A moto parou em frente de casa com o ronco abafado e a tensão latejando entre nós dois. Desci com cuidado, ainda com os dedos dele marcando minha cintura como se não quisesse soltar. O capacete m*l tinha saído da minha cabeça e ele já tava atrás de mim, os olhos colados nas minhas costas, como se o caminho até a porta fosse tempo demais. Abri o portão e entrei. A casa escura, silenciosa, e um arrepio correu pela espinha só de ouvir o estalo do trinco quando ele fechou a porta atrás de nós. — Tá sozinha? — ele perguntou, com a voz rouca. Assenti. Nem respondi. Fui andando devagar até o quarto, sentindo o olhar dele queimando cada pedaço do meu corpo. Me virei só quando cheguei na beira da cama, e ele já tava parado na porta, encostado no batente, me observando com aquele olhar que fazia

