Blake trocou o peso de uma perna para outra.
— Desculpe? .- Ele certamente não sabia ao que ela se referia. Cecília cruzou os braços atrás do corpo e fez um sinal de pouco caso com a mão.
— O senhor me viu em um estado desagradável e agora eu ouvi o senhor blasfemar. - Blake franziu o cenho. — Quando eu estava ... hãm ... embaixo da mesa.
As peças de repente se juntaram em sua cabeça e ele explodiu em uma risada descontraída. Blake estendeu a mão.
— Que alívio srta. Sheffield, fico feliz que estejamos quites, mas prometo me atentar para não repetir meu erro.
Cecília manteve um sorriso largo nos lábios. De alguma forma, sentira-se confortável para brincar com aquele homem.
— Mas então, o senhor está bem, sim?
— Absolutamente, apenas chutei uma pedra. - Mentiu. E se arrependeu. Os olhos dela varreram o chão, se ela percebeu que não havia pedra alguma ali, não disse.
— Sendo assim, o deixarei em paz.
Ela segurou mais firme o cesto que carregava nas mãos. Cecília havia colhido diversas flores para colocar nos vasos da casa.
— De forma alguma. - Se pegou falando. — Posso ajudá-la com isso?
Cecília assentiu rubra. Devia admitir que os braços estavam doloridos graças ao árduo trabalho que tivera na estufa.
Blake e a jovem caminharam lado a lado pela extensa mansão enquanto ele a ajudava a abastecer os vasos que encontravam-se sem vida. Eles recolhiam as flores mortas e repunham por flores novas.
— Riverdale. Estava a sua procura. - Marcos disse aparecendo se repente. Blake se encolheu, feito um garoto. — Srta. Sheffield.
— Sir. Hughes. - Respondeu de forma cortês ainda concentrada em suas flores.
— Poderíamos ter um momento? Com sua licença, milaide.
Cecília assentiu sorridente.
— Obrigada pela ajuda sir. - Falou ao Duque sem se dar ao trabalho de desviar a atenção de suas flores.
— Foi uma honra, srta. Sheffield. - Disse antes de sentir a mão do amigo pesar sobre seu ombro.
Marcos completamente arrastou o amigo para fora do aposento. Cecília se limitou a assistir a cena engraçada. Muitas vezes, ela reparava tudo ao seu redor, era uma das pessoas mais observadoras do mundo, mas raramente comentava algo sobre elas. Não sabia porque o conde estava tão eufórico, mas também, não fazia tanta questão de saber. Ela deu uma última olhada no último vaso de flor arrumado e suspirou.
— Vocês são lindas. - Disse para as flores passando os dedos levemente em suas pétalas.
Não podia chamar Lydia de amiga, e tampouco Suzane, então na maior parte de seu tempo livre dedicava-se às flores e aos livros que enchiam a prateleira de seu quarto. Tinha a avó, e a avó era a pessoa mais encantadora do mundo, mas Anelise viajava com frequência, estava sempre indo para a casa dos filhos, primos, netos, tios e afins. Cecília não achava r**m, pelo contrário, a avó tinha mesmo que viver e aproveitar cada segundo, mas cada vez que Anelise se ausentava, Cecília sentia a solidão na pele.
Ela suspirou deixando a sala, e por fim, seguiu aos seus aposentos, para que os livros agora a fizessem companhia.
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— Diga-me o que pensa que está fazendo. - Marcos lançou o corpo de maneira relaxada sob a cadeira.
— Não sei ao que se refere. - Blake caminhou até o armário de bebidas que possuía no quarto e serviu-se um gole de brandy.
— Ainda não chegamos ao meio do dia e está bebendo, isso fala muito por si só. - Retrucou Marcos, que conhecia o amigo melhor do que qualquer pessoa. — Devia estar cortejando sua noiva Riverdale, não a irmã dela.
O duque passou a mão pelo cabelo, bagunçando-o.
— Não o estava fazendo, Hughes. Você já está me importunando com esse assunto. - Bufou e bebeu um longo gole de sua bebida. Blake a sentiu descer queimando, e gostou da sensação, tanto que, serviu mais um copo.
— O vi passeando com lady Suzane pela janela.
— Então porquê diabos está dizendo que não a estou cortejando?
Marcos girou a cadeira, as vezes parecia uma maldita criança levada. Blake planou a mão na cintura e o encarou até que ele parasse.
— Não vi sequer um terço do sorriso que vi em seus lábios ao encontrá-lo com lady Cecília.
Blake revirou os olhos e não fez questão alguma de disfarçar.
— A garota é descontraída. E será minha cunhada, creio que devamos ter um bom contato.
Marcos levantou-se de repente, bateu no ombro de seu amigo e disse:
— Saiba, não estou implicando com você. Só estou tentando te alertar que esse caminho pode ser perigoso meu amigo.
Blake não disse nada, não havia nada a dizer. Marcos estava inventando histórias mirabolantes em sua mente e isso era tudo. De fato, achava lady Cecília atraente e ela o despertava uma gigantesca curiosidade. Evidentemente era uma garota diferente das que já conhecera e em outras hipóteses, Deus sabe o que faria com ela se permitisse ... Mas não nessa, não era o tipo de homem que voltava atrás em sua palavra. Dissera que se casaria com Suzane, e o faria.
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Mais um capítulo publicado com muito amor para vocês!