CAPÍTULO 3

1932 Palavras
Depois do uivo que ouvi e os olhos vermelhos que vi, corro para a cama e me cubro da cabeça aos pés. Sei que isso pode ser meio infantil, mas eu realmente estou assustada e começando a acreditar em todas essas lendas. Que animal teria um olho vermelho? Sim, pode ter muitos. Mas um olho daquele tamanho? O animal com certeza é enorme. Ouço uma batida na porta e levo um susto. — Pode entrar, está aberta. — digo a pessoa do lado de fora do quarto. Vejo uma cabecinha de cabelos lisos, longos e pretos espiando pela porta. — Oi, já estava dormindo? — pergunta Jhany. — Não, mas achei que você sim. — Não estou com tanto sono como eu pensava, e resolvi vir aqui pra gente conversar um pouquinho mais. — diz Jhany caminhando em direção a minha cama e sentando nela. — Está tudo bem? Parece assustada. — pergunta me avaliando. — Estou... É que ouvi um barulho estranho vindo da floresta. — respondo puxando o cobertor mais para cima cobrindo quase todo o meu corpo até o pescoço. — Vem muitos barulhos estranhos dessa floresta Léxi. Dizem até que é m*l assombrada e os espíritos que foram brutalmente assassinados lá, gritam por ajuda a madrugada inteira. — diz Jhany fazendo uma voz sinistra. — Ai credo garota, para. — digo jogando um travesseiro nela, que cai na risada. — Medrosa. — ela retruca pegando o travesseiro e se aconchegando do meu lado. — Dizem que essa floresta é muito grande, mais do que podemos imaginar, muitas pessoas entram nela para se aventurar e algumas nunca voltam e as que voltam ficam perturbadas falando coisa com coisa. — diz Jhany. — Dizem até que nela vivem vampiros, lobisomens, bruxas e outros seres, como duendes e fadas. A garota olha para o teto que se encontra escuro por conta das luzes apagadas, enquanto eu encaro ela ouvindo o vento uivar lá fora. — E você acredita nessas coisas? — pergunto realmente curiosa pela resposta da minha prima. — Bom, é muita coisa bizarra e exagerada mas também pode ser verdade, existem muitos relatos e lendas, eu gosto de morar aqui, com a floresta dando de fundo para a minha casa, mas nunca ouvi nada demais e nem vi. Jhany vira seu rosto para mim e volta a falar novamente. — Lembra quando a gente ficava horas lá fora, no fundo da mansão e você dizia que depois de um tempo, começava a ouvir sussuros vindo da floresta? Apenas afirmo com um aceno me encolhendo um pouco mais na cama me recordando dos sons e da sensação. — Então, eu realmente nunca ouvi nada. Nada mesmo. — Não era só para me assustar que você negava? — questiono com meus olhos levemente arregalados. — Não. — Jhany diz negando também com um aceno de cabeça. Então que merda era tudo aquilo? Eu realmente ouvia sussurros ou era apenas invenção da minha cabeça imatura? Olho para Jhany mais uma vez e ela está me observando. — Mas uma parte eu acredito sim. — ela diz de repente. — Qual parte? — pergunto a encarando. — Dos assassinatos, claro. — responde ela. — Claro. — repito virando meu corpo para olhar o teto. — E existem livros que falam sobre essas lendas? — Creio que sim, muitos cientistas, especialistas e o d***o a quatro vem para cá para estudar essa floresta. Alguém deve ter escrito algo, com certeza. — fala Jhany e me olha. — Por quê? — Nada, só curiosidade. — digo bocejando sentindo o sono vindo. — Preparada para amanhã Aléxis Ross Campbell? — pergunta cutucando minha cintura. — Estou sim, Jhany Christine Ross. —digo retribuindo a provocação. — Ótimo, agora vou me deitar porque nós duas estamos com sono. Durma bem. — diz Jhany e me beija na bochecha. — Você também. — respondo. Ela sai do quarto e fico com os meus pensamentos a toda. Muitas pessoas acreditam nessas lendas, a relatos e até especialista que vem para cá para poder estudar, e creio que tudo isso não é a toa. Isso está ficando interessante. Acordo na sexta numa luta interna entre me levantar ou ficar na cama. Demorei para dormir noite passada depois que Jhany saiu do meu quarto pois o vento ficou mais forte e os barulhos na floresta mais assustadores. Vou para o banheiro fazer minha higiene matinal. Coloco uma roupa, calço um chinelo com meias e desço para tomar café. Parece que não tem ninguém aqui na casa hoje, tia Mary deve ter saído para resolver alguma coisa. Vou para a cozinha e encontro a funcionária da casa, ela me cumprimenta e serve meu café. Olho para o relógio e são quinze para as nove da manhã. Droga, está muito cedo ainda, é minhas férias poxa, eu deveria dormir até às dez pelo menos. Termino meu café e vou direto para a biblioteca para ver se acho algo sobre essas tais lendas que dão o que falar. A biblioteca da casa é razoavelmente grande, tem vários títulos aqui. Vou olhando um por um atentamente mas não encontro nada sobre as lendas. Pego um título de romance qualquer e vou para a sala ler. Sento no sofá e começo a ler o livro que conta uma história bem interessante sobre uma garota comum que sai para caçar para poder alimentar a família, mas acaba matando um animal que não deveria e acaba entrando e um mundo totalmente paralelo do que ela já conhecia. A história estava muito boa, mas eu comecei a sentir sono e logo durmo no sofá confortável outra vez. Acordo já perto das onze horas e pergunto