Será que seria diferente se elas soubessem que eu não estava sofrendo? Mas esse diferente seria repulsa por um irmão que não sofre a morte do outro? Queria poder explicar que não fazia de propósito. Que eu queria sentir alguma coisa, qualquer coisa. Mas não conseguia. Era como se eu estivesse dentro de uma bolha, que me protegia tanto das coisas ruins – da dor, das lágrimas, do sofrimento – como das coisas boas – os raros momentos de felicidade, risadas, sorrisos sinceros, conversas casuais. E essa bolha fosse dura demais para eu conseguir simplesmente sair dela. - Desculpe, professor, mas eu estou com dor de cabeça – menti já me levantando. Ele olhou para mim por um segundo e notei que, junto com a pena, estava aquela solidariedade gritante que os adultos têm pelos mais jovens quando

