Emoções afloradas

2261 Palavras
RACHEL 6 MESES ANTES O dia havido amanhecido e junto veio a minha preguiça de ter coragem para levantar da cama. Ainda sonolenta e não querendo muito me sento e começo a me espreguiçar, posso sentir o sol radiante que entra pela fresta da janela indicando que seria outro belo dia. — Filha? _Batidas na porta me faz erguer os olhos. Então minha mãe entra. O sorriso em seu rosto é contagiante, mas não consigo sorrir. — Mãe. _Bato na cama e logo ela toma aquele acento, beijando-me na bochecha e arrumando meus cabelos. — Estamos indo para a pousada da família. Tem certeza que não quer vir conosco? — Deus me livre! A senhora sabe que odeio esses ambientes familiares e cheios de crianças. Além do mais, Rebeka vem dormir aqui e prefiro centésimas vezes está com uma amiga a está com nossa família. _Jogando os lençóis para o lado me levantei, calçando a sandália e seguindo ao banheiro. — Como quiser. _Do espelho a vejo encostar no batente da porta. Ergo uma sobrancelha depois de pegar minha escova de dente. — Não vai nem insistir? — Não. Eu insisto desde os seus 17 anos e você prefere continuar a ser antissocial. Eu e o seu pai não sabemos mais o que fazer não entendo porque agi diferente do seu irmão Maximiliano sendo que ambos tiveram a mesma criação. Revirei os olhos. — De novo com esse papo. Meu Deus, isso cansa. _Contudo me virei para encara-la. — Eu já lhe disse que vocês precisam se afastar de mim... — E por que? Engoli em seco, gesticulando. — Como por que? Não é nítido. _Tremi. — Eu quero espaço. _Respiro. — Mas nós te damos espaço. — Não. Vocês não me dão. Vocês ainda pegam em meu pé. Poxa! Vai e me deixa aqui. _Virando para frente seguro na pia. — Você tem emagrecido de uns tempos pra cá. _Comentou. — Não está se alimentando direito? — Estou fazendo dieta. Quero entrar naquele vestido que vimos ... Fui cortada. — Anda ansiosa para o noivado do seu primo? Apertei as mãos na pia gelada ao ponto de sentir meus dedos doerem e enfim levantei o rosto, me vendo através do espelho. Ela não tinha noção de como assuntos como aqueles eram desagradáveis. — Desejo um bom final de semana pra vocês. Agora me deixe sozinha, preciso tomar um banho. — Uma última coisa... _Ela se aproximou, tocando meus ombros. — Já lhe deixamos de molho por três anos. Semana passada conversamos sobre variados tipos de cursos... Esquivei para o lado, saindo do seu toque e a fitei. Tudo o que eu não faria, sabendo que vou morrer é perder tempo estudando. — Ainda não me decidi. Agora me dê licença. Minha mãe sorriu, novamente me beijou e saiu. Voltando a atenção para o creme dental e escova de dentes me questionei se os matariam lhes contar que estou morrendo e assim veio a decisão... Eu ficaria de bico calado e quando acontecesse, seria uma dor única e não um sofrimento que se estendeu de agora até minha morte. Meus pais não mereciam. *** — Tudo bem, Rebeka. Se não dar para vir, eu lhe entendo. — Mas e você... Ficará bem? Ontem você não me deu notícias nem nada do tipo. — Eu estou bem. Já lhe contei um milhão de vezes que tenho sangramento nasal por causa da minha desgramada enxaqueca. Não se preocupe e vá se divertir com seu namorado. — Não quer mesmo que passamos aí para te buscar? — Não. Prefiro maratonar séries com um potão de sorvete e outro de frango frito. Ela do outro lado da linha caiu na gargalhada. — Okay. Então fica com Deus e amanhã eu tô aí. Já guarda metade desse sorvete para mim. Que sorvete??? — Divertimentos pra vocês. _Desejei enquanto subia o zíper da bota. — Desejo o mesmo. Beijinhos. Finalizando a ligação guardei o celular no bolso da calça jeans preta que usava e desci às pressas para a garagem onde o meu pai escondia suas máquinas conversíveis. Observando as chaves decidi escolher a que me chamasse mais atenção e logo peguei a do 'koenigsegg agera r' azul. Seguindo até ele, retirei a capa de couro que papai fazia questão de cobri-los e iniciei uma varredura com os olhos, enquanto balançava a chave e com a outra mão, ao dar a volta, a deslizava pela pintura com brilho exclusivo sob incidência solar, límpido, um veículo raro, desejável e verdadeiramente valioso. Pelo que o meu pai me contou sobre, é um carro Sueco, com uma marca impressionante de 420 km/h. Segundo a empresa, é possível alcançar 440 km/h com esse belo carro; o preço se resume em nada além de 1,5 milhões de dólares. Um motor V8 RWD. Ano: 2011. Velocidade máxima: 420 km/h. Potência e torque: 1500 Nm @ rpm 0-100 km/h: 2.8 segundos. Não demora e estou dentro da produção mais exclusiva do planeta, totalizando até 2014, somente 18 exemplares. Pois este modelo de fibra de carbono e visual estonteante, colocado à venda na Inglaterra, foi o derradeiro Agera R a deixar a fábrica da Suécia. E graças a Deus! Hoje ele seria perfeito para o racha que aconteceria no início da noite na rodovia bandeirantes. Subindo os portões e girando a chave, liguei o carro e estava a transitar pela estrada. Não foi 10 minutos e havia estacionado no destino. Deixei o som ligado e saí do carro, batendo a porta e seguindo até uns conhecidos. — Olha quem apareceu? Rio e pisco, dando uma voltinha. — Luke. _O puxei para um abraço. Nos conhecemos a um mês quando eu parei o carro que dirigia na ponte e saí correndo até o corrimão em busca de ar. Dia o qual iniciei meus dias de terror ao descobri ter essa doença que possa ser incurável. Ele se afasta. Seu olhar está por cima dos meus ombros. — Quem seria o louco de tirar um racha com você. _Caminhou e eu me virei para segui-lo até o carro do meu pai, encostando-me ali e cruzando os braços. Ele avaliava todo o carro com bastante entusiasmo até subir o olhar para mim. — Um Agera, sério? _Estava baqueado. Assenti, mordendo os lábios. — Se seu olhar grandioso de inveja não derreter o carro do meu velho, eu deixarei você olhar, mas seu traste dá umas duas passadas para trás, por favor. _Não segurei a carranca por muito tempo e gargalhei da sua careta de descrença. — Ei. Vocês aí. _Uma moça com uma espécie de prancheta e que certamente organizava os nomes na lista veio até nós. — Vão competir? _Fitou meu carro. — Minha nossa, Uau. Passei o olhar entre os carros. — Só tem esses modelos de carros. Não é páreo pra mim. _Admiti. — Isso. Humilha minha lata velha inferior. _Luke assoviou. — Me desculpe. _Bati no capô do carro. — Mas com essa belezinha aqui eu te deixaria pelado. — Bom. _A moça falava ao olhar o relógio no pulso. — Em um... Dois... E três... _Um barulho de motor chamou minha atenção e eu olhei para mais a frente, vendo o carro levantar poeira ao fazer um perfeito estacionamento. Caramba... Que giro 360° — É uma Lamborghini Aventador... A cortei, tomando a prancheta das suas mãos. — Eu vou com a Lamborghini. Onde eu assino? _A moça apontou e quando fui riscar meu nome ela tampou. — Ele já está em posição de ataque. Ou seja, tem que ser agorinha mesmo. _Alertou e antes de descobrir o papel deixou algo claro. — A aposta é de 40 mil. — Sem problemas. _Assinei e estendi a prancheta. Ela pegou e se afastou. Eu desencostei do carro e abri a porta. — Rachel. Tem certeza? _Luke me encarou. Novamente olhei para a Lamborghini. Os faróis dianteiros piscavam para mim. Era o gás que precisava para eu tirar a marra do dono. — Está brincando, né? _Voltei o olhar para o Luke. — A velocidade máxima daquilo é 350 km/h. A aceleração de 0 a 100 km/h é de 2.9 - 3 segundos. _Pisquei para ele e entrei no carro, colocando o cinto e dando a volta. — Sabe que as 5 vezes que vim em racha nunca perdi nenhuma. Não será agora que acontecerá. — Boa Sorte. _Ele gritou. Assenti e levei o carro para ficar lado a lado com a Lamborghini num tom preto ofuscado. Quem precisa de sorte quando não se tem nada a perder? Analisando do retrovisor esperamos adesivar nossas placas para burlarmos radares. Algo que me custaria uns 130 reais, ficaria em cima das letras e a polícia não veria. Respeito às leis de trânsito. Quase sempre obedeço, só não obedeço quando quero acelerar e hoje eu quero muito. Quando a moça fez o serviço veio com uma bandeira na cor xadrez e ficou à frente e entre os dois carros. Imediatamente pus as mãos no volante e esperei seu aval na torcida de ganhar e na esperança de não pegar