CAPÍTULO 219 BEATRIZ NARRANDO Eu tava sentada num banco estreito, do lado de fora do quarto do Arthur, com os dedos entrelaçados e as pernas balançando de leve, como se o movimento pudesse acalmar a ansiedade que fervia dentro de mim. O corredor branco, silencioso, com cheiro de álcool e luz fria, só aumentava o peso no meu peito. Lá dentro, a porta fechada mantinha o mundo dele separado do meu. Mas eu sabia. Sabia que ele tava ali, falando com a polícia. Dando sua versão dos fatos. E por mais que confiasse nele, meu coração não parava de martelar que tinha coisa que ele não ia contar. Não pra eles. Talvez nem pra mim. Eu tentei ouvir alguma coisa pela porta, mas era maciça. Só conseguia escutar um murmúrio abafado… e, de vez em quando, o silêncio. Silêncio esse que me dizia mais do qu

