Capítulo 49

1252 Palavras
Na manhã seguinte... O silêncio do quarto era interrompido apenas pelo som suave da minha respiração. O cheiro amadeirado de Dante ainda pairava no ar, misturado ao perfume fresco dos lençóis. Eu estava tão confortável, enroscada no edredom, meus cachos espalhados pelo travesseiro, quando senti um toque quente e familiar na minha pele. Os lábios dele roçaram meu ombro, subindo lentamente pelo pescoço até minha bochecha. Eu me mexi um pouco, mas me recusei a abrir os olhos. — Preguiçosa. A voz dele soou baixa e séria contra minha pele. Murmurei algo sem sentido, me aconchegando mais na cama. — Só mais cinco minutos... Resmunguei, minha voz arrastada de sono. — A culpa é sua, você se tornou um tarado e não me deu paz até as duas da manhã. Senti Dante se afastar um pouco, provavelmente revirando os olhos. — Você não parecia estar reclamando. Tentei segurar o riso e me afundei mais nos lençóis. Mas Dante não desistiu. Ele continuou me beijando devagar, provocando, até alcançar minha boca. Abri um dos olhos, desconfiada. — Está tentando me seduzir para eu levantar? Ele arqueou a sobrancelha, com aquela expressão típica de quem nunca perde uma discussão. — Se eu estivesse tentando, já teria conseguido. Bufei e me enrosquei mais no edredom, mas ele puxou a coberta com calma, me obrigando a sentir o frescor da manhã. — Temos um dia cheio. Ele pegou meu vestido florido e o colocou sobre a cama. — Levante. Estiquei os braços, me espreguiçando devagar, e lancei um olhar divertido para ele. — Você realmente está levando esse cronograma muito a sério, hein? — Não planejei tudo isso para você dormir até tarde. Ri, por fim cedendo, e me sentei na cama. Peguei o vestido escolhido a dedo por ele e balancei a cabeça. — Certo, certo. Vou me arrumar. Mas, por precaução, se quiser me acordar assim todos os dias, eu não reclamaria. Ele deu um sorriso e balançou a cabeça, já se virando para organizar nossas coisas para a saída. Nosso dia na Itália estava apenas começando. Depois de me arrumar, deixamos a vila e, a pé, caminhamos até uma cafeteria charmosa, daquelas com mesinhas na calçada e um aroma irresistível de café no ar. O lugar tinha um toque rústico, com paredes de tijolinhos e prateleiras cheias de vidros com grãos e doces típicos. Dante pediu dois capuccinos, e quando o garçom trouxe a xícara fumegante, eu segurei com as duas mãos, absorvendo o calor. Dei um gole e arregalei os olhos. — Nossa, isso é mil vezes melhor do que os capuccinos que tomo em casa! Dante apenas ergueu uma sobrancelha, como se fosse óbvio. — Estamos na Itália, Sophie. Ignorei o tom convencido dele e me inclinei para olhar o balcão recheado de doces. Os nomes em italiano me fizeram rir. — Olha esse... "sfogliatella". Parece que alguém espirrou no meio da palavra. Dante suspirou, e percebi que ele estava tentando segurar o riso. Pedi um para experimentar e, quando dei a primeira mordida, soltei um suspiro de satisfação. — Ok, retiro o que disse. Isso é uma obra de arte. Depois do café da manhã, seguimos para a Piazza San Marco, em Veneza. O sol já brilhava forte, refletindo nos prédios históricos e nas águas dos canais. Assim que vi os pombos espalhados pela praça, um sorriso brincalhão apareceu nos meus lábios. — Olha só quantos! Vou alimentá-los! Dante cruzou os braços, observando enquanto eu comprava um pacotinho de milho de um vendedor ambulante. Assim que joguei os primeiros grãos no chão, uma revoada começou ao meu redor. Os pássaros bicavam a comida e voavam perto de mim, fazendo-me rir alto. — Você parece uma criança. Dante comentou, mas havia um brilho divertido nos olhos dele. — E você parece um velho rabugento