Blake estava deitado em sua cama, os braços apoiados embaixo do cabeça enquanto fitava o teto.
Uma batida insistente na porta o fez dispersar de seus pensamentos.
— Estou bestificado. - Ouviu Marcos dizer quando abriu a porta. O amigo já adentrava seus aposentos.
Blake abriu um sorriso como quem dizia " eu avisei ".
Hughes sentou-se próximo as bebidas de Blake e serviu um copo para cada um deles.
— Ela só não parece ser muito amada pelas mulheres da casa. - Ele riu entredentes levando um gole de brandy aos lábios.
— Porquê diz isso? .- Perguntou Marcos girando a cadeira.
Blake pigarreou, não queria expô-la de forma alguma.
— Pela forma que a vi outrora. - Limitou-se a dizer. Percebera no jantar que a mãe não era nem de longe carinhosa com Cecília e a vira chorando mais cedo, por algum motivo, deduzira que a baronesa tinha algo a ver.
Marcos levantou a mão em um sinal de pouco caso.
— Sua noiva também é muito encantadora. Vemos uma família de belas mulheres, de fato. Espero que esteja ciente de que não pode flertar a irmã de sua noiva. - Marcos disse provocante, Blake costumava ser o maior libertino do do mundo e o amigo o conhecia muito bem.
Blake deu de ombros e bufou.
— Quase noiva e não fale asneiras. E além do mais, a garota é jovem demais. - Falou tentando convencer a si mesmo que em outra hipótese isso seria um empecilho.
— Não seja t**o Riverdale. Ela deve ter uma faixa de dezessete anos, logo estará pronta para contrair matrimônio.
Blake bufou mais uma vez.
— Então em breve você poderá propor.
Marcos afundou-se na cadeira.
— Eu me sentiria m*l em contrair casamento com uma garota que o despertou interesse em apenas poucas horas. Oras, somos feito irmãos.
Blake o fuzilou com o olhar, sentindo vontade de pular no pescoço de Marcos.
— Estou cansado. Amanhã nos falamos. - Ele caminhou até a porta, abriu-a e sinalizou para que Marcos se retirasse.
O amigo levantou com as mãos erguidas para o alto em sinal de rendimento.
— Boa noite Riverdale, a propósito, espero que seu humor esteja melhor amanhã.
Blake bateu a porta com tanta força que se arrependeu logo em seguida, torceu internamente para que ninguém tivesse ouvido o estrondo que causara.
Ele caminhou até a cama e se despiu. Deitou-se na mesma posição que estava e passou uma grande parte de sua noite assim, olhando para o teto do quarto.
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Enquanto isso ...
Na outra extremidade do corredor Cecília encontrava-se extremamente exausta após um dia terrivelmente cansativo.
Lavara as louças, devido à falta de uma empregada, limpara o quarto das irmãs e de seus pais, tivera o bordado arruinado pela própria mãe e como se não bastasse fora vista chorando embaixo da mesa, por ninguém mais ninguém menos que o Duque de Riverdale. Por sorte, o homem não dissera nada sobre o ocorrido o que a fez agradecer internamente, a noite poderia sim ter terminado ainda pior ...
Cecília vestiu sua camisola de seda e lançou o corpo cansado sobre a cama, sabia que com certeza o dia seguinte traria novas preocupações.