O quarto estava tomado por uma penumbra quente, com as cortinas fechadas e só um abajur aceso, lançando uma luz amarelada que deixava o ambiente mais sufocante do que acolhedor. As algemas pesavam nos meus pulsos, frias contra a pele já marcada, e o simples ato de me mover na cama fazia o ferro morder ainda mais a carne. Eu respirava fundo, tentando ignorar a dor latejante, mas era impossível não sentir. Foi então que Lara entrou. Trazia uma bandeja cuidadosamente arrumada, equilibrada entre as mãos delicadas: uma sopa fumegante, um copo de suco fresco, alguns pedaços de pão. Tudo parecia digno de um hotel de luxo, mas o contraste com a minha situação era gritante. Ela caminhava como se fosse uma dona de casa apaixonada, como se aquilo fosse apenas mais uma noite de casal isolado num refú

