Coração de fogo

1169 Palavras
Seu coração batia acelerado, como se quisesse sair para fora de seu corpo, esquentando seu peito como brasa ardente.  - JONGIN! - gritou ao acordar do pesadelo com o corpo ensopado de suor.  - Eu tô aqui, meu amor, eu sempre estou aqui. - disse o moreno, acariciando as mão de seu amado sem  abrir os olhos.  - Mas por muito tempo não esteve.  - Esquece isso, volte a dormir, isso nunca mais vai acontecer.  - Foram os piores anos da minha vida.  - Acredite, os meus também. - passou o braço pela cintura do menor e o puxou para um beijo.  um beijo quente, aumentando a temperatura dos corpos, que já ardiam com a chama do desejo.  *** - Teve pesadelos outras vez? - perguntou Baekhyun num sussurro, fitando seu prato.  Estavam apenas ele e Kyungsoo tomando o café da manhã naquela casa enorme.  - C-como sabe?  - Sempre que tem pesadelos você primeiro grita o nome do Jongin e algum tempo depois começa a gemer então... - deu ombros.  - Me desculpe, eu não queria que...  - Bom dia, meu amor. - disse Sehun beijando o pescoço de Baekhyun e logo após sentando-se a mesa com os outros - Por que essas caras de enterro?  - Pesadelos. - Baekhyun respondeu em tom baixo.  - Pensei que a publicação do livro fosse te aliviar, Soo, fosse deixar tudo parecendo fantasia. - disse Baekhyun. - MAS NÃO FOI UMA FANTASIA! Eu não entendo como pode só nós lembrarmos disso. Eu não saí de uma manicômio.  - Saiu sim.  - Sehun. - Baekhyun repreendeu Sehun em tom baixo.  - Eu só fui parar lá porque ninguém  acredita que nosso país foi infectado.  - Acho melhor a gente falar com o Jongin.  . .. - NÃO FOI ASSIM! EU NÃO SOU LOUCO. - Kyungsoo gritava com lágrimas nos olhos.  - Mostre o livro, Jongin. Isso já foi longe demais. - pediu Baekhyun. - A gente poderia viver assim, não entendo o porquê disso.  - Porque ele vai se afundar em mais alucinações e a gente vai o perder outra vez, Jongin, deixa se ser burro. - Sehun deu um tapa forte na nuca do moreno.  Jongin foi até o quarto em que dormia com Kyungsoo e destrancou um baú onde haviam muitos livros, mas um entre todos era o mais especial.  Coração de Fogo.  O moreno voltou para a sala com o exemplar  em mãos, sentando no sofá novamente e fitando o livro por um longo tempo entes de olhar para Kyungsoo outra vez.  - Soo, esse livro eu fiz pra você, foi meu primeiro livro, foi como eu virei escritor.  "Em uma cafeteria longe do centro da cidade o moreno tomava seu café lendo seu jornal de toda manhã, analisando ao longe a beleza angelical de um certo ser, esse que roubou-lhe seu coração com um sorriso apenas."  - Isso é lindo, Jongin, e-eu...  - Leia o livro Soo, você vai entender depois que acabar de lê-lo, só a sinopse não vai explicar porque agimos assim.  ... Kyungsoo foi para seu quarto e sentou na poltrona próxima a janela, começando a ler o livro, contando a história de um rapaz de vinte e dois anos apaixonado por um  menino de dezessete.   Kyungsoo foi lendo toda a história de amor platônico que o mais velho vivia, até chegar a metade do livro onde começou a parte que ele deveria saber.  " - Onde está o garoto que atende aqui? - perguntou o moreno para uma das garçonetes.  - Ele foi internado outra vez, ele tem, como eu posso dizer, alucinações frequentes, nem mesmo remédios ajudam, então ele sempre acaba voltando para um hospital psiquiátrico longe da cidade, mas em poucos meses ele volta. É sempre assim, acho que só precisa descansar. - a moça sorriu e foi atender outras mesas.  E o rapaz esperou, esperou por meses a volta de seu amado, mas o garoto nunca voltou.  Ao passar de um ano o rapaz desistiu de esperar e foi atrás de quem tanto amava, o encontrando onde a moça da lanchonete disse que ele estaria.  O menino estava vivendo em uma alucinação mais forte que as outras, mundos eram criados em seus pensamentos e no momento que viu Kai na porta de seu quarto acreditou que ele fosse seu grande amor, sua salvação."  Naquela tarde Kyungsoo chorou mais do que já tinha chorado em todos aqueles dias, meses e anos.  As lembranças eram vívidas em sua mente, como alguém poderia lhe dizer que nada daquilo foi real, poucas coisas foram alteradas para a escrita do livro, mas a maioria das mortes foram reais, inclusive a pessoa que ele matou. Ele não conseguia entender como seria possível isso.  As únicas coisas que passavam em sua mente eram: "eu não sou louco, não sou louco..." Repetidas vezes.  - NINI! NINI! - ele berrava do quarto. O pequeno deitou no chão com as mãos abraçando o próprio corpo.  Jongin entrou no quarto e abraçou o pequeno o trazendo para o seu colo.  - Como você pode me amar? Eu sou louco, Jongin! Como pode me amar?  - Eu sempre te amei, não importa as ilusões que criava, você sempre foi especial e depois que me conheceu, no começo, você esteve bem por muito tempo. Ia no médico, tomara seus remédios direitinho e procurava entender o que trouxe isso a você, mas então eu passei a fazer parte de cada alucinação. Você sempre me incluiu nas suas loucuras, sempre me amou como se eu fosse a única coisa importante na sua vida, assim como você é na minha. Não poderia desistir de você jamais. - Quantas crises eu já tive?  - Muitas, mas não vamos falar sobre isso.  - A que está no seu livro foi a última?  - Foi sim.  - Durou quanto tempo?  - Um ano ou mais, até a gente levar ao hospital novamente, eu era contra, mas Baekhyun achou que era o melhor a se fazer, você precisava. Eu escrevia o livro enquanto ia te visitar, mas eu fiquei doente um tempo e sumi por quase um mês, foi onde você acreditou que eu tivesse morrido, mas eu só estava resfriado. - sorriu.  - Como pode amar alguém assim?  - Eu não sei... Eu só amo, não saberia viver sem você, Kyungsoo.  Kyungsoo se agarrou a Jongin, sentando no colo do marido e o beijando com voracidade.  Seu corpo estava quente, arrepiando a pele de Jongin a cada toque, marcando como seus lábios fossem ferro em brasa, no chão daquele quarto, na tarde fria de inverno.  A neve caia lá fora e os corpos suavam como se estivessem derretendo com cada toque, os gemidos que ecoavam pelo quarto, saindo dos lábios rosados, os olhos fechados com força mostrando quão ardente era o prazer que sentiam.  O nome do livro não era Coração de Fogo por acaso.  Kyungsoo era a chama acolhedora que o protegia do inverno frio.  Era a Fênix capaz de fazer seu amor renascer mesmo em meio a loucura. 
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