Zayn estacionou o carro no clube e, por força do hábito, Liam desceu abrindo o porta-malas em seguida para tirar os tacos de golfe do outro. Zayn imediatamente o interrompeu, pegando a bolsa grande e pesada de tacos dos ombros de Payne.
— Já disse que você não está trabalhando hoje. — Zayn disse sorrindo para o outro que, um pouco sem graça, sorriu de volta.
— Desculpe, só estava tentando ajudar. — Liam respondeu fechando a porta de trás do carro ao mesmo tempo que Harry, que também descia do veículo.
— Pode me ajudar ficando no meu time e me ajudando a ganhar daqueles otários. — Malik respondeu rindo, lembrando que Liam era um grande golfista, assim como seu pai, que fora um grande amigo de Yaser e motivo pelo qual os caminhos das duas famílias tinham se cruzado.
— Eu não sei jogar não. — Harry intrometeu-se na conversa de um jeito infantil e divertido.
— Não se preocupe, eu e Liam vamos te ensinar, meu amor. — Zayn respondeu pegando Harry pela mão quando os três saíam do estacionamento rumo à recepção do clube.
O lugar era absolutamente imenso e completo. O campo de golfe era, sem dúvida, a parte mais deslumbrante de lá. Mas os bares, a piscina e as quadras de tênis e basquete não ficavam para trás. Era o típico lugar frequentado pela elite americana, onde várias celebridades eram sócias e, por isso mesmo, um pequeno aeroporto de jatinhos também ficava nas redondezas. Harry estava embasbacado com toda aquela ostentação, Liam e Zayn já estiveram ali muitas vezes e estavam acostumados, mas Styles olhava parecendo uma criança descobrindo as coisas novas do mundo.
Ele estava impressionado, sem dúvidas, mas ao mesmo tempo não gostava nenhum pouco daquele estilo de vida. Na realidade, ele não era apenas um cara simples de pensamento, mas principalmente de hábito. Olhava Liam conversar com Zayn sobre tabelas de jogos e sobre melhores tacos para jogar golfe e entendia que, mesmo que não tivesse dinheiro para ser sócio de um clube como aquele, Liam sabia como poucos se comportar na presença de ricaços e, sem nenhum problema, sabia falar a língua deles.
O comportamento social de Liam Payne, apesar de não ostentar coisa alguma, era de uma classe absurda, fazendo Styles realmente perceber que bom gosto e boa educação não eram frutos de bolsos cheios, mas sim de um convívio baseado na prática de valores que não ficavam apenas na ideia, eram colocados na vida real.
Por uma fração de segundo, chegou a pensar no quanto Liam era mais apropriado para Zayn do que ele mesmo.
— Malik. — A voz grave de Brent Jones surgia do bar logo ao lado da recepção. Ele mantinha a boa forma da adolescência, quando ele e Zayn eram amigos, mas não parecia ter mudado muito em termos de arrogância.
— Boa tarde, Brent. — Zayn disse sem muita emoção, mas estendeu a mão para cumprimentar o velho amigo, que retribuiu.
— Preparado para perder hoje? — Ele abriu o sorriso, jogando os cabelos loiros para trás, apenas maneando a cabeça. Era estranho como ele conseguia manter aquele mesmo penteado de quando tinha 15 anos.
— Não, pois não preciso me preocupar com isso. — Zayn respondeu no mesmo tom de brincadeira, porém com aquele resquício de arrogância também usado por Jones. — Acho que lembra-se do Liam. — Ele disse virando-se na direção de Payne, que parecia encolhido em seu canto, inseguro para dizer qualquer coisa.
— Claro que lembro. — O sorriso de Brent pode parecer simpático, mas era nítido o desprezo por trás ao olhar para Liam, que nada disse em resposta.
— Esse é Harry Styles, meu namorado. — Ele apresentou e Harry, que sentiu a tensão no ar, permaneceu sério, mas entendeu a mão.
— Como vai? — Não que Harry realmente quisesse saber, mas era educado.
— Muito bem, sou Brent Jones. — Ele respondeu estudando Harry um pouco melhor, olhando pra ele dos pés á cabeça. — Britânico?
— Sim. — Harry respondeu já imaginando que seu sotaque entregara sua nacionalidade.
— Bem-vindo a América, súdito da Rainha. — Ele brincou, mas Harry não achava mais graça naquela piada infame, nada disse.
— Quem mais está aqui? — Zayn perguntou devido ao silêncio que se instaurou. Zayn parecia comandar a situação como um verdadeiro lorde. Soube no mesmo momento que Harry não gostou daquele homem e que certamente aquilo deve ter trazido lembranças terríveis a Liam.
— Julian, Charlie, Riley e Tyler. — Brent citou os nomes dos mesmos amigos que andavam em bando na época do Ensino Médio. Eles costumavam se reunir pelo menos uma vez ao ano desde que saíram da escola, mas todos haviam tomado rumos diferentes, apesar de todos — com exceção de Zayn — estarem se preparando para assumir os negócios milionários de família que tinham.
— Ótimo, podemos descer e formar times. — Zayn comentou meio como se quisesse livrar-se logo da situação.
— Se importa se eu ficar um pouco no bar? — Harry perguntou já imaginando que iria ter que ficar no sol e no calor, em campo aberto, olhando os outros jogarem golfe. Nada poderia ser mais entediante.
— É claro que não me importo, meu amor, pode ficar onde quiser. — Zayn respondeu carinhoso. — Sabe onde me encontrar quando precisar. — O moreno bonito se aproximou dando um beijo em Harry. Instintivamente, Liam virou o rosto, como se não quisesse ver, e Brent notou.
— Tudo bem então. — Harry respondeu. — Vou ficar um pouco aqui e depois vou encontrar com vocês. — Styles disse segurando na mão de Zayn e soltando aos poucos conforme se afastava. — Até depois, Liam.
— Até. — Liam respondeu tímido, mas sem querer parecer sem graça.
— Foi um prazer conhecê-lo, senhor Jones. — Harry disse para ser apenas educado, porque aquilo não era nem de longe verdade.
Ele andou por entre as pessoas até encontrar um lugar mais calmo, onde pegou um jornal e distraiu-se rapidamente. Zayn, por sua vez, notou que havia esquecido as bolas de golfe no carro e gostava de jogar com elas.
— Se quiser, vou buscar pra você, Zayn. — Liam prontificou-se assim que viu o outro procurando sem sucesso.
— É, você pode ir lá, Payne. — Brent intrometeu-se no assunto. — Zayn, vamos encontrar com o pessoal lá perto do campo.
— Não. — Zayn disse não gostando da forma como Brent falou com Liam, como se ele de fato estivesse ali como algum tipo de empregado. Malik franziu o cenho. — Eu vou buscar, Liam, você não está aqui hoje trabalhando pra mim.
— Não? — Jones nem disfarçou o quanto estava surpreso em ouvir aquilo.
— Zayn, tudo bem, eu posso ir buscar. — A última coisa que Liam precisava era que uma confusão se armasse por causa dele.
— Não, você não vai. — Malik tinha um tom de voz mais firme dessa vez, segurando Liam pelo braço gentilmente. — Eu vou buscar e você pode me esperar aqui se não quiser descer para o campo com os outros. — Zayn tinha um tom de voz mais calmo quando dirigia-se a Liam. Brent estava bastante surpreso com a situação toda.
— Vou esperar você. — Liam disse num sussurro, passando a língua pelos lábios um pouco nervoso por ter Zayn tocando seu pulso.
— Eu já volto. — Zayn disse olhando de maneira desaprovadora para Brent, que apenas arqueou as sobrancelhas como se não entendesse o que estava fazendo de errado.
Zayn saiu do local voltando para o estacionamento, deixando Liam sozinho com Brent na recepção do clube. Brent pensou que até poderia sair dali, mas se tinha alguém que ele de fato detestava, era Liam. Sem nenhum motivo direto ou real, Liam chegou a considerar que talvez Brent sustentasse uma paixão platônica por Zayn e por isso sentia ciúmes da forma como Malik se importava com Liam.
