— Jongin-ah, fica. — Kyungsoo pediu pulando nas costas do melhor amigo.
— Vou fazer o que aqui, Soo? Seus pais nem em casa estão, eles não iam gostar nada de saber que eu dormi aqui.
— Você sabe muito bem o que podemos fazer. — sussurrou no ouvido do moreno, deixando ele completamente arrepiado, no momento que Kyungsoo desceu das costas do Kim, este virou em direção ao pequeno, tomando os lábios macios em um beijo lento e cheio de carinho.
Os passos eram trôpegos em direção a cama, Kyungsoo deitou tendo Jongin entre suas pernas, em um beijo que evoluiu aos poucos, ficando mais quente e obrigando os dois a tirarem suas roupas aos poucos e por fim àquele desejo que estava cada vez mais presente entre os dois.
•••
KYUNGSOO POV
Eu estava em frente ao que deveria ser a casa de Jongin, segurando em uma mão o novo endereço dele, que ele havia me passando por mensagem assim que disse que uma bomba nuclear destruiu a minha casa, e na outra os testes de farmácia com dois risquinhos rosa.
O engraçado nisso tudo é que: Jongin me passou o endereço de sua nova casa, mas assim que desci do Uber, eu estava em frente a um terreno pequeno, num lugar deserto com um trailer estacionado bem no meio.
Isso não pode ser real. pensei para mim mesmo.
Bati na porta do trailer algumas vezes e logo um Jongin todo feliz e sem camisa veio atender a porta.
— Soo, o que acha da minha nova casa? Maravilhosa, não?! — falou todo orgulhoso de si.
— Isso não é uma casa Jongin, isso é... Uma joça. você não pode viver assim. — falei desesperado.
— Como é que é? Olha aqui, Kyungsoo, eu sei que somo amigos há anos, mas isso não te dá o direito de vir até a minha casa falar essas coisas. — falou irritado.
— E se você tivesse um filho agora? Onde ficaria o berço? Onde seu namorado dormiria?
— A questão é que eu não tenho, sou muito novo pra isso. Não pretendo pensar nisso tão cedo. — falou convicto.
— Acho bom pensar, Jongin. — lhe entreguei os testes — Isso prova que você tem sim um filho para se preocupar.
Jongin ficou tantos minutos olhando para os quatro testes de farmácia que eu achei que aquele tempo nunca ia passar.
Eu me sentia cansado, nervoso, estressado, com medo. Minhas mãos suavam e minhas pernas tremiam, eu estava um desastre e Jongin não ajudava em nada apenas olhando para aqueles malditos testes sem falar nada.
— Isso não pode ser verdade, Soo. A gente usou camisinha, eu lembro muito bem, você colocou em mim.
— Eu posso ter colocado errado, eu era virgem, Jongin. — revirei os olhos e sentei em um banquinho que tinha ali — Eu preciso que me apoie, que me ajude. — suspirei.
— Eu não sei se posso, eu não estou preparado pra isso.
— EU TAMBÉM NÃO ESTOU, MAS ESTOU ESPERANDO UM FILHO SEU, p***a. — gritei, sentindo as lágrimas pesadas escorrerem por minhas bochechas.
— Eu preciso pensar, me dá pelo menos um tempo para pensar, Kyungsoo. Eu não estou com cabeça agora. — dito isso ele abriu a porta do trailer, claramente me mandando embora.
•••
Pensei que Jongin demoraria apenas algumas horas para me ligar. Pensei que ele fosse entender meus medos, que ele fosse estar ao meu lado como em muitas vezes.
Mas só achei. Fiquei dias, semanas e quase meses esperando qualquer coisa que viesse de si. Um oi já me faria muito feliz, mas nada veio, até meu terceiro mês de gestação.
Jongin me mandou uma mensagem dizendo que eu devia o encontrar atrás do pátio da escola o mais rápido possível, e eu fui.
