Episódio 5

1713 Palavras
Eu, que ainda não entendia tudo o que acabou de acontecer diante dos meus olhos, permaneci sentada, olhando o dinheiro que o comissário examinava. A verdade não é que eu estivesse surpresa por o homem ter aceitado o suborno, já que na Argentina você podia esperar qualquer coisa. Mas que meu colega de classe tivesse 500 dólares na carteira, era algo mais do que surpreendente. Marco, que já estava no limiar da porta, interrompeu os meus pensamentos. — O que você está esperando? Que também te dê dinheiro para você se mexer? Ele disse com raiva, despertando-me do meu atordoamento. Levantei-me, peguei a mochila com a qual tinha vindo e saí atrás dele. Lá fora, a escuridão da noite brilhava no céu. — Vem, vamos. Ele disse enquanto continuava caminhando. Decidi segui-lo, pois a área em que estávamos não era a mais segura da capital. Chegamos a um estacionamento que ficava a cinco quarteirões da delegacia e entramos lá. Eu estava confusa sobre o motivo de estarmos naquele lugar, até que Marco tirou uma chave do bolso e apertou o botão que ela tinha, fazendo com que um carro preto acendesse as luzes. Abriu a porta do carro e entrou nele. Eu fiquei parada observando a envergadura de tal máquina, era o que se dizia um carro de alta padrão. — Se você acha que vou abrir a porta para você entrar, vai ter que ficar aí. Disse de dentro do carro. Ai, melhor eu entrar, antes que ele me deixe. Abri a porta e sentei no banco do passageiro. — Aqui não, atrás. Disse ele com tom ofuscado, parando-me em seco. Segui suas ordens e dirigi-me para as portas traseiras. Já dentro do carro eu precisava de explicações. — Você é realmente milionário? Perguntei, olhando-o fixamente. — Onde você mora? Respondeu, ignorando a minha pergunta. Acho que foi um sinal claro de que ele não queria falar sobre o assunto. Então, o melhor era seguir a suas instruções antes que ele me deixasse aqui e "El Brayan" roubasse os meus pertences. Eu lhe dei meu endereço e ele começou a dirigir. Durante a viagem não trocamos palavras. E isso era muito desconfortável. Então, ao notar que já não estávamos numa área perigosa, preparei-me para falar, pois se ele ficasse bravo comigo e me expulsasse do carro, eu poderia voltar para casa tranquilamente. — Marco, você não é muito novo para ter um carro como este? Digo, pelo que entendi, você acabou de fazer 17 anos e, além disso. Acrescentei. — Como você consegue ter 500 dólares no bolso? Marco ignorou as minhas perguntas e simplesmente continuou dirigindo. — Tudo bem, não vai falar comigo? Bom, não esperava menos de você, seu antipático. Então, vou falar comigo mesma. Disse em tom desafiador. Notei como ele me olhava pelo retrovisor e houve um momento em que me pareceu ver o seu sorriso. Muito bem, vou tirar alguma palavra desse cara. — Sabe que me chamo Esperança? Me chamam de Hope, você também pode me chamar de Hope. Bom, questão é que quero te agradecer por ter me salvado outro dia do trem. A verdade é que sem a sua ajuda eu não estaria aqui hoje. Também por tudo o que aconteceu hoje, é muito conveniente ser milionário nesses casos. Sabe, estar sentada neste carro me faz pensar que você é Christian Grey e eu uma espécie de Anastasia, embora obviamente eu saiba que você não é um sádico que vai me amarrar a alguma mesa e obviamente também não vai me comer. Isso o fez começar a tossir, dava para ver que ele estava se divertindo com o meu monólogo. Muito bem, vamos continuar. — Mas se você não é Christian Grey, talvez seja Edward Cullen. Você é um vampiro? Embora você não tenha a pele branca, como se supõe que ele tinha. Ouvi como ele suspirava com as minhas bobagens. — Sabe, Marco, não vamos tirar nenhum garoto de você, se isso é o que te incomoda. Todas nós passamos quatro anos com você e este é o último ano. Tomara que você possa nos deixar outra impressão de você. Nenhuma das garotas te odeia. Bom, talvez a Paloma e um pouco a Aldana, mas você sabe, a Aldu odeia todos que tratam m*al as mulheres. Sinceramente, durante esse tempo que compartilhamos a sala, jamais pensei que você fosse mau. Queria que você pudesse tentar se dar melhor conosco. Assim como o Luís faz, ele é gay e não tem problemas com a nossa existência. Vi como ele olhava pela janela e suspirava. Capaz que a minha mensagem estava chegando até ele. — A verdade é que seria bom se a gente fosse amigo. Embora seja por este último ano que passaremos juntos. — Não quero ser amigo de nenhuma de vocês. Já chegamos, saia do meu carro. Respondeu secamente ao estacionar. Olhei para fora e era verdade, já estávamos na minha casa. Abri a porta para descer, mas parei um momento — Mas eu quero ser sua amiga, Marco. Disse saindo do carro. Quando já estava na calçada, vi o carro do Marco se afastar de mim. Desde quando eu queria ser