Liza. Tomamos banho juntas e saímos para nos trocar —Estou com fome — ela reclama e põe a mão na barriga. Peguei o telefone liguei para o restaurante de Anthony. Ele ficou muito feliz em saber da minha volta e que ele e Helena iriam vir trazer meu pedido —Amanhã iremos comprar algumas coisas para a geladeira tudo bem? — Me agacho ao seu tamanho e lhe dou um beijo na testa. Ela se senta no sofá e começa assistir algo que estava passando. Estava fazendo muito frio na cidade. Peguei um cobertor e cobri Liza que estava vidrada do filme Alice no país das maravilhas. Ela amava. {...} —Não acredito que esta de volta. Tão linda — Helena estava sentada comigo na mesa, junto com Liza e Anthony. —Como foi lá? — Thony pergunta e rouba uma batata frita de Liza que faz cara feia —Lá é lindo, como aqui. Fiz amigos novos, trabalhei... — falei e suspirei. As lembranças vieram novamente como todas as noites —E superou os problemas — Helena termina e toca em minha mão — onde pensa em trabalhar? —Se quiser, tem trabalho garantido no restaurante pra você — Thony sorri —Obrigada, querido, mas, eu irei abrir minha galeria. Tenho esse sonho, amo pintar, desenhar. — digo e sorrio — Tenho um bom dinheiro guardado, tenho que saber administrar ele para um futuro melhor —Esta certíssima — Helena sorri — Temos que ir amiga, o restaurante está cheio e você sabe né? Precisam de nós lá —Isso mesmo! Vão lá. A gente se vê por ai — digo e abraço os dois. —Amanhã passa no restaurante para almoçarmos juntas? Podemos sair e matricular a Liza na escola, fazer umas comprinhas para o frio que esta vindo. O que acha? —Não acho uma boa ideia ir lá Helena...Ainda dói muito — digo e suspiro ao lembrar — Que tal eu lhe esperar lá na frente e vamos almoçar em outro lugar? Tenho que ir ao mercado também, levar Liza ao médico.... Ela me olha triste, mas, logo sorri fraco — Eu entendo você. Tudo bem, eu irei lhe esperar amanhã meio dia. —Se cuida, Sophia — Thony sorri e beija minha testa. Eles logo se vão. {...} —Tome seu remédio, Liza,  e vá dormir, pois amanhã teremos muitas coisas pra fazer — Digo e lhe entrego um remédio. Ela bebe tudo e depois faz um careta —Quero dormi com você, tenho medo —ela diz e corre para meu quarto pulando na cama. Lhe dou um sorriso e deito logo em seguida. A abraço e dormimos juntinhas. De manhã estávamos prontas para fazer uma faxina na casa. Coloquei novos forros nas camas, cortinas, tapetes, e tudo mais. Coloquei os portas retratos novos e antigos. Nunca uma faxina foi tão legal na companhia de minha menina. —Fizemos um bom trabalho — digo e caímos as duas no sofá, ela sorri e olha pra mim — O que foi espertinha? —Seu cabelo, mãe, tá todo bagunçado — Minhas mãos correm para os cabelos loiros dela e os bagunço também — Não! Para — ela sorri e começa a correr pela casa —Vem, vamos tomar banho — A puxo para o banheiro onde tomamos um belo de um banho. Vestimo-nos e pegamos o carro para ir atrás de Helena no restaurante. Coloquei uma calça de coro preta e uma bota, com uma blusa de algodão manga comprida e um cachecol. Ao chegar ao lugar, estaciono e fico dentro do carro esperando. Olho para trás e Liza estava brincando no seu joguinho, quando olho para frente novamente meu coração volta a bater ao rever ele. Sempre com uma boa postura, lindo, charmoso e acompanhado do seu amigo, Pietro, eu acho. Seus cabelos pretos sempre bem penteados, sua barba rala o deixando bem. Ao mesmo tempo em que sinto aquele sentimento, também sinto o ódio e a vingança me dominar. Tudo o que ele me fez passar, sem ligar para os meus sentimentos. Ele não era pra mim e nem eu pra ele. Alfonso some dentro do restaurante. Eu precisava vencer aquilo, uma hora ou outra iriamos nos esbarrar e por que não agora? —Aonde vamos? — Liza pergunta e desce do carro  —Almoçar — Travo o carro e entro no restaurante Alfonso Todos os dias que se passaram eu nunca me perdoei pelo o que fiz. A magoei e quebrei seu coração sem me importar com os sentimentos dela. Tentei procurar por ela, mas fiquei sabendo que ela tinha ido embora. Pietro ficou sem falar comigo durante um mês, mas, voltamos ao normal. Escondido, eu entrava pela internet na rede social de Cíntia minha irmã e olhava todos as noites o perfil de Sophia, sempre ela postava fotos do lugar onde ela estava, e descobri ser Seattle. Admirava seus olhos e sorrisos, sinceros e puros. Desde o dia que ela se foi, e até hoje, todas as noites eu ficava admirando suas fotos. Pensei em até contratar um detetive para saber seus passos, mas desistir pois eu estaria me tornando um piscopata e isso não é pra mim. Se passou um ano e me vi apaixonada pela mulher que eu humilhei. Que beleza!   De madrugada não conseguia dormir direito, pois como castigo, todas as noites eu recordava das minhas palavras ruins para ela naquele restaurante. Uma vez me peguei chorando por ter feito essa covardia com ela. Me vi um ser humano sujo e baixo. A única que me acalmou naquela vez foi Cíntia. —Você precisa se acalmar — dizia Cintia. Ela segurava em meu braço e passava as suas mãos no meu cabelo —Eu sou um merda. Ela nunca vai me perdoar. Eu me sinto m*l todos os dias pelo o que fiz — digo com raiva de mim mesmo. — Olha no que eu me tornei, Cíntia? — digo caindo de joelhos. —Levante, Alfonso Alencar e para de chorar — Ela apesar de ser mais nova, com seus vinte e seis anos, tinha esse controle sobre mim —Não consigo. Eu queria ter pelos menos a chance de pedir perdão. —Você não pode ter tudo o que quer — Ela suspira e me leva até meu quarto {...} Dois anos se passaram que a consciência pesada, a culpa é a dor estão comigo. Eu não era um homem. Eu era um moleque e sinto vergonha disso. —Vamos almoçar? — Pietro entra com um grande sorriso —Que alegria é essa? — pergunto e me levanto indo em direção a porta —Vou sair com Melanie. Eu consegui. —Você merece — Digo e seguimos para o restaurante. Eu tentava evitar ir lá, mas, parece que Pietro fazia questão. Ao entrar, seguimos para a mesa onde sempre ficávamos. Pedimos a comida de sempre e ficamos esperando. Meus olhos vagaram para o lugar onde eu e Sophia conversamos da primeira e última vez. Fico olhando para o lugar com o olhar vidrado, e eu podia me ver ali humilhando ela. —Cara! Eu não acredito que é ela — Ele sacode meu braço e balanço a cabeça saindo dos meus pensamentos —O que foi? — pergunto — Ela voltou — ele aponta e olho para a porta onde ela estava entrando. Eu não acreditei no que vi, balancei a cabeça umas três vezes e olhei novamente. Era ela. Tão linda, calma, perfeita pra mim. Mas não pra mim. Ela encontra meu olhar, e vejo o vazio neles. Gelados como a pior nevada. Ela desvia e seguiu para dentro do restaurante, onde entra na sala no dono. Anthony. Eles estão juntos? —Ei...Estou falando com você — Pietro me da um soco de leve — O que aconteceu? Ficou paralisado? — ele sorri e lhe lanço um olhar raivoso. Levantei e segui até o carro, se eu ficasse mais um pouco ali, poderia fazer uma besteira das grandes. Entrei e Pietro veio assustado atrás de mim —Eu estou indo para minha casa. Acho melhor você pegar um Táxi — digo e ele entra mesmo assim —Você está louco? O que aconteceu? Olha seu estado!!  — Dou partida e saio de lá sem falar nada. Ando rápido na pista, e não demoro muito chego em minha casa, onde moro sozinho. Desço e vou em direção ao me quarto. Entro e fico observando o nada. Ela voltou , algo que eu queria , mas temia. Eu sou um covarde em todos os sentidos. O que eu fiz?
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