— Kyungsoo, eu sempre fui seu amigo, e acho que isso não deveria mudar nesse momento, eu tenho que estar do seu lado nos momentos mais difíceis, eu tenho que te amparar, essa é minha obrigação, assim como para com esse bebê. E eu pensei muito, eu vou estar do seu lado, vou te ajudar a criar o bebê, mas apenas como amigo. Seu melhor amigo.
•••
Tudo bem, eu não esperava outra coisa de Jongin de qualquer forma, no momento que ele sumiu, na fase mais difícil, eu não esperava realmente que ele quisesse o bebê.
Mas de toda forma doeu. E doeu muito.
Talvez fosse a gravidez, talvez fosse porque eu criei uma ilusão na minha cabeça, mas de toda forma, aquilo doeu.
— Tudo bem. Não precisa reconhecer ele se não quiser. Eu parei pra pensar muito nesses últimos tempos, eu surtei quando te contei porque eu estava com medo, mas passou... — murmurei, tentando segurar as lágrimas.
— Seus pais já sabem?
— Já sim. — disse suspirando e seguindo meu caminho.
— E como eles reagiram? — perguntou levemente preocupado, correndo um pouco para me alcançar.
— Não muito bem. — dei de ombros — Mas minha avó não ia me deixar morando na rua, então eu estou morando com ela e trabalhando depois da escola. Falar nisso, se eu não for agora eu vou me atrasar. — coloquei o capuz do casaco que vestia e as mãos no bolso, me escondendo de todo e qualquer olhar, ao meu ver.
— Mas espera... — disse segurando meu ombro — Está trabalhando onde? Quem deu emprego a alguém grávido?
— Em um bar, como atendente, eu não falei que estava grávido, mas graças a Deus me deram o emprego, senão eu e meu bebê morreríamos de fome. Agora Jongin, preciso mesmo ir.
{•••}
Ainda bem que por baixo do casaco eu já estava com a roupa de trabalho, pois a conversa com Jongin quase me atrasou mais do que o permitido.
Chanyeol estava sentado em sua cadeira de sempre, em seu "escritório" ao lado da cozinha, fazendo o balanceamento dos ganhos da noite anterior.
— Você tem que parar de se atrasar garoto, assim não vai dar certo.
— Desculpe, Chanyeol, um amigo me parou na rua e não entendia que eu realmente precisava trabalhar. — disse já vestindo o avental e passando a limpar as mesas do bar.
O bar era noturno, às 17 horas abria suas portas e eu tinha que estar ali às 16h30 para limpar o chão e as mesas, já que os clientes fixos só faltavam fazer fila na porta para entrar às 17 horas em ponto.
— Você está engordando garoto? Eu não vou ter outro uniforme para você se engordar muito, Baekhyun sempre mantinha a boa forma. — disse tirando os olhos do dinheiro para olhar para mim.
Chanyeol até que era um cara legal, com suas manias peculiares, como a forma que mascava seu chiclete de canela diário, seu jeito de falar que parecia muito rude, mas era legal. Se dependesse de sua família, Chanyeol tinha se formado em medicina e comandaria um hospital hoje, mas ele optou por suas tatuagens, alargadores e seu namorado, abriu um bar com o dinheiro que guardou de algumas "mesadas" e, segundo ele, vive muito bem assim.
— Quer dizer que depois que eu parei de trabalhar pra você eu engordei? — Baekhyun perguntou com uma sobrancelha arqueada, largando suas coisas sobre o balcão e indo até o Park, sentando em seu colo.
— Claro que não. Mas depois que você teve filho ganhou uns pneuzinhos né, admita. — disse dando um beijo na bochecha de Baekhyun e levantando da cadeira, deixando o garoto em seu lugar — Vamos logo com isso Kyungsoo, já é quase 17 horas.
— Como você é grosso, Chanyeol. — Baekhyun revirou os olhos e começou a lixar as unhas na sala do namorado.