buracos. Ouvindo o som do apito e com o coração acelerado tirei o pé do freio e corri. Minha dúvida era: O que eu faria com os 40 mil? Acelerei, sorrindo. O vento forte voava meus cabelos. Eu gosto de cachorro. É isso! Vou doar para um canil de animaizinhos abandonados. Não resisti a tentação de olhar para o lado para sentir o sabor, o gostinho delicioso da vitória e respirei forte quando para o meu desprazer o infeliz estava na minha cola com os vidros do carro fechado. — Que Merda. _Vociferei, cravando fundo o pé no acelerador. Do retrovisor vi está à frente dele e bati no volante, super mega contente. — Não esperava por essa, né? A adrenalina de fazer uma ultrapassagem arriscada dá prazer, é excitante. Tem gente que gosta de pular de paraquedas, eu descobrir que sou fanática por correr. Os cabelos ao vento e o frio na barriga é indescritível e prazeroso. É como saborear o melhor dos doces. O melhor mesmo. Praticantes de racha podem ter carteira suspensa, carro apreendido e ser presos. Tenho consciência, sei o que estou fazendo. Sei entrar e sair da curva, a hora certa de frear... Faço porque definitivamente peguei gosto por a coisa e não tem comparação o prêmio ' O ganhar'. Tenho ciência. É realmente uma irresponsabilidade, uma prática ilegal. Falar sobre é a confissão de um crime e por isso o segredo. Quem faz, faz sabendo disso, mas, dentro do errado, pelo menos eu, quero encontrar aquilo que vou buscar: diversão e êxtase. Não vou me privar e morrer com vontade. Grito quando o maldito me ultrapassa e faço o impossível para o acompanhar. A linha de chegada está próxima e por talvez, não sei, e que droga! Eu cometo o erro de sair de lado na pista, quase indo parar no canteiro. Não... Não. Nananaão. É o barulho do apito. Esmurro o volante ao ponto do airbag estofar na minha cara perdedora. Raivosa, saio do carro. — Tudo bem? _Luke pergunta. — Eu tenho semblante de quem está bem? _Bato a porta e o dou as costas indo parabenizar o meu fiasco. Porque pro maldito ganhar eu tive que perder e eu ainda não sei como. Inferno. Ele está de costas e quando ele virá para mim, nós dois impactados ficamos incrédulos. Eu mais que ele. — Rachel. — Heitor. _Estou embasbacada. — Não acredito que tirei um racha com meu primo. _Sou pura ironia. — Eu acredito, Querubim. Tanto que vou ligar agora para os meus tios e contar essa descoberta. Vendo suas mãos dirigir-se ao bolso rapidamente pego na mesma pelo pulso e dou um passo à frente, ele grudava as costas em seu carro. — Você não vai fazer nada disso. _Furiosa, cravei os olhos dentro dos seus castanhos. Ele riu e foi uma p**a de uma imoralidade rastejar o olhar até seus lábios. — Como se sente sabendo que está nas minhas mãos. _Soltei as suas. — Não estou me referindo ao toque. _Molhou os lábios e eu desviei a vista. Por que tem que ser tão jogado e tão bonito. Maldito estilo hippie. Abruptamente suas mãos pousaram em minha cintura e me puxaram com força para colar a si. Hálito. Que hálito de menta gostoso. — Prima, sabe que lhe adoro, mas está muito fodida, não é mesmo? — Pare de ser um e******o chantagista. _O empurrei pelo peito, e que peito, e ele não se moveu. — Sabe que ainda não contei aos meus tios sobre ontem, no entanto, isso não significa que não contarei. — Era uma enxaqueca. _Me apavorou seu arquear de sobrancelha e seu estalinho que fez com a boca. — E sobre hoje. Eles não têm porque saberem, sou de maior e vacinada. Faz ele me soltar, Deusinho. — Por que eu não fiquei sabendo dessa enxaqueca? _Desconfiou. — Heitor. Vai pro inferno. _Com muito esforço me soltei de suas garras. — Entra no carro e eu entro no meu. Vou te acompanhar até sua casa. — Pra quê isso? _Balancei a cabeça. — Quer mesmo questionar o porquê? _Seu olhar de repente não era agradável. — Faz o que tem que fazer e pianinho. Inventa de correr ... _Tirando o celular do bolso ele bateu uma foto e me mostrou. Eu e o carro do meu pai atrás. — E eu mostro isso aqui pro seu pai. Garota inconsequente. _Negou, desconte e entrou no carro. Me virei, caminhando. — Filho da p**a.
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