De longe Cecília observava a irmã ao lado do Duque, graças aos céus, nem precisara se mexer para fazê-lo, o casal simplesmente aparecera na sua frente. Ela começou a cavar a areia e trabalhar no jardim, era um de seus passatempos favoritos.
— Conte-me um pouco mais sobre Londres. - Disse Suzie chamando a atenção de Blake que de longe avistara lady Cecília. Ele pigarreou.
— Oh ... O clima é bastante agradável, mas tende a ser um tanto quanto mais quente do que aqui. As ruas sempre estão movimentas e é raro um final de semana sem baile. - Ele sorriu. Sempre detestara os milhares de baile que tinha que frequentar sendo um futuro Duque.
— Sempre quis ir aos bailes de Londres. - Ela disse piscando fortemente, suas pestanas pareciam um leque.
— Faremos isso ... Quando ... Bom, quando levá-la para conhecer Londres. - Respondeu desconcertado. Ainda era estranho pensar na mulher a sua frente como sua esposa, sequer a conhecia.
— Ficarei encantada.
— E quanto a srta. já viajou para quais lugares?
Ela o olhou com um olhar entristecido.
— Infelizmente nunca saímos da Escócia, vossa graça. Todos os nossos parentes próximos moram ao redor. E o senhor?
Ele assentiu. Blake já havia conhecido pelo menos metade da América, mas aquela era a primeira vez que pisava não Escócia.
— Confesso que conheço muitos lugares. Certa vez até visitei a India, foi uma viagem fantástica. - Falou enfático.
A bochecha de Suzane corou, sabia como as mulheres indianas costumavam ser belas.
— Gostaria de conhecer nosso jardim? .- Ela perguntou levantando-se e Blake assentiu, seguindo-a. — Ele está aqui na prioridade a anos e ...
Ela se calou quando percebeu que Blake não prestava atenção nela, mas sim na esguia figura abaixada que mexia na terra. Os cabelos de Cecília estavam desgrenhados e tinha terra até em seu rosto.
— Minha irmã mais nova. - Falou entredentes. — Perdoe-me por seus maus modos, Ceci sempre se comporta m*l e acaba nos colocando em situações complexas. - Sussurrou entredentes.
Blake m*l sabia sobre o que Suzane estava cochichando.
— Perdão, não os vi entrar. - Ela disse levantando-se, limpou a mão na saia e curvou-se perante o Duque.
Ele a analisou por alguns segundos, alguns fios vermelhos estavam soltos de seu coque e as bochechas dela estavam rosadas, provavelmente graças ao esforço que estava fazendo no jardim.
— Milaide ... - Ele curvou-se. — De forma alguma, pode continuar seu trabalho, nós quem a estamos interrompendo.
Cecília abaixou a cabeça, ela fitava o chão com tamanha urgência.
— Vamos. - Suzane disse puxando-o pelo ombro. Havia perdido o pouco de paciência que tentava manter, Cecília, maldita fosse a irmã caçula, sempre a atrapalhava em algo. Ela fuzilou a irmã com os olhos antes de sair da estufa.
— Lhe devo um pedido de desculpa pelos modos de minha irmã, eu não sabia que ela estaria ali, daquela forma ...
Blake forçou um sorriso, não sabia porquê Suzane via tão m*l a irmã por mexer com jardinagem, a antiga duquesa geralmente costumava fazer o mesmo, e isso nunca a deixou menos elegante aos olhos de Blake, pelo contrário, quando era garoto, sua brincadeira favorita era brincar no jardim com a mãe. Ela o instruía quanto ao que devia ser feito, e ele fazia alegremente.
— Está me ouvindo? .- Perguntou balançando as mãos delicadamente na frente do rosto do duque.
Ele balançou a cabeça obrigando-se a voltar a realidade.
— Não deve se preocupar com isso.
— Sendo assim ... Foi um passeio muito agradável, vossa graça. Espero que em breve possamos desfrutar novamente da companhia um do outro. - Ela disse sem olhar diretamente em seus olhos. Blake beijou a mão dela antes de Suzane entrasse para dentro da propriedade.
Assim que a viu desaparecer, ele fixou os olhos na estufa. Estava intrigado, Blake não conseguia entender porquê diabos lady Cecília não parecia ser bem-vinda naquela casa, mas tinha a leve sensação de que por algum motivo, não era. Ele havia tentado se concentrar em Suzane por todo o passeio, e até conseguira por um tempo, antes de ver Cecília, para ser específico.
A curiosidade que o consumia a respeito da garota de cabelos vermelhos não poderia ser contida. Estava a dois dias em Sheffield house e sentia-se incapaz de passar sequer um segundo sem querer saber mais a respeito de lady Cecília, por Deus, o que uma lua faria?
— Maldição. - Maldisse baixinho.
— Está tudo bem com o senhor? .- A voz dela o fez pular.
Cecília o observava com seus imensos olhos verdes, bem arregalados. Ela o ouvira maldizer.
— Perdoe-me senhorita, eu não a vi. - O rosto do homem de repente ficou feito tomate.
Cecília abriu um sorriso que o fez estremecer. O que de errado tinha aquela garota afinal? Em seus vinte e quatro anos de idade nunca se sentira assim.
— Oh, bobagens ... Estamos quites. - Ela emitiu uma risada encantadora.