Cassidy
— Não fale de mim como se eu não estivesse aqui na sua frente, Vincenzo — aviso. — Ainda estou aqui porque não tenho a mínima ideia de quem é esse cara ou por que ele está me seguindo até o meu carro.
Lanço um olhar fulminante para o belo estranho, que Vincenzo se levanta para abordar. — Cassidy, esse é Lorenzo, meu segundo em comando. Confio a ele a minha vida...
Interrompo-o. — Não importa. O que você está fazendo aqui? Está me seguindo de novo?
Lorenzo ri sozinho e interrompe: — Ele está aqui por mim. Estou tentando fazer com que ele se concentre no trabalho, já que anda distraído ultimamente.
O jeito como ele me encara da cabeça aos pés me faz saber que sou o alvo daquela distração. Em questão de segundos, tenho um conjunto inteiramente novo de problemas e perguntas. Minha vida está girando fora de controle nas mãos de homens poderosos, La Família.
O mesmo homem que me leiloou no fim de semana aparece na nossa mesa com uma expressão que não consigo decifrar. Ele é extravagante, mas não como meu primo, Frankie. Não, esse cara é como um personagem daqueles seriados policiais dos anos 80 que o Pai gosta de assistir, com sua camisa de seda que deixa os três primeiros botões abertos. Seu cabelo cacheado está penteado para trás, e joias de ouro balançam em volta do pescoço. Há um talento indescritível nele e fica claro que ele é um homem poderoso e intrigante.
— Seu quarto está pronto, Sr. Marino. Gostaria de um quarto também, Sr. Lombardi? — pergunta ele com um sorriso enquanto olha para mim. Parece que todos na sala de jantar estão esperando que eu responda por Vincenzo.
A resposta de Vincenzo é abrupta. — Não, Antônio. Lorenzo está livre para se divertir na minha conta.
Lorenzo inclina a cabeça em direção a Vincenzo. — Ora, obrigado, ó Malévola.
— Não seja babaca — diz Vincenzo a Lorenzo.
Antônio faz a mesma pergunta a Vincenzo novamente, com os olhos ainda se alternando entre nós. — Tem certeza de que não consigo um Palco para você e a adorável Cassidy? Faz tanto tempo que vocês, hum, não participam. Ela parece perfeita para o seu gosto.
A voz de Vincenzo é severa desta vez. — Não, Antônio. Estamos indo.
Vincenzo se levanta enquanto Lorenzo e Antônio se aventuram em direção à cortina de veludo, desaparecendo cada vez mais no clube. A curiosidade me atrai, mas com a mão firme de Vincenzo pressionando minhas costas, ele me leva para fora.
Há uma brisa soprando na noite. As pessoas andam para cima e para baixo na rua como se minha vida não estivesse virando de cabeça para baixo a cada esquina.
— Do que ele estava falando? De um palco? De uma cena? O que tem atrás daquela cortina? — pergunto a Vincenzo assim que saímos e seguimos em direção ao meu carro. Paramos assim que chegamos à porta do passageiro, seus olhos percorrendo a calçada de um lado para o outro, observando a escassa quantidade de pessoas passando.
— Essa não é uma conversa que eu queira ter aqui. Você está segura para dirigir? — ele pergunta.
— Estou bem. Não comi nem bebi nada antes de você chegar. O que foi isso, Vincenzo? Só me conta o que está acontecendo. Por que você está fazendo acordos com um homem que você claramente odeia?
Vincenzo suspira. — Niklaus levantou uma questão interessante. Ele não interfere nos meus negócios e não é certo que eu interfira nos dele. A única razão pela qual interferi, ajudando sua Família, é por causa do que está acontecendo entre nós.
— Entre nós? Acabamos de nos conhecer. Você me fez um favor tirando minha virgindade. Agora que sei que isso só me tornou mais adequada aos planos do Niklaus, odeio que isso esteja acontecendo. Eu só quero desaparecer. Quero que tudo isso acabe. — Tento conter as lágrimas, mas a força dos braços de Vincenzo quando ele me puxa para o seu abraço me encoraja a soltar.
Fico firme, empurrando-me delicadamente para entrar no carro. Os olhos azuis-claros de Vincenzo me prendem em transe, mas me viro, lembrando-o: — Você ainda não respondeu à minha pergunta. Por que está fazendo acordos com o Niklaus?
— Para mantê-la segura e impedir que uma guerra comece — diz ele, enfiando as mãos nos bolsos. — Precisamos que Niklaus seja obediente por enquanto, até que eu possa garantir que você e sua Família estejam seguros. Niklaus revelou que foi um dos homens dele que seus pais, hum, eliminaram.
Eu digo a ele: — É, ele disse isso na outra noite. Ele quer o negócio porque meus pais conseguiram uma pequena loteria para negócios? Eles conseguem contratos com a prefeitura. Eu sabia que tínhamos conseguido o emprego na Saint Bartholomew's com bastante facilidade. Se eles soubessem que era um convite para a máfia, tenho certeza de que teriam se limitado aos seus clientes e indicações habituais. Parece que nunca vamos sair dessa. Desculpe por ter te arrastado para isso, Vincenzo.
Ele ri baixinho. — Você não fez nada. Meu ego me colocou nisso, e você? É você quem está me mantendo aqui. Já tenho uma ideia do que podemos fazer. Só preciso colocar algumas coisas em prática.
Vincenzo dá a volta até o lado do motorista do meu carro e abre a porta para eu entrar. Uma parte de mim quer que ele faça mais — um beijo, um gesto de desejo, algo para apagar Niklaus do meu paladar. Em vez disso, ele fecha a porta, desejando-me uma viagem segura para casa.
A viagem para casa me deixa tonta, mas não tanto a ponto de não conseguir ver o carro atrás de mim. Imagino se é Vincenzo, mas não consigo ver o rosto ao volante, apenas o borrão de uma imagem por trás dos faróis brilhantes.
Os pelos da minha nuca se arrepiam enquanto o carro atrás de mim me segue curva após curva. Mesmo quando outro carro manobra entre nós, consigo ver o brilho do sedã prateado deles, um arranhão acima do farol, acompanhando meu ritmo. Nervosismo e ansiedade me consomem, impedindo-me de ir direto para o meu apartamento.
Quem é aquele?
Não consigo me conter e grito para minha assistente telefônica ligar para Vincenzo.
Ele responde imediatamente: — O que houve?
— Você está me seguindo?
— O quê? — A ansiedade em sua voz parece estar aumentando para se igualar à minha. — Onde você está?
— Não estou longe do meu apartamento, mas posso estar imaginando. Acho que o jantar com o Niklaus me deixou abalada.
— Você consegue chegar em segurança à casa dos seus pais? — ele pergunta.
— Eu posso — digo a ele, e imediatamente mudo de direção para ir em direção à casa que ficava a uma curta distância do meu apartamento.
— Vou ficar no telefone até você chegar. Estou indo em sua direção agora.
— Você ainda está em Manhattan? Vai demorar muito para chegar aqui? — pergunto a ele, dirigindo pela rua onde a casa dos meus pais fica espremida entre duas outras. As luzes estão apagadas. Não vejo o carro deles estacionado na pequena entrada da garagem. — Vincenzo, acho que eles não estão em casa. Não quero entrar lá sozinha. Não quero sair do carro agora.
— Não. Estarei no seu apartamento em dez minutos. Vá até um posto de gasolina próximo e me espere. — Vincenzo encerra a ligação, e eu sigo em direção ao posto mais próximo.
As luzes brilham o suficiente para impedir qualquer um de sair das sombras. Todos os postos de gasolina da cidade têm câmeras. A probabilidade de alguém me atacar com tantas câmeras e luzes é improvável, certo?
Vejo o sedã com o arranhão profundo acima do farol passar. Os vidros estão tão escuros que não consigo olhar para dentro do carro para ver quem está ao volante. Imagino se vão parar e esperar que eu saia do posto de gasolina. Não vejo luzes de freio ao longe. Talvez tenham desistido, ou foi fruto da minha imaginação.
O ar da noite está mais fresco quando abro a porta, e a brisa faz meus m*****s endurecerem contra o tecido macio do meu vestido. No entanto, mesmo parada ao lado do carro, todas as luzes de freio parecem idênticas às do sedã prateado. Afasto-me alguns passos do carro, esticando o pescoço para ver para onde o carro foi. Só sei que eles estavam me seguindo.
— p***a, gatinha, você está bem? — Uma voz desvia minha atenção da loja anexa ao posto de gasolina. Um breve olhar por cima do ombro revela um cara de bermuda cargo larga e regata. Um símbolo dourado brilham em seu cinto ousado, que parece inútil de usar, já que não segura seu short largo. Ele se aproxima de mim.
— Estou bem, obrigada — grito para ele, voltando para o meu carro.
— É mesmo. Vem cá, deixa eu falar com você um segundo. — Ele se aproxima um passo, como se seu pedido fosse algo que eu fosse obrigada a atender.