— Você sabe que eu sou e gosta. — disse em tom malicioso — Por que ainda não foi na casa da sua mãe buscar a MyungHee?
— To com preguiça... — fez um bico fofo. Bom, fofo para mim, já Chanyeol o pegou pelo braço e deu um selinho — Cai fora daqui. — deu um tapa na b***a de Baekhyun que rapidamente pegou suas coisas de cima do balcão e foi em direção a porta.
— Você me paga quando chegar em casa. — disse e ajeitou os cabelos, saindo pela porta dos fundos.
Terminei de limpar a última mesa e abri a porta enquanto Chanyeol ligava o som.
— Agora precisa de agilidade Kyungsoo, vamos lá.
E mais uma noite se começou, com Chanyeol preparando comidas e bebidas enquanto eu servia as mesas.
{...}
Tinha resolvido voltar caminhando para casa naquele dia, queria pensar um pouco, o que me fez chegar bem mais tarde do que o normal. Eu costumava terminar meu turno às dez e meia e chegar por volta das onze em casa, mas naquele dia cheguei quase meia noite e lá estava Jongin, sentado em frente a porta da casa da minha vó.
— Eu já estava preocupado com você, não sabia que chegava tão tarde, trabalhar tanto não vai fazer bem para o bebê, Kyungsoo. — disse pacífico e entrou em casa junto a mim.
Subimos em silêncio até o quarto de hóspedes, que era minha nova residência por enquanto.
— Muitas coisas não fazem bem ao bebê, nem por isso eu consegui evitar, então... Acho que pior seria ele morrer de fome. — sussurrei para não acordar minha vó e comecei a tirar a roupa, indo em direção ao banheiro, precisava de um banho urgente, precisava comer e dormir também.
— Para de me tratar assim só porque eu não quero ficar com você, Kyungsoo.
— O quê? — quase gritei irritado — Não tem nada a ver com isso, Jongin! Eu só não entendo porque alguém que há dois meses atrás não acreditou que teria um filho agora está preocupado comigo ou o meu bebê. O meu bebê, Jongin. — dei ênfase no meu — Eu precisava de você lá no início, quando eu estava desesperado, agora eu estou me virando bem. Eu queria muito mais do que um sobrenome, eu queria alguém que me ajudasse e você não ajudou agora não precisa mais.
— Eu estava nervoso. Kyungsoo, eu não esperava ter um filho agora, eu não queria um filho agora.
— Então se sinta feliz, Jongin, eu não estou pedindo para você ter a p***a do filho, eu já disse que ele é meu. Ponto.
— Mas assim não é justo. — Jongin chegou mais perto, me puxando para sua frente, olhando dentro dos meus olhos — Eu já disse que sou seu amigo Kyungsoo, sempre fui e vou assumir o bebê. Além disso, ter um pai é um direito dele, você não pode tirar.
— Ter um pai ou um título Jongin? Eu estou sendo sincero, eu queria alguém para estar do meu lado, alguém que não fuja, não quero um título.
— Eu vou tentar, Kyungsoo, eu não estou pronto, mas estou disposto.
Seu corpo foi chegando mais perto do meu, seus olhos desviaram dos meus para olhar a minha boc, e segundos depois já era tarde demais para evitar que Jongin estivesse debaixo d'água comigo, suas roupas ensopadas enquanto enquanto nossos lábios se encontravam com saudade.
"Sua pele é quente como um forno
Seu beijo é um doce açucarado
Seus dedos são como algodão
Quando você coloca seus braços em volta de mim
Eu sinto que estou perdendo
Algo sempre que você vai embora
Nós temos todos os ingredientes
Exceto você me amando."
Cake - Melanie Martinez
•••
Algum tempo depois...
— Chanyeol é meio lento, mas eu não, Kyungsoo. — disse Baekhyun baixinho enquanto eu limpava as mesas do bar — Ele pode até achar que você está gordo, mas eu sei muito bem o que tem nessa barriga, gordura não sai andando. — disse simplista, enquanto descascada uma maçã para comer.
— Eu sinto muito, não sabia como contar... — mordi o lábio inferior, suspirando, no fundo eu estava tremendo de medo, Baekhyun era como meu chefe também, afinal ele era o namorado de Chanyeol, e se ele não quisesse mais que eu trabalhasse aqui?
— É fácil, chega no Chanyeol e diz "estou grávido". Ele não vai te jogar daqui pra fora por isso! Eu acho... O pai do bebê sabe? — perguntou curioso.
— Saber sabe, mas ele não quer o bebê, então... — disse e dei de ombros, indo para trás do balcão e limpando ali, logo o bar abriria.
— Ah, isso explica... Soube que você está saindo com meu irmão.
— S-seu irmão? — não havia entendido, nem sabia que Baekhyun tinha irmãos.
— Sim, Oh Sehun. Às vezes ele vem aqui reclamar e tomar um porre, é meu irmão mais velho, o mais novo nem queira saber. — revirou os olhos e riu — Sehun é uma boa pessoa, conte para ele também. Hoje, Kyungsoo!
Dito isso Baekhyun foi abrir a porta e mais uma noite no bar começou.
{•••}
— Chanyeol, eu preciso falar com você... — disse assim que o bar fechou, como era fim de semana não ficava só até às dez, mas até o fechado que era as duas da manhã.
— Fale. — ele pouco estava prestando atenção em mim, apenas em seu celular.
— Eu estou grávido, não gordo, o pai do meu bebê não quer o bebê e se eu perder esse emprego não vou ter como nos sustentar. — disse num fôlego só, me sentindo até tonto quando terminei.
O Park apenas me olhou com uma sobrancelha arqueada, um olhar que chegou a gelar minha espinha.
— Como ele não quer saber do bebê?
— É uma longa história, ele sumiu por dois meses e depois voltou dizendo que assumiria o filho, mas apenas isso. Não que eu quisesse um casamento, mas eu esperava que ele se importasse mais do que colocar o nome na p***a de um papel. — sequei as lágrimas silenciosas que escorriam — Meus pais me expulsaram de casa e eu moro com a minha vó, mas não é fácil. Eu me virei sozinho, ele não me ajudou com nada e agora eu nem quero, não é mais necessário, eu disse para ele que se fosse para ter um papel eu não queria, a gente transou e ele meio que sumiu de novo, e já faz quase dois meses outra vez. — despejei de uma vez.
Eu não tinha com quem falar e Chanyeol me pareceu disposto a ouvir, depois de começar eu não consegui parar, aquilo me feria demais.
Eu perdi minha virgindade com Jongin e deu em um bebê, então ele sumiu, transei com ele de novo e ele sumiu, parecia até carma!
— Isso explica muita coisa. — virei para trás e ali estava Sehun, com as mãos no bolso e me olhando com aquele olhar fofo, mesmo com aquela cara séria dele.
— Você ouviu tudo?
— Ouvi sim. Mas também Baekhyun já tinha meio que me contado, então eu vim te buscar para ir pra casa e... Você já sabe.
— É, vá para casa Kyungsoo, amanhã vamos conversar sobre isso, se quiser Baekhyun e eu podemos te dar uma força. Ele passou por quase a mesma coisa, a diferença é que o filho é meu e eu não ia largar o Baekhyun por isso, mas enfim. Vai lá.
— Obrigado. — agradeço e sai dali com Sehun.
— Até ia te convidar para ir lá para casa, mas você deve estar cansado. — disse me entregando o capacete e subindo na moto.
— Hoje eu estou, mas juro que amanhã eu vou e paro de dar bolo.
Coloquei o capacete e agarrei a cintura de Sehun e em poucos minutos estávamos na "minha casa", onde ele parou em frente e nem desceu da moto, só puxou minha cintura, colando seus lábios nos meus.
O beijo de Sehun era bom. Estar com Sehun era bom, apesar de que pouco estávamos juntos, eu passava mais tempo estudando e trabalhando do que realmente ficando com ele, mas esse último mês tinha sido assim. Estar com Sehun era bom, mesmo que no fundo eu sentisse que faltava algo.
Alguns muitos beijos depois me afastei de Sehun, dando vários beijinhos em sua boca e vendo algo que eu não esperava, Jongin do outro lado da rua.
Acho que eu devo ter feito a expressão de quem viu um fantasma, já que Sehun me segurou mais perto de seu corpo, como se eu fosse cair, ao mesmo tempo que Jongin atravessou a rua como um furacão.
— Depois quer me fazer acreditar que esse filho é meu! — disse com arrogância.
— O quê? O que isso tem a ver, Jongin?
— Fica se esfregando com qualquer um e vem colocar a culpa em mim do bebê. — disse apontando para minha barriga.
Meu sangue subiu, eu estava segurando tudo sozinho por tempo demais.
Só me dei conta do que eu fiz quando senti em minha mão a dor do tapa que dei em seu rosto, mas nem por isso mudei de opinião, melhor falar tudo enquanto tenho coragem.
— Eu fiz o filho com você sim, eu transei só com você e faz cinco meses, CINCO MESES JONGIN! Não foi ontem! E como meu melhor amigo você sabe disso, eu sei que você está louco para se livrar da responsabilidade, mas eu já disse ESSE FILHO É MEU, EU NÃO ESPERO MAIS p***a NENHUMA DE VOCÊ! Não precisa se preocupar com isso. Eu vou criar ele sozinho, não é porque Sehun está aqui que ele vai ser o pai do meu filho, ele é meu companheiro, isso acontece. ENTÃO PARA DE SER IGNORANTE E DECIDE SE VOCÊ GOSTA REALMENTE DE MIM E ACEITA QUE VAI TER UM FILHO OU SE VOCÊ VAI CONTINUAR SENDO ESSE i*****l! — disse bufando, sentindo vontade de chorar, mas de raiva — Melhor eu ir para sua casa, Sehun.
O loiro não pensou duas vezes antes de me entregar o capacete de novo e dar partida na moto, me levando para bem longe de tudo aquilo.
•••
Assim que cheguei a casa de Sehun eu pude desabar como eu tento queria, chorando tudo que eu precisava.
— Ele não merece você, Kyungsoo. — disse Sehun, me puxando para seus braços e beijando meu rosto.
Eu sei o que faltava entre mim e Sehun, amor... Infelizmente, apesar de tudo, eu amava Jongin, eu precisava apenas de seu amor de volta para que déssemos certo e isso acontecia com Sehun também. Somo dois quebrados tentando colar um ao outro.
— Eu não quero pensar nisso, não quero lembrar disso... No fim eu disse que não iria mais dar bolo e aqui estou... — disse rindo, secando as lágrimas — Podemos fazer o que tínhamos pensado em fazer.
— Acho melhor não, Kyungsoo.
— Por favor... — pedi com meus lábios tão próximo aos seus.
Eu sentia que Sehun também precisava disso, e foi inevitável quando nossos lábios se encontraram e ele me pegou no colo, me levando para seu quarto.
Mas acabou que paramos na parede do meio do corredor. Quando o desejo falava mais alto era impossível pensar. Por isso corri minha mão para seu cinto, o desafivelava e me livrando da calça de Sehun. Enquanto suas mãos apressadas se livraram da minha, logo jogamos nossas blusas para longe voltando a colar nossos corpos com beijos afoitos.
De todas as coisas da minha vida que eu me arrependo, me entregar a Sehun não foi uma delas.
{•••}
UM MÊS E MEIO DEPOIS
— Bom dia, Kyungsoo. — desejou Sehun, abraçando-me por trás e beijando meus ombros.
— Muito bom esse dia. — comentei rindo.
— Você vai no médico hoje, certo?
— Sim, Jongin vai me encontrar lá, ele também quer saber como os bebês estão.
Eu já havia entrado no sexto mês de gestação, tinha agendado uma consulta com a obstetra e Jongin queria ir junto, afinal os bebês eram dele também.
A cama estava tão gostosa que foi muito difícil de levantar, ainda mais quando Sehun ficava me beijando. Em dias normais, quando não tínhamos compromissos, sempre acabamos por fazer algo a mais do que beijar.
Agora, felizmente, eu não só namoro Sehun, como também estou morando com ele, o que tem suas vantagens e desvantagens. Não preciso ouvir minha "bondosa" avó que me acolheu, mas ficava jogando na minha cara todos os dias os meus erros e o que não gostava em mim, tinha praticamente uma família, já que sempre ia para casa de Sehun junto a ele, encontrando lá Baekhyun, Chanyeol e a pequena MyungHee e o ponto negativo nisso tudo é que Jongin simplesmente achou que se fosse pra morar com alguém deveria ser com ele, suas argumentações eram duas e sempre as mesmas "você nem o conhece, Kyungsoo, ele pode ser um assassino de bebês" e "os bebês são meus, quem deveria morar com você sou eu".
Mas entre todas essas coisas Jongin ainda é meu amigo, então não, morar com Sehun é a escolha mais lógica.
— Eu tenho que ir. — disse tentando me afastar dos seus beijos.
Já havíamos levantado da cama, tomado banho e o café da manhã. Eu precisava ir na consulta do pré-natal e ele trabalhar, mas Sehun estava incrivelmente carente naquela manhã.
— Hm, vamos fazer assim, vou te buscar no trabalho hoje e vamos fazer uma maratona de The Walking Dead, comendo alguns doces e depois a gente vai pra cama.
— Dormir?
— Não. — disse rindo de uma forma safada, me fazendo rir também.
— Tudo bem, vamos fazer esse seu programa bem romântico aí, agora eu preciso ir, mesmo.
Dei um último selo em seus lábios e saí de seu apartamento.
Não demorou muito a chegar no hospital, eu estava com os pensamentos tão longe que nem prestei a atenção no caminho.
— Achei que não viria mais, Kyungsoo, já está na hora da consulta, a médica já chamou. — disse Jongin assim que eu entrei na recepção do hospital, segurando minha mão e me levando para dentro da sala da médica.
— Oi, Kyungsoo, como está essa semana? — perguntou a doutora Lee enquanto eu me deitava na maca.
— Bem, já é a vigésima sexta, eu estou ansioso.
— Eu sei, eles devem estar se mexendo bastante aí dentro, certo? — concordei com a cabeça, sorrindo enquanto ela passava o gel em minha barriga — Acho que hoje poderemos finalmente saber com certeza o sexo dos seus bebês.
A primeira coisa que doutora Lee sempre faz ao colocar o aparelho em minha barriga era alimentar o som para que eu pudesse nos ouvir o batimento cardíaco deles.
— Eles estão crescendo rápido, estão bem saudáveis. Ganharam quatrocentas gramas desde a última consulta. — disse animada, olhando para o monitor e sorrindo enquanto passava o aparelho na parte de baixo da minha barriga.
— E então doutora, já podemos saber? — disse Jongin um tanto nervosa, seu sorrisos ficava estranho quando ele estava assim. Era um momento que ele não sabia se queria mesmo rir ou não, o que acaba virando uma careta.
— Hm, sim, podemos. Estão vendo isso aqui. — apontou algo na tela que, pra mim, era da era tinta derramada de forma acidental no chão, vulgo borrões — Isso aqui é o pênis dele, é o um menino, e aqui não tem nada — disse apontando para o outro bebê — Então é uma menina, parabéns, vocês vão ter um casal.
— Eu vou ter um filhote, vou poder levar ele pra jogos de futebol e pegar garotas. — disser Jongin animado, segurando em minha perna de forma a extravasar o sentimento.
— Jongin, menos, meus bebês, lembra.
A doutora continuou sorrindo e limpou minha barriga.
— Pode sentar-se. — disse a mim e foi até sua mesa, escrevendo no meu prontuário — Continue com a dieta que eu recomendei e tomando as vitaminas, eles estão saudáveis e você parece estar também, faça caminhadas pela manhã, após o desjejum, sem muito esforço, e vamos passar a ter consultas quinzenais, já que agora estamos no último trimestre e cada vez mais perto de ter esses lindos bebês com a gente.
— Obrigado doutora, até breve.
Saímos do consultório e Jongin me acompanhou até a parada de ônibus.
— Já pensou em nomes para os bebês? Eu estava pensando e...
— Na verdade eu pensei, eu estava conversando com Sehun esses dias e decidimos qual seria o nome de fossem meninos ou meninas. — Jongin segurou meu braço e me parou no meio do caminho, me fazendo olhar para ele.
— Kyungsoo, você não pode tirar esse direito de mim, eu disse que ia assumir o bebê e estou aqui, é justo que eu participe de todas as etapas, inclusive a escolha de nome.
— Eu entendo Jongin, mas você é muito volúvel, uma hora e na outra não quer mais, quem me garante que esse seu desejo paternal vai durar pra sempre? Além disso, Sehun é meu namorado, é com ele que eu divido uma vida, nada mais normal do que conversar sobre os bebês com ele.
— Eu disse que você deveria ter ido morar comigo, já que estava tão r**m na sua vó.
— Você é meu amigo, obrigado pelo apoio, agora eu preciso ir pra casa Jongin, te vejo daqui a quinze dias, pode mandar mensagem. — dei um beijo em seu rosto e sinalizei para um táxi, entrando neste e seguindo para a minha casa.
{•••}
Eu estava limpando as mesas do bar quando ouço a risada de Baekhyun e barulho de sapatinhos pequenos demais para ser dele.
Myung Hee estava correndo pelo bar feito louca tentando alcançar as pernas de Chanyeol, ela ria e esticava os pequenos bracinhos em sua frente, correndo atrás de Chanyeol que praticamente caminhava para fugir dela.
— Pai, eu quero abraço. — pediu manhosa, já desistindo de correr e Chanyeol sorriu, a pegando no colo e enchendo seu rostinho de beijos.
— O bar já vai abrir e o que falamos sobre ficar aqui essa hora?
— Não pode, mas eu quero ficar com você, pai. — fez bico, escondendo seu rosto no pescoço de Chanyeol, me fazendo sorrir.
— Vem meu bebê, papai vai te levar pra casa, eu deixo você dormir na cama comigo para esperar sei pai, vem. — disse Baekhyun a pegando no colo.
— Ah Baekhyun, é sexta. — Chanyeol suspirou, puxando segurando Baekhyun pela cintura e o puxando para mais perto — Para de fazer dieta que daqui a pouco eu vou carregar você com uma mão só, Baekhyun. — disto isso ele deu um beijo nos lábios de Baekhyun e outro na testa da filha, sem deixar de dar o tapa de sempre na b***a de Baekhyun, mandando ele embora.
Comecei a rir de toda aquela família fofamente estranha e abri a porta do bar, dando início a mais uma noite.
{•••}
Sehun foi me buscar assim que a noite acabou, ele parecia ansioso, e isso me fazia rir.
— Como foi a consulta? Já deu pra saber o sexo dos bebês?
— Deu sim, é um casal.
— Bem-vindos TaeYing e TaeHee. — disse Sehun acariciando minha barriga.
— Mas sabe, Soo... Eu tava pensando, a gente não poderia pular a parte da maratona de série essa noite e ir direto para a cama?
— Quanta carência, Sehun.
— Saudade de sentir você. — sussurrou contra meus lábios, agarrando meu corpo e me beijando, me fazendo rir e andar com ele até o quarto.
Escolher Sehun com certeza foi a minha melhor escolha.