que não sabe se divertir. Ele soltou um suspiro exasperado, mas no instante seguinte, sacou o celular e tirou uma foto minha, com os pombos voando ao redor. — Para lembrar desse momento ridículo. Ele disse, guardando o aparelho. Fiz uma careta para ele, mas, no fundo, adorei saber que ele registrou aquele momento. Seguimos para um passeio de gôndola pelos canais de Veneza. O gondoleiro era um senhor simpático, que começou a cantarolar em italiano enquanto nos guiava pelas águas tranquilas. — Isso é tão cinematográfico. Comentei, apoiando os braços na borda do barco. — Me sinto em um filme. Dante apenas balançou a cabeça, como se já esperasse esse tipo de comentário vindo de mim. Nosso próximo destino foi o Coliseu, em Roma. Assim que entramos, fiquei impressionada com a grandiosidade do lugar. Dante, sempre com sua mania de ser enciclopédia ambulante, começou a explicar a história do Coliseu, mas eu não conseguia me concentrar. — Gladiadores lutavam aqui, né? Interrompi, olhando ao redor. — Sim. Era um espetáculo para o público. — Aposto que, se eu tivesse vivido naquela época, teria sido uma gladiadora lendária. Fiz um movimento de luta no ar, fingindo estar com uma espada. Dante passou a mão pelo rosto, como se não acreditasse no que estava ouvindo. — Sophie... — O que foi? Só estou entrando no clima histórico. Ele suspirou de novo, e eu ri, me divertindo com o jeito sério dele. Depois de muitas fotos e de eu tentar fazer Dante posar em algumas delas, sem muito sucesso, porque ele detestava ser fotografado, seguimos para um restaurante típico para o almoço. *** Depois de uma manhã cheia de passeios, Dante me guiou até uma trattoria aconchegante, escondida em uma ruela charmosa. O cheiro de massa fresca no ar me fez suspirar de prazer antes mesmo de entrarmos. O restaurante tinha um estilo rústico, com toalhas quadriculadas e garrafas de vinho decorando as prateleiras. Sentamos perto da janela, onde uma brisa fresca entrava, e logo um garçom veio nos atender. — Posso fazer o pedido? Perguntei animada. Dante ergueu uma sobrancelha, duvidando da minha capacidade de lidar com o idioma. Ignorei e encarei o cardápio, tentando me lembrar das aulas de italiano no Duolingo que fiz por exatamente três dias. — Eu quero um... espaguete a... bolonhesa? Arrisquei, tentando dar uma entonação italiana. Dante fechou os olhos por um segundo e soltou um suspiro. — Sophie... — O que foi? Acertei, né? — Você acabou de pedir ‘'espaguete de bolonhesa’', mas de um jeito que parece que quer um bolo no meio do prato. Corei e me afundei na cadeira, enquanto ele, com toda a sua fluência impecável, pediu os pratos de forma correta. Quando os pedidos chegaram, meus olhos brilharam. O prato fumegante à minha frente tinha um cheiro divino. Dei a primeira garfada e soltei um suspiro exagerado. — Eu acho que acabei de alcançar a iluminação gastronômica. Dante me olhou como se já esperasse um comentário desses. — Exagerada. — Só estou sendo sincera. Você devia experimentar ser mais expressivo. Ele me lançou um olhar de advertência, mas eu vi o canto dos lábios dele tremer, como se estivesse segurando um sorriso. Entre garfadas e conversas, tentei convencer Dante a tirar uma selfie comigo. Ele relutou, claro, mas eu não desisti até conseguir uma foto em que ele estava sério, e eu fazia um bico dramático. — Perfeita para o álbum de viagem! Declarei. — Ou para o álbum de momentos ridículos Ele rebateu. Revirei os olhos e continuei comendo, aproveitando cada segundo daquele momento. A Itália era linda, a comida era perfeita, mas nada superava o fato de estar ali, vivendo aquilo com Dante.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR