Na manhã seguinte...
O dia amanheceu sem pressa, como se quisesse nos dar tempo para aproveitar cada instante antes da despedida. Estávamos prontos para deixar a Itália para trás, mas a sensação não era de adeus, e sim de um “até logo”. Sophie, sempre entusiasmada, olhava ao redor como se quisesse absorver cada detalhe, enquanto eu carregava nossas malas para o carro que nos levaria ao aeroporto.
— Você tem certeza que não esqueceu nada? Perguntei, observando-a dar uma última olhada na vila.
Ela sorriu e balançou a cabeça.
— Só se eu pudesse levar essa vista comigo.
— Acho que Paris vai compensar. Respondi, abrindo a porta do carro para ela.
A viagem até o aeroporto foi tranquila. Sophie passou boa parte do tempo encostada no meu ombro, distraída olhando as fotos que tiramos nos passeios. Quando o avião decolou, ela me cutucou, animada.
— Você acha que vai nevar?
— Pode ser. Respondi, observando o brilho nos olhos dela.
O voo foi rápido e confortável.
Assim que pousamos em Paris, era como entrar em um cartão-postal vivo. As luzes douradas da cidade brilhavam contra o céu cinzento do inverno, e a cidade parecia pronta para nos receber com um clima festivo. Sophie puxou meu braço, ansiosa, enquanto atravessávamos o aeroporto.
— Olha aquilo! Ela apontou para uma decoração temática, cheia de luzes e guirlandas.
— Parece que você já entrou no clima de fim de ano. Comentei, e ela riu.
O hotel onde ficaríamos era sofisticado, mas aconchegante. Depois do check-in, subimos para o quarto, de onde era possível ver parte da cidade iluminada para a virada do ano. Sophie correu até a janela, empolgada.
— Olha essa vista, Dante! É perfeito!
— E ainda temos a noite toda para aproveitar. Falei, me aproximando dela.
Ela se virou e sorriu.
— E por onde começamos?
Nos beijamos rapidamente, tínhamos muitas coisas para fazer.
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Antes mesmo de desfazer as malas, Sophie já estava impaciente para explorar a cidade. Eu, por outro lado, gostava de manter um certo controle sobre as coisas, mas ela… Ela fazia questão de me tirar da zona de conforto.
— Vamos dar uma volta antes do jantar? Só um passeio rápido. Pediu, segurando minha mão.
— Rápido? Arqueei a sobrancelha, sabendo que, com Sophie, nada era “rápido”.
Ela sorriu de um jeito travesso.
— Prometo!
Descemos do hotel e caminhamos pelas ruas iluminadas. O frio cortante não a desanimava nem um pouco; pelo contrário, Sophie parecia revigorada, observando cada detalhe das vitrines decoradas para o fim do ano. A cidade respirava magia, e ela estava completamente envolvida nisso.
— Isso é ainda mais bonito do que eu imaginava. Disse, apertando os braços ao redor do próprio corpo.
— Está com frio?
— Um pouco, mas está valendo a pena.
Sem pensar duas vezes, tirei meu cachecol e o envolvi em seu pescoço. Sophie piscou para mim, surpresa, antes de segurar as pontas do tecido com um sorriso satisfeito.— Está tentando me seduzir, Sr. Ravelli?
— Depende, está funcionando?
Ela riu, puxando meu braço para seguirmos em frente.
Nosso passeio terminou em um restaurante intimista com vista para a Torre Eiffel. Sophie ficou encantada assim que entrou, os olhos brilhando com a decoração clássica e acolhedora.
— Você planejou isso, não planejou? Perguntou, sem tirar os olhos das luzes da cidade do outro lado da vidraça.
— Digamos que escolhi um bom lugar.
Jantamos sem pressa, aproveitando cada momento. Sophie tentou pronunciar o nome do prato em francês, errou completamente, e fez o garçom rir educadamente. Eu apenas balancei a cabeça, acostumado com suas tentativas desastradas de falar outras línguas.
— Não ria de mim e não diga nada. Ela resmungou, apontando o garfo para mim.
— Eu nem disse nada.
— Mas pensou.
— Sempre penso muitas coisas sobre você.
Ela corou, desviando o olhar para o prato.
Depois do jantar, saímos novamente para caminhar. As ruas estavam lotadas de pessoas empolgadas para a virada do ano, e Sophie parecia absorver toda essa energia.
— A gente pode ir para a Torre Eiffel? Pediu, segurando minhas mãos.
— Era exatamente isso que eu tinha em mente.
Seguimos em direção à torre, prontos para a contagem regressiva. O clima estava leve, perfeito. Sophie não imaginava que, em poucas horas, minha atenção seria tomada por algo completamente diferente.
A multidão estava reunida diante da Torre Eiffel, aguardando ansiosamente a contagem regressiva. Sophie segurava minha mão com força, os olhos brilhando enquanto olhava para o céu iluminado pelas luzes da cidade.
— Isso é incrível! Ela exclamou, quase pulando de empolgação.
O entusiasmo dela era contagiante. Mesmo que eu não fosse alguém que se deixava levar facilmente, mas estar com Sophie tornava tudo diferente.
— Faltam dois minutos! Ela avisou, apertando meus dedos. — Você fez algum pedido?
— Você sabe que não sou desse tipo.
— Ah, deixa de ser rabugento, amor! Um desejo de Ano Novo não mata ninguém.
Suspirei, fingindo relutância.
— Tudo bem. Fiz um pedido.
— O quê?
— Não posso contar, senão não se realiza.
Repeti a mesma frase que ela me disse na Itália. Ela fez um biquinho e revirou os olhos, mas logo se distraiu quando a contagem começou.
— Dez, nove, oito...
A multidão acompanhava em uníssono. Eu deveria estar focado na comemoração, mas meu celular vibrou no bolso, e o alerta que apareceu na tela fez minha expressão se fechar imediatamente.
Alerta de segurança: possível intrusão detectada.
Meu peito apertou. Acesso remoto ativado, abri as câmeras de segurança da casa. O sinal estava um pouco instável, mas a imagem carregou, e então eu vi.
Ethan.
Meu corpo ficou tenso na hora. Ele estava lá, parado diante da casa, observando a portão como se estivesse ponderando algo.
— Três, dois, um!
Fogos explodiram no céu, e Sophie soltou um gritinho animado, virando-se para mim.
— Feliz Ano Novo, amor!
Engoli em seco e forcei um sorriso, escondendo o celular rapidamente. Ela não poderia perceber nada agora.
— Feliz Ano Novo, minha pequena.
Segurei seu rosto entre as mãos e a beijei. Sophie se entregou ao momento, completamente alheia ao turbilhão de pensamentos que me tomava. Eu não deixaria que Ethan estragasse essa noite para ela. Não agora.
Mas precisaríamos voltar para casa antes do que ela imaginava.