a Rose, nome da funcionária da minha tia, onde ela está, e Rose responde que minha tia teve que sair mas que ainda não chegou, agradeço e volto para a sala e ligo a tv. Passo praticamente o dia aqui, só sai para almoçar e voltei para assistir filmes, documentários ou qualquer outra coisa interessante enquanto troco mensagem com a Natalie. Já de tardezinha subo para o meu quarto e tomo um banho. Depois de quase quarenta minutos, desço para a sala novamente e encontro minha tia, ela apenas acena com a mão e sobe para o seu quarto. Depois de alguns minutos volta e pergunta se posso ir buscar Jhany no trabalho, pois Jhony pegou o carro dela emprestado e ainda não voltou. Eu digo que sem problemas, posso busca-la no trabalho. — Certo, eu vou pegar a chave do meu carro e já volto. — diz tia Mary. Ela sai e fico esperando na sala, algum tempo depois ela volta e entrega as chaves para mim e diz para que eu dirija com cuidado. Vou para o meu quarto pegar minha bolsa, onde está minha carteira com identidade e carta de motorista. Vou para a garagem, ligo o carro e saio em direção ao grande centro da cidade de Seattle. Aqui é lindo. Uma estrada de terra com árvores dos dois lados. É sinistro, mas lindo ao mesmo tempo. Vejo alguns animais no caminho e logo vejo a aglomeração de casas e prédios, carros e pessoas. O carro afoga uma vez e acho estranho porque aparentemente o carro é novo, giro a chave e o motor ronca através dos meus ouvidos e volto a seguir o meu caminho. Vou direto para a empresa onde meus primos trabalham, e chegando lá peço para o guarda chamar a Jhany e que estou esperando, assim ele o faz e logo ela aparece com um sorrisinho maroto no rosto. Ai tem! — Léxiiii. — ela diz com a animação de sempre. — Oi. — digo acenando para ela. — E então, vamos? Sua mãe me pediu para que viesse te buscar. — Ah sim, ela me avisou que você viria. — a garota diz quando para na minha frente. — Mas sabe o que é... Um amigo de trabalho me convidou para jantar com ele e eu aceitei, ele disse que me leva para casa. Já liguei pro Jhony e disse que ele pode voltar para casa com o meu carro. — Ah... tudo bem então. — digo. Apesar de eu ter vindo até aqui só para buscá-la, não serei eu a estragar um encontro. — Desculpa ter feito você vir aqui a toa, e desculpe por eu estar te dando um bolo hoje. — diz fazendo cara de quem realmente está arrependida. — Sem problemas, eu já queria ir a uma biblioteca mesmo. — Então ta... hã, boa leitura? — provoca Jhany. Jogo um beijo para ela e ela retribui. Digo para ela se cuidar e sigo para o carro. Dirijo pelas ruas da bela Seattle em busca de uma biblioteca para ver se acho um livro sobre as lendas daqui. Logo encontro uma, estaciono o carro e entro. É uma senhora e enorme biblioteca, fico louca imaginando todos esses livros sendo meus. Ser uma apreciadora de livros não é nada fácil e nem barato. Sigo para um balcão grande de madeira envernizada e atrás se encontra uma mulher de uns cinquenta e poucos anos. — Oi, boa noite. — digo educadamente. — Olá, como posso ajudar? — pergunta a mulher sorrindo. — Eu gostaria de saber se aqui tem algum livro que conta sobre as lendas daqui de Seattle. — respondo. — Oh claro, só um minuto. — diz a mulher vasculhando no computador. — No corredor 5 você encontrará alguns exemplares. — Obrigada. — digo sorrindo. — Por nada querida. — responde a mulher simpática. Vou para o corredor 5 e será um pouco difícil achar os livros pois tem muitos aqui. Fico alguns bons minutos procurando até que acho um com o título "Lendas de Seattle", resolvo pegar esse mesmo pois já deve estar de noite e tia Mary deve estar preocupada pela minha demora. No momento que puxo o livro, do outro lado da prateleira vejo o rosto mais lindo que eu já tive o prazer de olhar em toda minha vida. Ele é muito alto, olhos azuis, cabelos castanhos claros, uma boca maravilhosa e corpo forte. Ele me encara de volta e ficamos assim por alguns segundos ou minutos, não sei dizer. — Me desculpe, você ia pegar? — pergunto sacudindo o livro na minha mão. Ele n**a com a cabeça mas não diz nada, só fica parado feito uma estátua me encarando. Ele não desvia os olhos do meu rosto e eu começo a corar e me sentir envergonhada. Como um cara pode ser tão gato assim? Deve ter passado na fila da beleza umas quatro vezes porque, p**a que pariu. Pisco os olhos várias vezes e saio daquele transe. — Então tá. — digo um pouco confusa e me viro seguindo para o balcão para poder levar o livro. Sinto os olhos daquele homem queimando minhas costas e tento seguir sem olhar para trás, sem sucesso. Assim que olho ele ainda se encontra lá, com toda aquela beleza e aquele corpo, e que corpo. Mesmo estando atrás dos livros, da para ver que ele tem presença. É inimaginável pensar que um homem desses goste de ler. Ele parece mais com um homem que gosta de jogar golfe ou até mesmo jogos de azar nas horas vagas. Chego no balcão e a mulher diz que tenho que abrir uma ficha, é rápido e logo estou liberada para levar o livro. Saindo da biblioteca olho para todos os lados para ver se vejo aquele homem mais uma vez, só que não. Não o vejo e acabo ficando decepcionada por isso.
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