O ruído incessante das ondas batendo nas rochas abaixo da ilha era como um tambor ritual, uma lembrança constante de que eu estava preso, totalmente à mercê de Lara. O quarto, apesar de luxuoso, parecia uma gaiola de vidro: vidro escuro, pesado, cortinas fechadas, mas o rugido do mar me lembrava que estávamos no topo de um penhasco, isolados do mundo, sem chance de intervenção externa. Cada detalhe — desde o chão de madeira polida até os móveis escuros e pesados, passando pelas algemas que limitavam meus movimentos — parecia planejado para intensificar minha impotência e medo. Lara se aproximava lentamente, cada passo medido, sua presença dominando completamente o espaço. O cheiro dela, uma mistura de perfume intenso e doçura quase sufocante, enchia minhas narinas, me deixando tonto. Ela