— O que pensa que está fazendo aqui, Payne? — Jones tinha um ar de deboche e não fez questão de disfarçar com o sorriso de canto. Liam ficou calado, apenas ignorou. — Acha que pertence a um lugar como esse? Zayn não quis saber de você há dez anos atrás e, ainda assim, você se arrasta aos pés dele como se implorasse por atenção.
— Estou aqui porque Zayn pediu que eu viesse. — Liam explicou pacientemente, não iria deixar aquele homem atingi-lo. — E não estou me arrastando pra ninguém.
— Ah claro! — Jones riu. — Mas que você deve ser algum tipo de masoquista, isso é. Ou gosta de andar por aí de vela? — Brent disse referindo-se ao fato de ter notado que Liam virou o rosto quando Zayn e Harry se beijaram.
— Jones, eu agradeceria se me deixasse em paz apenas. — Liam disse cansado e ligeiramente irritado. Bem que tinha pensado que era uma péssima ideia estar ali.
— Aposto que deve estar morrendo de inveja do inglês ali, não é? — Brent riu ainda mais. — Bem que você queria que fosse você.
— Pois eu tenho uma ideia bem diferente dessa cena. — A voz de Louis Tomlinson invadiu o lugar assim como o cheiro de seu perfume. Era curioso como ele se agigantava quando entrava nos lugares sendo que sua estatura nada tinha a ver com aquilo. No momento em que entrou, os dois olharam pra ele que, tirando os óculos escuros e colocando-os sobre a cabeça, sorriu de canto olhando Jones de um jeito bastante insinuador. — Acho que é você quem está com ciúmes, Brent. Se bem te conheço, você é quem é frustrado por nunca ter conseguido comer o Zayn.
— Tomlinson. — Brent disse ao ver o homem à sua frente, rindo, fingindo não ter se incomodado com o que acabou de ouvir. — Não sabia que viria.
— Como vai, Liam? — Louis cumprimentou Payne ignorando completamente Brent. — Bom te ver por aqui. — Tomlinson não disse nada, mas notou que Liam não estava de uniforme e pensou mesmo que Zayn deveria tê-lo trazido como amigo.
— Bem, doutor. — Liam respondeu simpático e até mais aliviado de ser, basicamente, salvo por Louis. — Veio jogar golfe conosco?
— Conosco? — Brent novamente intrometeu-se no assunto, recebendo um olhar intimidador de Louis, que nunca escondeu o fato de não gostar daquele homem. — E quem é que disse que você pode jogar com a gente, Payne? — Jones riu, recostando-se no balcão.
— Zayn me convidou. — Liam respondeu pacientemente e, percebendo o jeito que Louis olhava para Brent, apenas desejou que os dois não começassem a discutir por causa dele.
— O que foi, Jones? — Novamente Louis tomou a postura defensiva. Pôs as mãos nos bolsos do shorts azul escuro que vestia e encarou Jones, mesmo o loiro sendo mais alto que ele. — Está com medo de levar uma surra do “filho da empregada”? — Louis foi irônico, provocando Jones ainda mais, já sabia que Liam jogava muito bem. — É bem a sua cara mesmo.
— Não estou com medo de nada, Tomlinson. — Jones defendeu-se retomando a postura arrogante. — Só acho que esse clube deveria ser mais restrito. — Ele concluiu olhando com desprezo para Liam.
— Ah eu também acho que deveria ser restrito. — Louis disse quase gargalhando. — Restrito a não deixar gente sem cérebro como você entrar aqui. — O médico estava oficialmente deixando de esconder sua raiva pelo outro. — Onde estão Julian, Tyler e os outros caras que estão aqui porque vivem com o dinheiro do pai assim como você? — Louis parecia uma metralhadora de palavras. Liam cogitou pedir a ele que se acalmasse, pois não valeria a pena discutir, mas Tomlinson era por natureza extremamente invocado.
— Algum problema, senhores? — A recepcionista do clube interveio assim que viu Louis levantando a voz.
— Não, está tudo ótimo. — O médico respondeu como se a moça estivesse sendo absolutamente inconveniente.
— Eu vou encontrar Zayn pra ver se ele precisa de ajuda. — Aquela situação toda estava deixando Liam não somente desconfortável emocionalmente, mas de fato uma dor de cabeça se iniciava.