— Estou bem — digo a ele com mais firmeza dessa vez. — Não estou interessada.
— Você precisa ficar com um i****a desses. Vem aqui e para de brincar... — As palavras do homem são interrompidas.
Isso me obriga a me virar e avistar o carro esportivo de Vincenzo estacionando em frente à bomba de gasolina. O alívio me invade enquanto sigo em direção ao carro de Vincenzo.
O assediador cerra os dentes, acenando para mim e gritando com raiva: — Cara, não entra nesse jogo. Esse cara está perdido, e você não precisa fingir que é melhor do que eu. Estou vendo aquele carro que você está dirigindo, gatinha.
Antes que eu possa responder, Vincenzo sai do carro e se aproxima de mim com uma severidade que faz o estranho desagradável revirar os olhos e balançar a cabeça.
— Algum problema? — pergunta Vincenzo.
— Não, cara. Sério? Eu a vi primeiro, mas acho que você conseguiu. Você parece que consegue apagar o fogo da baixinha, de qualquer jeito. Boa sorte, meu chapa. — O assediador se vira para voltar para a loja, onde vejo um grupo de caras esperando que ele volte fracassado de uma aposta que não deu certo.
Eles riem e zombam dele, mas a raiva de Vincenzo está fervendo sob a superfície. Vincenzo me leva até seu carro, onde fico ao lado dele, num gesto de posse.
— Espere aqui — Vincenzo ordena, caminhando em direção ao grupo de homens que está saindo da loja.
Vincenzo impõe respeito e atenção ao se dirigir ao grupo. Não consigo entender o que ele está dizendo, mas quando aponta para mim, os homens riem, e o principal, que falou comigo, começa a reclamar com Vincenzo. Pelo menos é o que parece.
A maior parte do grupo vai embora com Vincenzo falando e depois caminhando em minha direção com o assediador ao lado dele.
O tom do estranho é tímido. — Escute, me desculpe por isso. Sem querer desrespeitar, senhorita. Sr. Lombardi, peço desculpas ao senhor e à patroa.
Vincenzo está ali, com autoridade e poder transbordando sem esforço de sua postura enquanto o estranho se afasta trotando. Com o estranho indo embora, ele me acompanha de volta ao meu carro, abrindo a porta enquanto seus olhos examinam os arredores.
— Posso seguir você até sua casa e mandar uma equipe para lá em poucos minutos — ele diz.
— Uma equipe? — pergunto a ele. Minhas emoções estão à flor da pele. Vincenzo, dono da minha virgindade, ainda é essencialmente um estranho. No entanto, ele está se esforçando para me proteger mais do que meus próprios pais. Não consigo deixar de me perguntar qual é o objetivo dele. O que ele ganha com isso?
Ele concorda. — Sim. Posso mandar uma equipe de segurança vigiando o seu lugar.
— Eu só quero ir para casa. Só quero que essa merda com o Caruso acabe para que possamos voltar às nossas vidas, como costumava ser.
Vincenzo me puxa para um abraço, me beija na têmpora antes de me conduzir para dentro do carro. Ele me segue até em casa, mas, para minha surpresa, estaciona o carro na frente de um hidrante e tira uma mochila do banco de trás.
Vincenzo está na porta quando eu a destranco e entro pela pequena entrada.
O piso de madeira range sob nossos pés enquanto levo Vincenzo até meu apartamento nos fundos da casa. Meu coração dispara e imediatamente declaro: — Não é tão grande. Nada como a sua casa de praia. Já agradeci por essa noite? Você não precisa entrar.
— Sim — insiste Vincenzo enquanto destranco a porta e entramos. Ele parece enorme dentro do espaço. Sua altura está a apenas 60 centímetros do teto. Observo-o andando, observando tudo. Bastam algumas dezenas de passos para ele olhar ao redor.
— Fique aqui — ele ordena, andando por aí e verificando as janelas e portas.
Acendo as luzes enquanto ele se move, enfiando a cabeça pelas portas, do meu armário para o banheiro e para o meu quarto. Sou grata por ter jogado todas as roupas que experimentei antes de me espremer neste vestido no armário do meu quarto, mas não tenho certeza se conseguirei manter minha bagunça em segredo por muito tempo.
Não demora muito, mas quando ele se senta no meu sofá, tira os sapatos e deixa a bolsa cair, tenho que perguntar: — O que você pensa que está fazendo?
— Você é minha para proteger, Cassidy… — Você me disse que alguém estava te seguindo. Eu prometi que não deixaria nada acontecer com você. Estou aqui para cumprir essa promessa.