Capítulo 109

2064 Palavras

Quase uma hora depois, o som das rodinhas das malas cortou o silêncio do andar de cima. Elisa descia devagar, o peito acelerado, duas malas grandes batendo degrau por degrau, como se cada impacto ecoasse dentro dela. Helena vinha logo atrás, impecável como sempre, apesar da mala única que puxava, uma mala quase simbólica, que denunciava a confiança irritante de quem já esperava aquele desfecho. Dante estava na sala. Sentado no sofá, costas retas, as mangas da camisa arregaçadas até o antebraço. A TV desligada. Apenas o copo de whisky na mão, água pingando do gelo quase morto. Ele não olhou para elas quando chegaram ao fim da escada. — Eu dei meia hora, — ele disse, a voz rouca, cansada, ainda sem virar o rosto. — E já passou quase uma. A frase entrou nela como um tapa. Não pelo conteúd

Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR