55 - Lorena

2046 Palavras

Era sexta. Tarde. O sol rachava o cimento da laje com gosto. O ventilador da sala tinha quebrado, o calor lá dentro parecia castigo, e eu resolvi subir com minha bacia de descolorante, minha canga, minha caixinha de som e o celular lotado de música r**m que eu amava cantar desafinada. Tava só eu, o céu azul queimando e o cheiro de amônia. Espalhei o pó nos braços, nas pernas, nas coxas. Aquele pinicado gostoso-r**m que toda mulher conhece. Deitei na canga, óculos escuros no rosto, e deixei o sol bater. O suor escorrendo misturado com o creme, a pele formigando. Mas era um desconforto familiar, quase gostoso. Tava em paz. Sozinha. Leve. Até que escutei os passos. Achei que fosse a vizinha subindo pra pegar roupa no varal. Mas aí ouvi a respiração. Aquele jeito meio descompassado, aquel

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