Capitulo Três

1405 Palavras
Capítulo Três - Alfonso A chegada inesperada de Sophia me abalou mais que tudo. O sentimento que vinha nutrindo por ela todos esses tempos veio mais forte ao ve-lá. Lembro-me direitinho das palavras que eu  disse a ela naquele dia. O vazio em seus olhos, a humilhação, o ódio. —Alfonso!! — Cíntia chega ao meu quarto e se abaixa ficando ao meu lado — A mesma coisa? Eu juro que você vai ao psicólogo hoje mesmo mocinho. Não posso mais te ver assim, mano — Após termina o seu falatório, Cíntia levanta e sentamos na cama — Olha só pra você,  Alfonso. Você tá obcecado por ela. Ela tá em outro lugar, vivendo a vida dela e superando o que você fez com ela. Isso é um castigo pra você apren... —Ela está de volta — a interrompi e ela balança a cabeça em negativo —Tá vendo, você tá delirando, Alfonso. Não posso mais te ver assim — ela suspira e alisa meus cabelos —Ela voltou, ela está aqui na cidade — digo novamente, e Cíntia abaixa a cabeça olhando em meus olhos. —Oh! — ela tampa a boca — Por causa disso você esta assim? — pergunta —Você tinha que ver como ela me olhou. Seus olhos estavam vazios e com ódio, e como você acha que eu fiquei com isso? — suspiro e passa as mãos no rosto — Foi...doloroso demais. —Está sentindo o mesmo que ela sentiu quando você a desprezou. Não é por que sou sua irmã que vou passar a mão na sua cabeça. Você a fez sofrer, Alfonso, ela ainda sofre ou talvez ela sinta apenas raiva. Maninho, até eu sentiria se algo assim acontecesse comigo. Você tem que superar isso, o tempo dirá o que devemos fazer. —Você estava na clínica? — pergunto e ela assentiu. —Isso vai passar. — As palavras dela ficaram o resto do dia batucando na minha cabeça. A necessidade de estar com Sophia era grande. Eu precisava pedir perdão, mas eu sou um covarde e a coragem me falta. E o medo sempre me rodeando, e eu queria  evitar escutar as palavras que quebrariam de vez meu coração. Mas eu merecia tudo aquilo. {...} Sophia —Poxa, Sophia, por que você tá com essa carinha? — Helena me pergunta. Estávamos no restaurante. Alfonso já tinha ido embora. Quando nossos olhares se cruzaram, uma onde de sofrimento me voltou a mente. Dessa vez seu olhar não era tão frio como antes. Tinha algo neles que não consegui desvendar. —Helena, ele estava aqui — digo e ela me olha tristinha. O que ela poderia dizer? Um sinto muito? Isso muitas pessoas já me falaram. —Vai passar amiga, sei que vai — tocou minha mão e a apertou. —O que vai passar, mãe? — Liza pergunta com a sua atenção toda no sorvete que estava comendo —Os problemas, Liza, pegue e limpe sua boca. Está só sorvete — a entrego um lenço e ela faz biquinho mostrando o sujo do sorvete. Sorri e lhe dou um beijo — Que tal fazermos umas comprinhas agora? Depois iremos lhe matricular Liza. — Ela da um pulo de alegria. Helena, Liza e eu  fomos fazer o que tínhamos de fazer. A todo momento eu pensava nele. Eu sei que tinha que parar, mas o que posso fazer se não consigo? O que me resta é tentar esquece-lo. Eu promete que não seria mais aquela i****a de antes, mas pelo visto vai ser difícil. Eu estava sentada em uma mesinha do Shopping esperando Helena Voltar com Liza. As duas foram comprar o lanche —Olá! — Me viro e olho uma mulher sorrindo pra mim —Oi — digo e a encaro com interrogação —Posso sentar? — ela pede e eu apenas concordo e ela se senta a minha frente. —Posso ajuda-la em alguma coisa? — pergunto —Acho que sim — ela sorri nervosa — Fiquei sabendo que você desenha muito bem, e queria seus serviços para uma festa de aniversario do meu filho. Quero que faça umas fotográficas e um desenho dele. Sou Cíntia — ela estende sua mão para cumprimentar-me —Eu sou.. —Sophia. Eu conheço você — ela me fala e olho indiferente pra ela —Ah... por foto apenas — Ela diz nervosa e depois sorri. —Fico feliz por ter me escolhido. Esse aqui é o meu número — Digo entregando um papel —  Podemos conversar melhor e marcar a data para fazer as fotos e o desenho. Que tal conversamos no meu apartamento? — Dou a ideia e ela sorri —Uma ótima ideia. Quero que você participe da festinha, você será minha fotografa. Está disponível? — ela diz — Claro — sorri com a ótima e fácil oportunidade — Tudo bem. Amanhã  cedo estarei disponível. Esse aqui é meu endereço — Lhe entrego tudo o que foi necessário. Conversamos mais algumas coisas e ela se foi com sua elegância. Tinha cabelos castanhos e olhos azuis, era médica ortopedista. Disse a ela que começarei a construir minha galeria e que logo ela estará pronto. —Demoraram — digo ao vê-las se aproximar. —Estava grande fila — Liza se senta e ataca as batatas —Meu amor, eu disse que quero você comendo lanches mas saudáveis — digo e ela faz bico —Ah mãe, só mais esse — ela pede e eu deixo. Como não, com aquela carinha linda? {..} De Manhã estava arrumada em minha casa. Cíntia logo chegou e conversamos como íamos querer as fotos e tudo mais. —Vamos na minha casa? Lá você pode conhecer meu filho, irá saber onde quero as fotos para o book do aniversario dele. Concordei e deixei Liza no restaurante com Helena. Seguimos para sua casa. Era linda, uma mansão, tinha um belo jardim com flores belas, e já até tive uma ideia. Ela enquanto caminhava parecia nervosa, mas deve ser loucura da minha cabeça. —Vou te apresentar para minha família — Ela se vira para falar e depois segue caminho a entrada. Sua casa é magnifica, tem um sofá enorme. Logo na entrada vi duas pessoas de costa sentadas no sofá conversando. Perai! Eu conheço aquela voz. —Gente, essa é Sophia, a moça que irá fotografar o aniversário de Gustavo — Todos se levantam e vieram. Alfonso estava ali. O nosso olhar se encontrou e parece que tudo o que vivi no passado voltou com força. Como da outra vez no restaurante, não consigo identificar o que seu olhar quer dizer. Ele não sessa o olhar e continua me encarando — Sophia esse é meu marido Henry — diz e o cumprimento com um aperto de mão — Esse é meu irmão Alfonso. —Sophia — ele diz —Alfonso — Falo fria mas lá no fundo dói, e muito. —Vem, vou lhe mostrar onde quero as fotos — A sigo e dou uma última olhada pra ele, que estava com a cabeça baixa. Onde eu fui me meter?? {...} —Sua casa é linda Dr. Cíntia. Podemos fazer varias fotos aqui. Para as mulheres com seus maridos e família, o jardim com rosas ficará magnífico como fundo. O que acha? e para a criançada, o parquinho que você possui será muito bom. —Você é demais Sophia, uma boa ideia a sua. Gustavo ira gostar muito, ele vai fazer três aninhos — ela sorri —É um lindo menino — digo e voltamos para a sala. Sabe aquele momento que...você não sabe o que fazer?! fica igual a uma tonta? Pois é...Essa sou eu aqui. Era impossível nossos olhares não se cruzarem ali. Ele a todo momento me olhava como se a qualquer "Momento" eu fosse correr dali, ou sei lá. Os seus olhos não estavam mais com aquele vazio  de antes, como da primeira vez em que olhei dentro deles. Quando sua irmã falava da decoração e soltava algumas piadas ele ria e olhava pra mim. —Oh não! Gustavo, menino m*l — Alfonso diz. Gustavo estava na perna  dele, e tinha acabado de derramar todo o leite da mamadeira nos braços de Alfonso. Cíntia levanta e o pega no colo, dizendo que ira limpa-lo e que logo voltará para fecharmos negócio. E sim, ficou apenas nos dois ali na sala, e o clima não poderia estar mais estranho.
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