amiga desse idi*ota? A minha boca estava dizendo coisas estranhas. Se me tivessem dito que foi aquele pedido que fez com que Marco e eu ficássemos mais próximos. Talvez eu tivesse pensado melhor antes de dizer isso. Depois de sair da cadeia, só de lembrar me faz sentir toda uma garota má, tive que explicar para minha irmã tudo o que aconteceu. A pobre Ana estava com os nervos à flor da pele, não só estava fazendo todas as suas provas finais, mas também a sua irmã mais nova tinha sido detida numa delegacia e ela nem tinha ficado sabendo. Meus pais a tinham deixado aos nossos cuidados, mas ela já se sentia sobrecarregada com tudo. Então, tanto eu quanto Manuel tivemos que consolá-la dizendo que ela não era uma péssima irmã mais velha. Depois de acalmar a pobre mulher, fui para o meu quarto onde me deitei, relembrando os acontecimentos deste dia. Primeiro, eu passei a tarde inteira na delegacia vendo pessoas de má índole entrarem e saírem. Segundo, eu tinha visto como meu colega de classe subornava o comissário. Terceiro, meu colega de classe tinha 500 dólares na carteira. Quarto e último, mas não menos importante, meu companheiro possuía um carro de alto padrão. Em suma, Marco não era qualquer garoto... ele era rico, que digo, milionário. Talvez ele realmente fosse um vampiro que viveu 300 anos e por isso acumulou dinheiro, mas que chato que ele fosse um vampiro gay. Depois das minhas divagações infantis, quis dar mais seriedade ao assunto. Tente pensar em alguma circunstância em que ele tivesse exposto a sua opulência, mas a verdade é que eu jamais o tinha visto. Não era do tipo que comprava o último lançamento, bastava olhar o celular dele, que estava com a tela quebrada. Embora a sua forma de vestir sempre estivesse na moda. No entanto, não acho que fossem peças caríssimas, pois eu não costumava conservá-las muito bem. Comecei a pensar nos amigos dele, já que os ricos sempre se juntam com os ricos. Mas ele tinha ido à casa do David por causa de Aldana, que era um pequeno apartamento onde m*al se entrava e já se estava na sala, caminhava-se mais dois passos e já se chegava à cozinha. Por isso, não se poderia dizer que ele fosse rico. Também conhecia a casa de Francisco, Dario e Luca, os outros amigos do seu simpatia, e também não era grande coisa. Embora, já esquecendo o material, eu estivesse surpresa com a sua "amabilidade" para comigo. Sendo como ele era, o mais racional teria sido que ele pagasse apenas a liberdade dele, mas contra qualquer prognóstico ele pagou a de ambos. E depois disso não me deixou sozinha pelas ruas, mas me levou em segurança para casa. Se não fosse pelo jeito zangado que ele parecia, poderia dizer-se que ele foi todo um cavalheiro. Talvez o Marco não fosse tão ru*im quanto pensávamos. Talvez se o conhecêssemos melhor, não seria assim. Mergulhei tanto nos meus pensamentos que não percebi que os meus olhos foram se fechando até que adormeci completamente. O barulho voltava a ecoar no meu quarto. Deus, como eu odiava aquele som inf*ernal. Sentei-me na minha cama, procurando o m*aldito alarme. Quando a encontrei, o medo percorreu o meu corpo. Já eram sete horas. E eu já deveria estar saindo de casa. O meu alarme toca a cada meia hora após o alarme inicial, nunca tinha acontecido de eu não responder ao primeiro alarme. Me arrumei rapidamente e saí de casa correndo. Quando eu estava indo a pé para a parada de ônibus, vi que o ônibus que eu tinha que pegar já estava a uma quadra da parada. Isso fez com que eu tivesse que começar a correr em direção a ele, que estava a uma quadra de distância do lugar onde eu estava. Mas, devido à pressa de sair de casa, não amarrei bem os cadarços dos meus tênis e me enrolei neles, caindo no chão. E lá estava eu, no chão às 7h15 da manhã e acabando de perder o meu ônibus. Levantei-me a duras penas com as mãos um pouco arranhadas e sentindo uma dor aguda no joelho. Definitivamente eu tinha sido mijada por um elefante e, como diz a lei de Murphy, "Por si só, as coisas tendem a ir de m*al a pior". Então, vou assumir que este dia não seria nada bom. Repensei em faltar, mas hoje tinha prova de Matemática e justamente essa professora não era daquelas que diz "pode fazer outro dia", era daquelas que só justificava a sua falta se você estivesse morto. Então, com a perna dolorida, cheguei novamente à parada e esperei quase meia hora para que o outro ônibus viesse. Ao chegar, estava com meia hora de atraso. Então eu tinha que ir à diretoria para dar o meu presente. Quando cheguei à porta do escritório, encontrei o Sr. Simpatia que estava nos assentos de fora esperando. A verdade é que eu estava muito surpresa, o Marco nunca chegava atrasado. Vi que não havia ninguém no escritório, então teria que esperar.
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