Antes que Louis desse espaço para que a discussão continuasse, Brent se retirou igualmente, foi em busca dos outros amigos que estavam também no clube, Tomlinson deu-se por satisfeito, não era de seu feitio criar cenas, mas ele realmente nunca gostou dos amigos de Zayn — embora dissesse que eram amigos de ambos, já que sempre andavam em bando na escola. Ver Liam ali, tão vulnerável a qualquer tipo de ofensa, despertou nele aquela fúria típica vinda de homem como Louis, que não suportava pessoas como Brent.
FLASHBACK
Dez anos atrás
— Você disse o que? — Louis estava incrédulo com o que ouvia. A festa de Zayn havia acabado e os dois estavam sozinhos assistindo o sol nascer do convés do iate. Sentados sem camisa, não estavam deslumbrados com o espetáculo dos raios solares braseando as barras do horizonte.
— Lou, eu sou tão i****a… Eu nem consigo… — Sim, de fato Zayn não conseguia se explicar e Louis estava absolutamente revoltado e ouvir o que Malik tinha contado.
— Eu já estava desconfiado que você estava apaixonado pelo Liam. — Tomlinson dizia convicto. — Eu não quis pressionar, fiquei esperando você vir até mim, se sentir confortável pra falar… — Louis balançou a cabeça negativamente. — Você é um panaca, Malik. Ele nunca vai te perdoar. Eu não perdoaria.
— Ei, você é meu melhor amigo, não está ajudando muito, Tomlinson. — Zayn esbravejou, já estava chateado o suficiente, não precisava que Louis piorasse as coisas. — Tenho consciência do que eu fiz.
— Você não só perdeu a oportunidade de estar com um cara super legal, mas perdeu também a chance de quebrar alguns dentes do i****a do Jones. — Tomlinson, que praticamente não ouviu o outro reclamar, continuava sem dó. — Como é que você foi dizer uma coisa daquelas pro Liam? Malik, eu juro que se eu fosse ele, eu tinha rachado a sua cara no meio.
— c*****o, Louis! — Zayn novamente reclamou. Já estava se sentindo um lixo, Louis estava conseguindo a façanha de fazê-lo sentir-se ainda pior.
— O que é que você vai fazer, hein? — O garoto perguntou, vendo que realmente estava deixando Zayn ainda mais confuso e triste.
— Eu não sei, Lou, eu preciso consertar isso. — Zayn levantou-se de onde estava e Tomlinson apenas observou, deixo-o pensar por alguns segundos. Aquele silêncio estava começando a fazer Malik colocar os pensamentos no lugar, depois que todo aquele barulho e pressão foram embora, estava apenas ele, o sol nascendo, a brisa vinda do mar e seu melhor amigo ali. Era de fato o lugar mais seguro do mundo. — Eu gosto tanto dele que nem sei o que vou fazer se ele nunca mais falar comigo.
— Z, acredite… — Louis recomeçou juntando os joelhos com as mãos, dobrando-os. — Eu acho muito difícil que o Liam vá voltar a ser seu amigo depois disso. — Tomlinson disse e viu que Zayn fechou os olhos como se quisesse conter as lágrimas que sabia que estavam vindo. — Desculpe se pareço ser carrasco, talvez falando coisas que você não precisa ouvir agora, mas estou sendo honesto. Não crie expectativas em tentar consertar as coisas com Payne, porque depois do que você disse sobre ele…
— Mas… Louis, eu não quis dizer nada daquilo. Ele precisa entender que fiquei inseguro quando Brent apareceu com os caras, não foi fácil pra mim. — Zayn tentava se explicar como se fosse necessário provar alguma coisa para o próprio Louis, coisa que não era.
— Liam sempre se sentiu m*l por andar com a gente, quando você o arrastava para o clube, para as festas, para a escola… — Louis tinha um tom de voz muito ponderado e não era nenhuma novidade que ele sempre fora o mais maduro da turma. — A única pessoa capaz de segurar a barra com isso, era você. Ele poderia aguentar essa merda de qualquer um, porque sabia que ao menos você não o via como inferior… Ele não tem mais nada a perder, Zayn…
— Me lembra de novo, por favor, por que eu sou seu amigo? — Zayn deixou as lágrimas rolarem ao ouvir as duras palavras do outro.
— Porque eu vou ser o único que ser honesto o suficiente para dizer isso na sua cara. — Tomlinson respondeu com serenidade, mas ficando imensamente triste por ver Malik chorar. Ele levantou-se de onde estava e o abraçou. Ficaram ali quase a manhã inteira, Louis não o deixou sozinho.
FIM DO FLASHBACK
Louis era o tipo de cara que apreciava poucos esportes no quesito praticar. Assistia praticamente todos, sempre tinha um favoritismo por algumas equipes e era bastante entendido de quase todos as regras que cercavam as mais variadas atividades esportivas. Gostava de correr e jogar futebol. Volta e meia assistia hóquei e rugby, até mesmo era um grande montador quando adolescente, era um assumido fã de hipismo. Mas golfe… Realmente golfe era algo que não poderia ser mais entediante para Louis Tomlinson.
Ainda um pouco mergulhado em lembranças que circulavam em torno de Liam e Zayn, ele andou até o bar do clube pedindo um mojito — um de seus drinques preferidos — e sentou-se no banco de frente para o balcão. Seus pensamentos voaram de Zayn e Liam automaticamente para Harry Styles, sabendo que o inglês deveria estar por ali em algum lugar, talvez até no campo de golfe esperando por Zayn. Estava planejando em sua mente o que dizer a ele, como se desculpar, não sabia direito por onde começar. Só de pensar que o veria, por outro lado, o fazia sentir borboletas no estômago.
De uma distância significativa, Harry Styles tinha seus olhos verdes não mais fixos no jornal daquele dia. Ao longe, viu Louis entrar no bar impecavelmente vestido, com cada fio de cabelo perfeitamente no lugar, a barba começando a crescer e aquele inseparável sorriso ao cumprimentar o garçom para pedir sua bebida era tão perfeito que parecia a pintura nunca terminada de Styles.
O pintor, que tinha os cachos presos num coque charmoso com alguns fios soltos perto das orelhas, não tinha certeza se o médico o viu, ou fingiu que não viu, mas não sabia se deveria levantar para cumprimentá-lo, ou esperar que ele viesse até a mesa, Styles definitivamente sentia-se um adolescente inseguro e estava pensando demais no que fazer e, obviamente, fazia tudo aquilo sem tirar os olhos de Louis, que tomava sua bebida completamente distraído.
Styles fechou o jornal e respirou fundo. Realmente não era necessário todo aquele tipo de cerimônia apenas para levantar-se e ir dizer um olá qualquer para o melhor amigo do seu namorado. Por que ele estava se comportando daquela maneira? Não havia necessidade de nada daquilo. Era apenas uma pessoa que ele sabia ser importante na vida de Zayn e nada mais do que isso. Harry então saiu da mesa de onde estava e passou a andar na direção de Louis, ao mesmo tempo que ensaiava diálogos na sua cabeça, o que o fez sentir ainda mais i****a.
Ele chegou por trás do médico, ainda pensando em como agir. Pensou em tocar seu ombro mas a última coisa que ele precisava era a tensão se encostar naquele homem de novo — lembrava-se bem do aperto de mão.
— Oi, Louis. — Harry tinha um tom de voz tão tímido, tão contido, que Louis m*l conseguiu escutar, apenas virando-se na direção do outro por ter tido a impressão de ter ouvido seu nome.
— Harry. — E lá estava aquele sorriso bem ali à sua frente de novo, a poucos centímetros. O médico deixou sua bebida de lado no balcão e apontou para o banco ao seu lado, como se convidasse Styles para sentar-se perto dele.
Styles sentou-se um pouco sem jeito, não sabia exatamente o que estava fazendo ali e não era o tipo de cara que ia a bares para sentar e beber. Louis cravou os olhos nele e era como se tudo ao redor não existisse mais.
— Antes de tudo, gostaria de falar sobre nossa última conversa. — Louis começou dizendo e Harry m*l podia acreditar que ele estava tocando naquele assunto. Permaneceu em silêncio, embora quisesse dizer que não havia problemas e nem motivos para que falassem daquilo. — Quero me desculpar pelo que eu disse, fui extremamente inconveniente no meu comentário. — Louis concluiu devido ao silêncio do outro.
— Eu… — Harry não sabia exatamente o que dizer, gaguejou um pouco antes de continuar. — Eu realmente não… Não acho que tenha sido… Não foi nada demais, Louis. — Ele engoliu a seco, o olhar de Louis agora estava claramente fixado em sua boca. Enquanto ele tentava continuar a falar, percebeu que o médico olhava todas as partes do seu corpo de uma forma não muito discreta.
— Espero que Zayn não tenha ficado chateado. — Louis chutou o argumento, sabia que Harry provavelmente não havia contado, mas era sempre melhor se certificar.
— Não, eu não disse nada a ele. — Harry sorriu um pouco nervoso.
— Por que não? — Louis franziu o cenho tomando mais um gole de sua bebida.
— Não há nada para contar, nada está acontecendo. — Harry disse, ainda sorrindo nervoso, especialmente porque Louis sorriu de forma sugestiva ao tirar a taça dos lábios.
— Se você diz… — Ele sussurrou e Harry fingiu não ouvir.
Era claro na cabeça de Tomlinson que seu plano já havia, desde o começo, falhado miseravelmente. Ele tinha ido até ali para esclarecer as coisas e mostrar a si mesmo que Harry era um homem comprometido — com seu melhor amigo neste caso — e nada daquilo deveria estar sendo dito. Mas era inútil, ele se percebia totalmente incapacitado de levar aquelas coisas em consideração quando aquele homem — uma verdadeira tentação — estava por perto. Aqueles malditos cabelos presos, aquele sorriso enorme, quase maior que seu próprio rosto, aquele tom de pele que o sol da Califórnia provavelmente castigava, junto àquele estilo jogado de quem realmente pegou a primeira coisa no armário para vestir, enlouqueciam Louis.
— Veio jogar golfe? — Harry recomeçou o assunto pois o silêncio entre ambos já estava ficando tenso.
— Detesto golfe. — Louis respondeu sincero, tomando todo o restante de seu drinque num gole só. Harry arqueou as sobrancelhas. — Garçom, por favor, duas doses de Pasión Azteca. — Louis sorriu ao pedir por uma das bebidas mais caras do local. — Gosta de tequila, Harry?
— Eu acho que não são nem duas horas da tarde. — Harry riu do jeito despreocupado de Louis.
— Acha que eu venho a este clube para jogar golfe, Styles? — Louis brincou olhando para o pintor ao mesmo tempo que o garçom trazia os dois copos pequenos com as doses de tequila que ele havia pedido.
— Eu pensei que sim. — Harry disse olhando para o médico, que empurrava uma das doses até ele. — Eu não sei se eu deveria… — Ele começou justificando-se, pensando se realmente era uma boa ideia beber aquilo.
— Beba. — Louis ordenou com um sorriso maroto, tomando a sua própria dose numa só virada. Sentiu seu peito esquentar e sua garganta arder. — Anda logo. — Louis agora riu, ficando corado pelo calor proporcionado pela bebida.
Harry respirou fundo, sabia que aquilo não era uma boa ideia, mas achou que talvez uma dose não lhe faria m*l. Repetiu o movimento de Louis e, na mesma hora, teve vontade de cuspir fogo. Aquilo era uma das coisas mais fortes que ele já tinha tomado em sua vida. Seus olhos lacrimejaram um pouco e ele riu em seguida, assim como Louis, que achou graça do jeito inexperiente do outro. Não que aquilo fosse o suficiente para deixar alguém bêbado, mas certamente ambos podiam sentir seus músculos relaxarem e uma pequena sonolência se instaurou.
— Bem… — Louis começou após alguns minutos de risos e troca de olhares. — Acho que agora sim podemos começar a ter uma conversa honesta.
Harry passou a língua pelos lábios e sentiu um frio na barriga ao ouvir aquilo.